quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Método Paulo Freire: Trabalhando com a educação de jovens e adultos

RELAÇÃO PROFESSOR ALUNO (Paulo Freire).

Método Paulo Freire: alfabetização pela conscientização

O Método Paulo Freire consiste numa proposta para a alfabetização de adultos desenvolvida pelo educador, o método nasceu em 1962 quando Freire era diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife onde formou um grupo para testar o método na cidade de Angicos, RN onde alfabetizou 300 cortadores de cana em apenas 45 dias, Freire criticava o sistema tradicional, o qual utilizava a cartilha como ferramenta central da didática para o ensino da leitura e da escrita. As cartilhas ensinavam pelo método da repetição de palavras soltas ou de frases criadas de forma forçosa, que comumente se denomina como linguagem de cartilha, por exemplo “Eva viu a uva”, “o boi baba”, “a ave voa”, dentre outros.
“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”(Paulo freire)
 O método propõe a identificação das palavras-chave do vocabulário dos alunos - as chamadas palavras geradoras. Elas devem sugerir situações de vida comuns e significativas para os integrantes da comunidade em que se atua, como por exemplo, "tijolo" para os operários da construção civil.  Diante dos alunos, o professor mostrará lado a lado a palavra e a representação visual do objeto que ela designa. Os mecanismos de linguagem serão estudados depois do desdobramento em sílabas das palavras geradoras. O conjunto das palavras geradoras deve conter as diferentes possibilidades silábicas e permitir o estudo de todas as situações que possam ocorrer durante a leitura e a escrita.
"Em sala de aula, os dois lados aprenderão junto, um com o outro - e para isso é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas, garantindo a todos a possibilidade de se expressar. Uma das grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo".(ROMÃO, José Eustáquio, Revista Nova Escola p.2)
A valorização da cultura do aluno é a chave para o processo de conscientização preconizado por Paulo Freire, ele propôs o que chamou de Temas Geradores, onde o educador e educando em sala de aula aprendem juntos, a diversidade pode contribuir para o dinamismo da aula, para o despertar do interesse, da atenção e do envolvimento, garantindo a todos a possibilidade de se expressar sobre aspectos da realidade, mantendo uma ligação com o universo conhecido deles, impulsionando-os para novas descobertas, pois aprendemos melhor aquilo que temos interesse em aprender. Os Temas Geradores ajuda a organizar o trabalho de sala de aula porque possibilita uma aprendizagem significativa.

 “Os conteúdos de ensino são resultados de uma metodologia dialógica. Cada pessoa, cada grupo envolvido na ação pedagógica dispõe em si próprio, ainda que de forma rudimentar, dos conteúdos necessários dos quais se parte. O importante não é transmitir conteúdos específicos, mas despertar uma nova forma de relação com a experiência vivida. A transmissão de conteúdos estruturados fora do contexto social do educando é considerada “invasão cultural” ou “depósito de informações” porque não emerge do saber popular".
(http://cantinhodesugestoesparaeja.blogspot.com.br/2010/03/metodo-paulo-freire.html )

A proposta de Freire parte do estudo da realidade que é a fala do educando, e a organização do dado que é a fala do educador, surgindo os Temas Geradores da problematização da prática de vida dos educandos e os conteúdos de ensino que são resultados de uma metodologia dialógica.

"Uma das grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo". (ROMÃO, José Eustáquio, Revista Nova Escola p.2)

Etapas do método

Etapa de Investigação: busca conjunta entre professor e aluno das palavras e temas mais significativos da vida do aluno, dentro de seu universo vocabular e da comunidade onde ele vive.
Etapa de Tematização: momento da tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais dos temas e palavras.
Etapa de Problematização: etapa em que o professor desafia e inspira o aluno a superar a visão mágica e acrítica do mundo, para uma postura conscientizada.
As fases de aplicação do método

Freire propõe a aplicação de seu método nas cinco fases seguintes:
1ª fase: Levantamento do universo vocabular do grupo. Nessa fase ocorrem as interações de aproximação e conhecimento mútuo, bem como a anotação das palavras da linguagem dos membros do grupo, respeitando seu linguajar típico.
2ª fase: Escolha das palavras selecionadas, seguindo os critérios de riqueza fonética, dificuldades fonéticas - numa seqüência gradativa das mais simples para as mais complexas, do comprometimento pragmático da palavra na realidade social, cultural, política do grupo e/ou sua comunidade.
3ª fase: Criação de situações existenciais características do grupo. Trata-se de situações inseridas na realidade local, que devem ser discutidas com o intuito de abrir perspectivas para a análise crítica consciente de problemas locais, regionais e nacionais.
4ª fase: Criação das fichas-roteiro que funcionam como roteiro para os debates, as quais deverão servir como subsídios, sem no entanto seguir uma prescrição rígida.
5ª fase: Criação de fichas de palavras para a decomposição das famílias fonéticas correspondentes às palavras geradoras.

O trabalho com o tema gerador na EJA fase I, possibilita a interdisciplinaridade integrando as disciplinas Língua Portuguesa, Matemática, e Estudo da Sociedade e Natureza, desenvolvendo temas que estejam relacionados com o dia-a-dia dos educandos, partindo de sua realidade e valorizando a sua vivência, através de músicas, poemas, textos informativos e reflexivos, além de facilitar a assimilação dos conteúdos, favorece a integração do grupo.

COLOCANDO EM PRÁTICA
Trabalhando com tema gerador em sala multisseriada- 1ª a 4ª etapa: 
Exemplos: 
Sugestão de Atividades: Tema Gerador FAMÍLIA (minha realidade)
Marcadores: oficina de capacitação EJA 2012
Disponível em: http://ensinareaprender-crisreis.blogspot.com.br/2012/06/tema-gerador-eja-fase-i.html
Sugestão de Atividades: Palavra Geradora VIDA ( Valéria Souto)
Disponível em:http://cantinhodesugestoesparaeja.blogspot.com.br/2010/03/metodo-paulo-freire.html
Livros  de Paulo Freire em PDF
Disponível em:http://www.elivros-gratis.net/livros-gratis-paulo-freire.asp#.UHDZJU4cXa0.blogger

Ver também fontes pesquisadas:

BRASIL ALFABETIZADO: experiências de avaliação dos parceiros, disponível em: http://pt.pdfsb.com/readonline/596c684865517830566e4a344458316855513d3d-1286946. Acessado em 13/11/2012

MÉTODO PAULO FREIRE, disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_Paulo_Freire#Etapas_do_m.C3.A9todo. Acessado em 13/11/2012

MÉTODO PAULO FREIRE, disponível em: http://cantinhodesugestoesparaeja.blogspot.com.br/2010/03/metodo-paulo-freire.html. Acessado em 13/11/2012

Paulo Freire, o mentor da educação para a consciência, disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/mentor-educacao-consciencia-423220.shtml?page=1. Acessado em 13/11/2012

Paulo Freire, Vida e obra. Disponível em: http://www.educacaonaescola.com.br/paulo-freire/. Acessado em 10/10/2012

Paulo Freire, Relação Professor Aluno, vídeo disponível em:
http://youtu.be/-NQzQlPrQwQ. Acessado em 10/10/2012


Referências:

REIS, Cristiane. Método Paulo Freire. Educação de Jovens e Adultos. [Artigo]. Blog. Apucarana, Paraná: Blog Ensinar é aprender, 2012. Disponível em: http://ensinareaprender-crisreis.blogspot.com.br/2012/11/metodo-paulo-freire.html  Acesso em: 07/08/2013.

Método Paulo Freire de alfabetização: as lembranças emocionadas da 1ª turma

Método Paulo Freire de alfabetização completa 50 anos neste mês. Primeira turma teve 380 alunos de Angicos, dos quais 300 se formaram

Paulo Alves de Souza, 70 anos, Maria Eneide de Araujo Melo, 56, e Idália Marrocos da Silva, 83. Três personagens de uma história que teve como cenário a pequena cidade de Angicos, localizada na região central do Rio Grande do Norte, a 170 km de Natal, e que completa 50 anos neste mês de abril. Os três fizeram parte da experiência de alfabetização de adultos, conhecida como as 40 Horas de Angicos, na qual foram alfabetizados cerca de 300 angicanos, em 1963, sob a supervisão do educador Paulo Freire.
A experiência, inédita no Brasil, tinha uma meta ousada: alfabetizar adultos em 40 horas. Mas não era só isso. De acordo com o professor doutor Éder Jofre, Paulo Freire pretendia despertar o ser político que deve ser sujeito de direito. “A palavra ‘tijolo’ fez parte do universo vocabular trabalhado em Angicos. Era uma palavra que fazia parte do cotidiano dessas pessoas. Mas não era só ensinar a escrever tijolo, tinha também a questão social e política. Era questionado: você trabalha na construção de casas, mas você tem uma casa própria? Por que não tem? Levava o cidadão a pensar nessas questões”, explica Éder Jofre, que é doutor no método Paulo Freire.
método paulo freire alfabetização
Paulo Souza, aluno da primeira turma do método Paulo Freire, se emociona ao lembrar das aulas (Foto: Fernanda Zauli/G1 RN)
Paulo Souza lembra que naquela época, quando tinha 20 anos, já não tinha esperanças de aprender a ler, até que chegou na cidade a notícia do curso de alfabetização de adultos. “Eu não pensei duas vezes. Fui na hora.” Ele conta que trabalhava o dia todo e seguia para as aulas que aconteciam em uma casa no centro da cidade. “Naquela época aqui era só mato. Depois do trabalho a gente seguia para a aula com o caderninho debaixo do braço. Aquilo mudou a minha vida, porque quando a gente não sabe ler a gente não participa de nada, a gente não é ninguém”, diz, emocionado.
Maria Eneide também participou das aulas de alfabetização. Com 6 anos de idade, ela não era o público alvo do curso, mas acompanhava os pais porque não tinha com quem ficar em casa. “Meu pai e minha mãe estavam no curso, então eu ia com eles. Eu aprendi a ler no colo do meu pai e quando ele não podia ir eu acompanhava minha mãe e depois ensinava meu pai”, lembra. A experiência foi determinante na vida de Eneide. “A partir dali eu tive certeza de que seria professora e hoje dou aula para alunos da educação infantil”, diz.
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Aos 83 anos de idade, Idália Marrocos da Silva diz que se lembra ‘como se fosse hoje’ das aulas. “Nós íamos para uma casa e tínhamos aula na sala. Naquela época essas aulas aconteciam em todo lugar: na igreja, na delegacia, nas casas das pessoas. Muita gente aprendeu a ler com essas aulas”, lembra. De sorriso fácil e boa memória. Dona Idália lembra que muita gente tinha medo de ir às aulas porque na época diziam que Paulo Freire era comunista e que os alunos do curso seriam perseguidos. “Muita gente tinha medo. Minha mãe não queria que eu fosse, mas essas aulas mobilizaram a cidade inteira. Foi quase uma revolução e eu queria fazer parte”, conta, na cadeira de balanço, em uma casa simples onde mora sozinha.
Entenda o método Paulo Freire

Paulo Freire desenvolveu um método de alfabetização baseado nas experiências de vida das pessoas. Em vez de buscar a alfabetização por meio de cartilhas e ensinar, por exemplo, “o boi baba” e “vovó viu a uva”, ele trabalhava as chamadas “palavras geradoras” a partir da realidade do cidadão. Por exemplo, um trabalhador de fábrica podia aprender “tijolo”, “cimento”, um agricultor aprenderia “cana”, “enxada”, “terra”, “colheita” etc. A partir da decodificação fonética dessas palavras, ia se construindo novas palavras e ampliando o repertório.
O método Paulo Freire estimula a alfabetização dos adultos mediante a discussão de suas experiências de vida entre si, através de palavras presentes na realidade dos alunos, que são decodificadas para a aquisição da palavra escrita e da compreensão do mundo.
Paulo Freire
Paulo Freire ganhou 41 títulos de doutor honoris causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford.
“A concepção freiriana procura explicitar que não há conhecimento pronto e acabado. Ele está sempre em construção”, explica Sonia Couto Souza Feitosa, coordenadora do Centro de Referência Paulo Freire (CRPF), entidade mantida pelo Instituto Paulo Freire. “Aprendemos ao longo da vida e a partir das experiências anteriores, o que faz cair por terra a tese de que alguém está totalmente pronto para ensinar e alguém está “totalmente” pronto para receber esse conhecimento, como uma transferência bancária. Esse caráter político, libertador, conscientizador é o diferencial da metodologia de Paulo Freire dos demais métodos de alfabetização.”
O método Paulo Freire foi desenvolvido no início dos anos 1960 no Nordeste, onde havia um grande número de trabalhadores rurais analfabetos e sem acesso à escola, formando um grande contingente de excluídos da participação social. Com o golpe militar de 1964, Paulo Freire foi preso e exilado, e seu trabalho interrompido.
“Já naquela época Paulo Freire defendia um conceito de alfabetização para além da decodificação dos códigos linguísticos, ou seja, não basta apenas saber ler e escrever, mas fazer uso social e político desse conhecimento na vida cotidiana”, explica Sonia, que é licenciada em Letras e Pedagogia, com mestrado e doutorado pela Faculdade de Educação da USP.
Desde seus primeiros escritos, Paulo Freire considerou a escola muito mais do que as quatro paredes da sala de aula. Apesar de aplicado entre jovens e adultos, o método também pode ajudar na alfabetização e letramento de crianças.
O método Paulo Freire é dividido em três etapas. Na etapa de Investigação, aluno e professor buscam, no universo vocabular do aluno e da sociedade onde ele vive, as palavras e temas centrais de sua biografia. Na segunda etapa, a de tematização, eles codificam e decodificam esses temas, buscando o seu significado social, tomando assim consciência do mundo vivido. E no final, a etapa de problematização, aluno e professor buscam superar uma primeira visão mágica por uma visão crítica do mundo, partindo para a transformação do contexto vivido.
Nascido no Recife, Freire ganhou 41 títulos de doutor honoris causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. Ele morreu em maio de 1997, e no ano passado foi declarado patrono da educação brasileira. “O legado que ele nos deixa, entre tantas contribuições, é de esperança”, destaca a coordenadora. “Um legado de entender a educação como espaço de transformação social, que nos ajuda não só a ler a história, mas sermos também escritores da história.”

Referências:
ZAULI, Fernanda. Método Paulo Freire de alfabetização: as lembranças emocionadas da 1ª turma. [Artigo informativo].  In: Portal G1 RN. Natal, Rio Grande do Norte: Pragmatismo Político, 2013.
Por Fernanda ZauliG1 RN

Poemas e pensamentos de Paulo Freire

Verdades da Profissão de Professor

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.

(Paulo Freire)


" A creditamos que a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.
Se a nossa opção é progressiva, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente
e não de sua negação, não temos outro caminho se não viver a nossa opção.
Encarná-la, diminuindo, assim, a distância entre o que dizemos e o que fazemos"

(Paulo Freire)


Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.

(Paulo Freire)

Se a educação sozinha não pode tranformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.

(Paulo Freire)

Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão

(Paulo Freire)

A humildade exprime, uma das raras certezas de que estou certo: a de que ninguém é superior a ninguém.

(Paulo Freire)

Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.

(Paulo Freire)

A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.

(Paulo Freire)

Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.

(Paulo Freire)

As terríveis conseqüências do pensamento negativo são percebidas muito tarde.

(Paulo Freire)

Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes.

(Paulo Freire)

“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”

(Paulo Freire)

Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanha pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina.

(Paulo Freire)

(...) todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje (...). Temos de saber o que fomos, para saber o que seremos”

(Paulo Freire)

Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.

(Paulo Freire)

"A liberdade, que é uma conquista, e não uma doação, exige permanente busca. Busca permanente que só existe no ato responsável de quem a faz. Ninguém tem liberdade para ser livre: pelo contrário, luta por ela precisamente porque não a tem. Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunão."

(Paulo Freire)

O amor é uma intercomunicação íntima de duas consciências que se respeitam. Cada um tem o outro como sujeito de seu amor. Não se trata de apropriar-se do outro.”

(Paulo Freire)

A teoria sem a prática vira 'verbalismo', assim como a prática sem teoria, vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade.

(Paulo Freire)

A Educação qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática.
Paulo Freire

(Paulo Freire)

“Para a concepção crítica, o analfabetismo nem é uma ‘chaga’, nem uma ‘erva daninha’ a ser erradicada (...), mas uma das expressões concretas de uma realidade social injusta.”
(Ação Cultural para a Liberdade, 1976)

Paulo Freire

Paulo Freire : Biografia resumida - O caminho de um Educador

Nasceu em Recife em 1921 e faleceu em 1997. É considerado um dos grandes pedagogos da atualidade e respeitado mundialmente. Em uma pesquisa no Altavista encontramos um número maior de textos escritos em outras línguas sobre ele, do que em nossa própria língua.
Embora suas idéias e práticas tenham sido objeto das mais diversas críticas, é inegável a sua grande contribuição em favor da educação popular. Publicou várias obras que foram traduzidas e comentadas em vários países.

Suas primeiras experiências educacionais foram realizadas em 1962 em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde 300 trabalhadores rurais se alfabetizaram em 45 dias. Participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife. Suas atividades são interrompidas com o golpe militar de 1964, que determinou sua prisão. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Com sua participação, o Chile, recebe uma distinção da UNESCO, por ser um dos países que mais contribuíram à época, para a superação do analfabetismo.

Em 1970, junto a outros brasileiros exilados, em Genebra, Suíça, cria o IDAC (Instituto de Ação Cultural), que assessora diversos movimentos populares, em vários locais do mundo. Retornando do exílio, Paulo Freire continua com suas atividades de escritor e debatedor, assume cargos em universidades e ocupa, ainda, o cargo de Secretario Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão da Prefeita Luisa Erundina, do PT.

Algumas de suas principais obras: Educação como Prática de Liberdade, Pedagogia do Oprimido, Cartas à Guiné Bissau, Vivendo e Aprendendo, A importância do ato de ler.

Pedagogia do Oprimido

Para Paulo Freire, vivemos em uma sociedade dividida em classes, sendo que os privilégios de uns, impedem que a maioria, usufrua dos bens produzidos e, coloca como um desses bens produzidos e necessários para concretizar o vocação humana de ser mais, a educação, da qual é excluída grande parte da população do Terceiro Mundo. Refere-se então a dois tipos de pedagogia: a pedagogia dos dominantes, onde a educação existe como prática da dominação, e a pedagogia do oprimido, que precisa ser realizada, na qual a educação surgiria como prática da liberdade.

O movimento para a liberdade, deve surgir e partir dos próprios oprimidos, e a pedagogia decorrente será " aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade". Vê-se que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas, que se disponha a transformar essa realidade; trata-se de um trabalho de conscientização e politização.

A pedagogia do dominante é fundamentada em uma concepção bancária de educação, (predomina o discurso e a prática, na qual, quem é o sujeito da educação é o educador, sendo os educandos, como vasilhas a serem enchidas; o educador deposita "comunicados" que estes, recebem, memorizam e repetem), da qual deriva uma prática totalmente verbalista, dirigida para a transmissão e avaliação de conhecimentos abstratos, numa relação vertical, o saber é dado, fornecido de cima para baixo, e autoritária, pois manda quem sabe.

Dessa maneira, o educando em sua passividade, torna-se um objeto para receber paternalisticamente a doação do saber do educador, sujeito único de todo o processo. Esse tipo de educação pressupõe um mundo harmonioso, no qual não há contradições, daí a conservação da ingenuidade do oprimido, que como tal se acostuma e acomoda no mundo conhecido (o mundo da opressão)- -e eis aí, a educação exercida como uma prática da dominação.

Referências

____. Paulo Freire : Biografia resumida - O caminho de um Educador. [Artigo]. Centro Refe educacional, 2013. Disponível em: www.centrorefeducacional.pro.br\paulo.html

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Dilema Existencial (Poesia)

A loucura para uns, é a inteligência para outros
O lesado para alguns, é a alegria para outros
O sucesso para alguns, é a inveja para o outro
O despertar para uns, é o enlouquecer para outros.

A paixão para uns, é a perdição para outros
O pão para alguns, é a torrada de outros
O desafio para alguns, é o pesadelo para outros
O jogo de uns, é a diversão de outros.

A solidão de uns, é a liberdade de outros
O escutar de alguns, é o ouvir de outros
O chamar de alguns, é o reconhecer de outros
O prazer de uns, é o gostar de outros.

A aliança de uns, é a união de outros
O passar para alguns, é o ficar para outros
O equilíbrio para alguns, é o centrar de outros
O relembrar de uns, é o falar de outros.

No dizer popular, uns e alguns são os mesmos
No dizer formal, uns são outros, e os mesmos são eles
No jornal circular, outros são uns, e eles mesmos são alguns
No geral, existencial de alguns, eles são eles, alguns são alguns

No dizer, outros são outros, e loucos são loucos
Passa o dia, passa o tempo
A loucura passa, a doidice fica, o sonho permanece
O sucesso aparece.

ARANTES, Alessandro de Oliveira. Dilema Existencial. Poesia. Belford Roxo: Pescando Letras, 2013.
http://www.overmundo.com.br/

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Naturalismo

Século XIX. Nessa época surgiram novas concepções a respeito do homem e da vida em sociedade e os estudos da Biologia, Psicologia e Sociologia estavam em alta.
Os naturalistas começaram a analisar o comportamento humano e social, apontando saídas e soluções.

Aqui no Brasil, os escritores naturalistas ocuparam-se, principalmente, com os temas mais obscuros da alma humana (patológicos) e, por causa disso, outros fatos importantes da nossa história como a Abolição da Escravatura e a República foram deixados de lado.

O Naturalismo surgiu na França, em 1870, com a publicação da obra “Germinal” de Émile Zola. O livro fala das péssimas condições de vida dos trabalhadores das minas de carvão na França do século XIX.

O naturalismo é uma ramificação do Realismo e uma das suas principais características é a retratação da sociedade de uma forma bem objetiva.

Os naturalistas abordam a existência humana de forma materialista. O homem é encarado como produto biológico passando a agir de acordo com seus instintos, chegando a ser comparado com os animais (zoomorfização).

Segundo o Naturalismo, o homem é desprovido do livre-arbítrio, ou seja, o homem é uma máquina guiada por vários fatores: leis físicas e químicas, hereditariedade e meio social, além de estar sempre à mercê de forças que nem sempre consegue controlar. Para os naturalistas, o homem é um brinquedo nas mãos do destino e deve ser estudado cientificamente.

Características do Naturalismo

A principal característica do Naturalismo é o cientificismo exagerado que transformou o homem e a sociedade em objetos de experiências.
Descrições minuciosas e linguagem simples
Preferência por temas como miséria, adultério, crimes, problemas sociais, taras sexuais e etc. A exploração de temas patológicos traduz a vontade de analisar todas as podridões sociais e humanas sem se preocupar com a reação do público.
Ao analisar os problemas sociais, o naturalista mostra uma vontade de reformar a sociedade, ou seja, denunciar estes problemas, era uma forma de tentar reformar a sociedade.

Principais Autores

Aluísio Azevedo

Com a publicação de O Mulato (1881), Aluísio Azevedo consagrou-se como um escritor naturalista. A publicação dessa obra marca o início do Naturalismo brasileiro.

O livro (que não é a nossa obra naturalista mais marcante) causou impacto na sociedade, principalmente entre o clero e a alta sociedade de São Luís do Maranhão.

O Mulato aborda temas como o puritanismo sexual, o anticlericalismo e o racismo.

Em 1890, o Naturalismo atinge o seu ápice com a publicação de O cortiço (obra repleta de personagens marginalizados).

Inglês de Souza
Em 1891, Inglês de Souza publicou O Missionário, obra que aborda a influência do meio sobre o individuo.

Adolfo Caminha
Publicou as obras A Normalista, em 1892 e O bom crioulo, em 1895 que falam sobre desvios sexuais e mais especificamente, o homossexualismo em O bom crioulo.

A ficção regionalista (iniciada no Romantismo) teve continuidade durante o naturalismo. As principais obras regionalistas são:

Luzia-Homem de Domingos Olímpio.

Dona Guidinha do poço de Manuel de Oliveira Paiva.

Referências:

GOMES, Cristiana. Literatura: Naturalismo. [Artigo]. Movimentos Literários. Info-Escola, 2013. Disponível em: http://www.infoescola.com/literatura/naturalismo/

terça-feira, 23 de julho de 2013

Narração

A narração consiste em arranjar uma sequência de fatos na qual os personagens se movimentam num determinado espaço à medida que o tempo passa.

O texto narrativo é baseado na ação que envolve personagens, tempo, espaço e conflito. Seus elementos são: narrador, enredo, personagens, espaço e tempo.
Dessa forma, o texto narrativo apresenta uma determinada estrutura:

Esquematizando temos:

- Apresentação;
- Complicação ou desenvolvimento;
- Clímax;
- Desfecho.

Protagonistas e Antagonistas

A narrativa é centrada num conflito vivido pelos personagens. Diante disso, a importância dos personagens na construção do texto é evidente.
Podemos dizer que existe um protagonista (personagem principal) e um antagonista (personagem que atua contra o protagonista, impedindo-o de alcançar seus objetivos). Há também os adjuvantes ou coadjuvantes, esses são personagens secundários que também exercem papéis fundamentais na história.

Narração e Narratividade

Em nosso cotidiano encontramos textos narrativos; contamos e/ou ouvimos histórias o tempo todo.
Mas os textos que não pertencem ao campo da ficção não são considerados narração, pois essas não têm como objetivo envolver o leitor pela trama, pelo conflito.
Podemos dizer que nesses relatos há narratividade, que quer dizer, o modo de ser da narração.

Os Elementos da Narrativa

Os elementos que compõem a narrativa são:
- Foco narrativo (1º e 3º pessoa);
- Personagens (protagonista, antagonista e coadjuvante);
- Narrador (narrador-personagem, narrador-observador).
- Tempo (cronológico e psicológico);
- Espaço.

Referências:

CABRAL, Marina. Narração. Redação. [Artigo]. São Paulo: Brasil Escola, 2013. Disponível em: http://www.brasilescola.com/redacao/narracao.htm Acesso em: 23/07/2013.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Inconstância dos bens do mundo (Gregório de Matos)

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Referências:

MATOS GUERRA, Gregório de.  Inconstância dos bens do mundo. Poemas de Gregório de Matos. [Poema]. Por: CATARINO, Dilson (Org.). Londrina, Paraná: Blog Profº Dilson Catarino, 2012. Disponível em: http://dilsoncatarino.blogspot.com.br/2012/10/poemas-de-gregorio-de-matos-guerra-o.html

Vou abrir minha igreja e já volto!

O primeiro milagre do heliocentrismo 


Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja. Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo. Precisamos apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos) . 

É tudo muito simples. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis. Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangelho e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamosaplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. 

Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros "Is" de bens colocados em nome da igreja. 

Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial. 

VEJAM MAIS EM (Não é piada, existem mesmo!)

- Igreja da Água Abençoada

- Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina

- Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder

- Congregação Anti-Blasfêmias

- Igreja Chave do Éden

- Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta (????)

- Igreja Batista Incêndio de Bênçãos

- Igreja Batista Ô Glória!

- Congregação Passo para o Futuro

- Igreja Explosão da Fé

- Igreja Pedra Viva

- Comunidade do Coração Reciclado

- Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal

- Cruzada de Emoções

- Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)

- Congregação Plena Paz Amando a Todos

- Igreja A Fé de Gideão

- Igreja Aceita a Jesus

- Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém (do Pará?????)

- Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo

- Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)

- Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo (quem perder vai ficar!!!)

- Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação

- Comunidade Arqueiros de Cristo

- Igreja Automotiva do Fogo Sagrado 
(ESSE DEVIA TER ABERTO UMA CONCESSIONÁRIA)

- Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo

- Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo

- Igreja Palma da Mão de Cristo

- Igreja Menina dos Olhos de Deus

- Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos

- Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água 

- Igreja Batista Ponte para o Céu

- Igreja Pentecostal do Fogo Azul

- Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!

- Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas

- Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade

- Igreja Filho do Varão 
(Opa!!! Se puxar o pai vai se dar bem!!!!)

- Igreja da Oração Eficiente

- Igreja da Pomba Branca

- Igreja Socorista Evangélica

- Igreja ‘A’ de Amor
(NESSA SÓ DEVE TER ADORADORES DA XUXA)

- Cruzada do Poder Pleno e Misterioso

- Igreja do Amor Maior que Outra Força

- Igreja Dekanthalabassi
(QUE LÍNGUA É ESSA GENTE????)

- Igreja dos Bons Artifícios

- Igreja Cristo é Show

- Igreja dos Habitantes de Dabir

- Igreja ‘Eu Sou a Porta’

- Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo

- Igreja da Bênção Mundial

- Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse

- Igreja Barco da Salvação

- Igreja Pentecostal do Pastor Sassá

- Igreja Sinais e Prodígios

- Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul

- Igreja do Manto Branco

- Igreja Caverna de Adulão 

- Igreja Este Brasil é Adventista

- Igreja E..T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção) (????????)

- Igreja Evangélica Florzinha de Jesus
(QUE DEUS ME PERDOE, MAS ISSO FICOU TÃO GAY)

- Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando

- Ministério Eis-me Aqui

- Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia

- Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará

- Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos

- Igreja Evangélica Facho de Luz

- Igreja Batista Renovada Lugar Forte

- Igreja Atual dos Últimos Dias

- Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te

- Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas

- Igreja Evangélica Bola de Neve

- Igreja Evangélica Adão é o Homem 
(ALGUÉM TINHA ALGUMA DÚVIDA QUANTO A ISSO??????)

- Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado

- Ministério Maravilhas de Deus

- Igreja Evangélica Fonte de Milagres

- Comunidade Porta das Ovelhas

- Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica 
(QUE EGOÍSTA)

- Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo
(o cara que aprovou isso tava bêbado)

- Igreja Evangélica Luz no Escuro

- Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim 
(Só no fim?????)

- Igreja Pentecostal Planeta Cristo

- Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos

- Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta

- Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés 
(COITADO DO MOISÉS TROCARAM O PAUZINHO DELE POR UMA COBRINHA rsrsrsrs)

- Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão
(SENHOR ISSO É HERESIA)

- “Igreija” Evangélica Muçulmana Javé é Pai 
(PÔ, ESSE AQUI NÃO TEM NEM NOÇÃO DE RELIGIÃO! PERA AÍ, DEVE SER ASSIM Ó, MAOMÉ ESCREVEU O EVANGELHO E PRA RIMAR COM O NOME DELE DEU A PATERNIDADE A JAVÉ:) ME POUPE)

- Igreja Abre-te-Sésamo 
(AHHHH, ESSA SIM, JÁTA NO ESQUEMA DE ALI BABA SÓ NÃO INFORMARAM COM QUANTOS LADRÕES.)

- Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus

- Igreja Bailarinas da Valsa Divina 
(SERÁ QUE ESSA É MEIO CLUBE DA LULUZINHA??? OU SERÁ QUE HOMENS TB PODEM PARTICIPAR?)

- Igreja Batista Floresta Encantada
(FICA NA DISNEY ISSO????)

- Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder

- Igreja do Louvre

- Igreja ETQB, Eu Também Quero a Bênção

- Igreja Evangélica Batalha dos Deuses 
(PENSEI QUE EVANGÉLICOS FOSSEM MONOTEÍSTAS)

- Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados (É o Cristo em pessoa??!!??!!)

- Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior

- Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida

- Igreja Pentecostal Marilyn Monroe 
(ESSE DEVE TER PREMONIÇÕES HOLLYWOODIANAS)

- Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo 
(ISSO É SACANAGEM)

- Igreja Evangélica Florzinha de Jesus 
(Londrina -PR) (AI MEU PAI)

- Igreja Pentecostal Trombeta de Deus 
(Samambaia -DF)

- Igreja Pentecostal Alarido de Deus
(Anápolis -GO)

- Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo
(Anápolis -GO) COITADO DO ALTÍSSIMO,VIROU FUGITIVO

- Igreja Batista Coluna de Fogo 
(Belo Horizonte -MG)

- Igreja de Deus que se Reúne nas Casas 
(Itaúna -MG)

- Igreja Evangélica Pentecostal a Volta do Grande Rei 
(Poços de Caldas -MG)

- Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia 
(Uberlândia -MG)

- Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará
(Contagem -MG)

- Igreja Evangélica Pentecostal Sinal da Volta de Cristo
(Três Lagoas -MS)

- Igreja Evangélica Assembléia dos Primogênitos 
(João Pessoa -PB)

- Ministério Favos de Mel 
(Rio de Janeiro -RJ)

- Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes 
(Rio de Janeiro -RJ)


´Tá bom ou quer mais?????? 


Referências:

ANGELO, Cláudio. Vou abrir minha igreja e já volto!. Artigo. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2010.

sábado, 6 de julho de 2013

Submarino, de Lothar-Günter Buchheim (por: J. Zanetti)

Resumo: considerando vários livros que foram publicados tendo a Segunda Guerra Mundial como cenário para a trama, o livro do escritor alemão Lothar-Gunter Buchheim denominado Submarino (Das Boot), destaca-se entre um dos mais importantes.

Lançado algum tempo depois do conflito, o livro foi escrito baseado em suas próprias experiências no serviço dos submarinos, tendo assim sentido na pele o sofrimento e a angustia da qual todos os tripulantes também passaram em submarinos, o autor por meio de seu romance exprime de modo simples para o leitor o drama e o terror dos personagens. Mas não apenas de drama e terror o romance é caracterizado, embora as vidas desses homens a bordo estejam condenadas ao destino do submarino e com o passar dos dias de suas vidas, pois a título de curiosidade o serviço dos submarinos foi o que acumulou o maior número de baixas durante a guerra de acordo com o número de combatentes, de nenhuma maneira os protagonistas deixam de lutar por suas vidas e perder a esperança.
          Ocorrendo entre o outono e o inverno do ano de 1941, a história basicamente retrata a trajetória de uns submarinos alemão em atividade nas águas do Oceano Atlântico e de sua guarnição, onde são expostos entre muitas outras coisas, vários eventos no qual o submarino é submetido. Ao mergulharmos com o submarino no fundo do oceano, conhecendo parte da rotina da tripulação e como foram péssimas suas condições de vida nesse lugar apertado e lotado de gente, sempre sujeitos a todos os tipos de perigos sem nunca saberem o que o destino reservará. Os encanamentos, as máquinas em geral e as diversas partes no qual o submarino é dividido são apresentados com tantos detalhes que quase imaginamos estar no submarino. Além de mostrar a rotina dos tripulantes e explanar como funciona o submarino, o autor também relatará no livro momentos de ação no qual esse navio de guerra atravessará em sua jornada, desde enfrentar uma grane tempestade em alto mar, passando por momentos dramáticos enquanto é atacado durante muitas horas por navios inimigos e até torpedear alguns navios mercantes.

Referências:

ZANETTI, J. Submarino, de Lothar-Günter Buchheim. Resumo. [artigo]. In: Livros. Brasil: Templo de Atena, 2012. Disponível em: http://templodeatena.com/View/Livros/Editorial/Submarino.cshtml

Pronomes possessivos


Definição e características básicas

Pronome possessivo é o tipo de pronome que indica a que pessoa do discurso pertence o elemento ao qual se refere.

Quadro dos pronomes possessivos

Número          Pessoa                        Pronomes possessivos
Singular           Primeira          meu, minha, meus, minhas
                         Segunda         teu, tua, teus, tuas
                         Terceira          seu, sua, seus, suas
Plural               Primeira          nosso, nossa, nossos, nossas
                         Segunda         vosso, vossa, vossos, vossas
                         Terceira          seu, sua, seus, suas

Os pronomes possessivos concordam em gênero e número com a coisa possuída, e em pessoa com o possuidor.
(eu) Vendi minha moto.
(tu) Releste tua prova?
(nós) Compramos nosso carro.
Quando o pronome possessivo determina mais de um substantivo, ele deverá concordar em gênero e número com o substantivo mais próximo.
Vou lavar minhas sandálias e tênis.

1.3.Aplicações

- seu: a utilização do pronome seu (e flexões) pode gerar frases ambíguas, podemos ter dúvidas quanto ao possuidor.
A menina disse ao colega que não concordava com sua reprovação.
(reprovação de quem? Da menina ou do colega?)
Para evitar esse tipo de ambiguidade, usa-se dele (dela, deles, delas)
A menina disse ao colega que não concordava com a reprovação dela.
• A reprovação dela (da menina)
A menina disse ao colega que não concordava com a reprovação dele.
• A reprovação dele (do colega)
- existem casos em que o pronome possessivo não exprime propriamente ideia de posse. Ele pode ser utilizado para indicar aproximação, afeto ou respeito.
Aquele museu deve ter seus cem anos. (aproximação)
Meu caro amigo, cuide melhor de sua saúde. (afeto)
Sente-se aqui, minha senhora. (respeito)
- seu: anteposto a nomes próprios não é possessivo, mas uma alteração fonética de Senhor.
Seu José, o senhor poderia emprestar-me seu celular?

Referências:

CABRAL, Marina. Pronomes Possessivos. Gramática. [Artigo]. São Paulo: Brasil Escola, 2012.  Disponível em: http://www.brasilescola.com/gramatica/pronomes-possessivos.htm


domingo, 23 de junho de 2013

Despedida (Rubem Braga)


E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa;
que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil. 

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus. 

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


Extraído do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83.

Referências:

BRAGA, Rubem. Despedida. Crônicas de Rubem Braga. São Paulo: Pensador.Info. Portal Uol, 2012. Disponível em: Acesso em: 23/06/2013.

sábado, 15 de junho de 2013

A Lande e a Abóbora (Jean de La Fontaine)

Traduzido por: Barão de Paranapiacaba


Deus bem sabe o que faz. Escusa procurar
As provas desse acerto; a abóbora as vai dar.
Viu este fruto um lorpa e, estando a contemplá-lo,
E achando-o muito grande e mui delgado o talo,
"Em que pensava (disse) o autor desta invenção,
Que da abóbora fez tão má coleção?
Se fosse cá por mim, não tinha mais trabalho
Que fazê-la pender daquele alto carvalho.
Por Deus, que isto calhava; em árvore tão grande
Assenta fruto assim e não mesquinha lande.
- Que pena, João, não teres figurado
Na assembleia do Deus, do cura apregoado?
Tudo ficaria então melhor distribuído:
O fruto, que ao carvalho eu vejo suspendido,
E ao meu dedo meiminho iguala na gostosura,
Pousara, em lugar dela, ao rente da planura:
Deus se enganou, decerto. E quanto mais medito
Na má colocação dos frutos, que hei descrito,
Mais me parece nisto equívoco existir".
Com estas reflexões, privado de dormir,
O nosso camponês provara o dito certo:
"Quem muito engenho tem, conserva-se desperto,
"Porque lhe foge o sono". - Entanto, à fresca sombra
Deita-se de um carvalho em mole e verde alfombra.
Magoa-lhe o nariz lande, que se desapega:
Desperta em confusão; com as mãos o rosto esfrega;
Na barba o fruto achou. Com dores do nariz:
"Oá! Pois não sangrou! Se fosse mais pesada
A massa que tombou, que tal fora a pancada!
Se uma abóbora fosse em vez desta frutinha,
Ficara em fresco estado a pobre face minha!
Tal não aprove a Deus! Pois, sábio e onipotente,
Para assim proceder, motivo houve excelente".
E, graças dando ao céu por tudo quanto fez,
A casa recolheu-se em paz o camponês!

Referências:

PARANAPIACABA, Barão. A Lande e a Abóbora. Tradução. Fábula. In: LA FONTAINE, Jean de, 1621-1695. Fábulas: antologia / La Fontaine. - 4. ed. - São Paulo: Martin Claret, 2012.

Extraído do livro:

LA FONTAINE, Jean de, 1621-1695. Fábulas: antologia / La Fontaine. - 4. ed. - São Paulo: Martin Claret, 2012. - (Coleção a obra-prima de cada autor; 200)

domingo, 9 de junho de 2013

O sertão

A vida desfalece
Com a água que nos falta
Nesses dias de seca
Com o calor que aumenta
A consciência pesa
Com a secura severa.

A paciência que não aguenta
Essa longa espera
Para enverdecer as relvas
Com a tão esperada nevoada
Trazendo de volta a esperança
Com essa nova aliança.

As terras aguadas
Que orgulham e enchem os olhos
De ver a vida florida
Enfim retornada
Aos campos e pastos
Do sertão a vida renasce.


Autoria: Emanuel (aluno do 6º ano B, da Escola Estadual Monsenhor Joaquim Honório)
Adaptação: Alessandro de Oliveira Arantes (Professor de língua portuguesa)


Água da Gente (poema)

Da gente
Tem a terra
Da terra
Tem o desperdício.

Do desperdício da água doce
Azul ou transparente
Das matas e águas correntes
Que levam até os lares da gente.

Da gente
Não há nada sem água
Não há florestas, nem sementes
Mas a urgência por esse bem.

Por isso cuidemos dela
Afim de evitar a seca
Pois se zelarmos por ela
Ela nunca faltará.

Cuide-a
Use-a bem
Economize
E viva a água!


Autor: Emanuel (aluno do 6º ano B, Escola Estadual Monsenhor Joaquim Honório)
Adaptação: Alessandro de Oliveira Arantes (Professor de língua portuguesa)


sábado, 8 de junho de 2013

"No meio do caminho (Carlos Drummond de Andrade)

No meio do caminho tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha um pedro 
no meio do caminho tinha uma pedra. 

Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha um pedro no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra".

Derepente, eis que um Meteóro e dos grandes ,cai na minha frente, não tenho como evitá-lo , mem mesmo, fingir que não está ali, mas então ao observar melhor, percebo, que é mais que uma grande pedra no meu caminho, sim, tratasse de um valioso tesouro, e olho para o céu, e sorrindo, agradeço à ELE, por me dar o mais valioso presente, que perseguimos em nossa Vida : o AMOR !!!!!
PP M Lourdes L Mello

Referências:

ANDRADE, Carlos Drummond de. "No meio do caminho. Poesia. Pensador: Poesias concretas de Drummond. Pensador.Info. São Paulo: Uol, 2013. Disponível em: http://pensador.uol.com.br/poesias_concretas_de_drumond/

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Importante! Carta aos leitores do blog Pescando Letras

Caros leitores, leitoras, seguidores, associados e público em geral que curtem nossos posts, pesquisas, publicações, conteúdos de maneira geral, que estamos abertos para sugestões, críticas, elogios ou propostas, solicitações de pesquisas, publicações de textos autorais ou de cunho próprio, envie para o e-mail: pescandoletras@gmail.com ou dos demais associados e editores do blog.

Os textos serão analisados de acordo com a classificação do gênero, devendo conter obrigatoriamente, a citação de autoria, com nome e sobrenome do autor, título do texto ou livro. edição (se necessário, no caso de ser um livro), classificação do gênero (poesia, conto, etc), local onde foi escrito, instituição a qual pertence (escola, universidade, etc) e data da elaboração, para poder elaborar a referência conforme as normativas NBR 6023; NBR 6024; que sugerem e normatizam a citação de referência, autoria e posse do texto.

Também, no caso de haver fotos, ilustrações, procede-se da mesma maneira.

Lembretes:

-No caso de solicitações de pesquisas ou conteúdos, o mesmo será publicado no blog com as devidas referências de postagem, afim de evitar plágios.

-No caso de transcrições de textos, o cuidado deverá ser maior com as referências, no caso de o texto possuir direitos autorais, tendo que solicitar ao autor uma autorização para publicar tal texto, e deve-se conter as referências do mesmo.

-No caso de solicitações de publicações de textos de autoria própria, o mesmo deverá apresentar a ficha catalográfica em anexo ao texto, no caso de ter sido publicado por um bibliotecário, ou ser um trabalho acadêmico, TCC ou afins; no qual deverá seguir a mesma regra para os demais.

-Sobre a questão de publicações de anúncios, posts de outros blogs, sites, ou afins, deve-se atentar-se para a temática dos mesmos, pois não será permitida a postagem de conteúdos que não se enquadre na proposta do blog, mas deve-se expor nos gadgets, na barra lateral do blog, o que fica mais cômodo, e não interfere na ordem dos textos.


No mais, em nome da equipe Pescando Letras, agradecemos a compreensão e a atenção de todos.

Guamaré, 30 de maio de 2013.


Atenciosamente,
ALESSANDRO DE OLIVEIRA ARANTES (UERN/UFRN)
http://lattes.cnpq.br/1860918230350608
Graduado em letras com ênfase em Leitura e produção textual
Administrador, editor e seguidor do blog


A cigarra e a Formiga (Jean de La Fontaine)

Traduzido por: Bocage

Tendo a cigarra em cantigas
Folgado em todo o verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso estio.

"Amiga, - diz a cigarra -
Prometo, à fé d'animal,
Pagar-vos antes de agosto
Os juros e o principal."

A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta:
"No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: "Eu cantava
Noite e dia, a toda hora.
-Oh! Bravo!, torna a formiga:
Cantavas? Pois dança agora!"

Referências:

BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. A cigarra e a Formiga. Tradução. Fábula. In: LA FONTAINE, Jean de, 1621-1695. Fábulas: antologia / La Fontaine. - 4. ed. - São Paulo: Martin Claret, 2012.

Extraído do livro:

LA FONTAINE, Jean de, 1621-1695. Fábulas: antologia / La Fontaine. - 4. ed. - São Paulo: Martin Claret, 2012. - (Coleção a obra-prima de cada autor; 200)

O menino e o mestre-escola (Jean de La Fontaine)

Traduzido por: Barão de Paranapiacaba

Tenho em vista zurzir na minha história
Todo o pedante, autor de vão discurso,
Que ralhando, não vale a quem se afoga,
              À mingua de recurso.

Rapaz travesso, doidejando às soltas,
Perto da margem de empolado rio
Tais cabriolas fez que, ao fim de contas,
              Dentro d'água caiu.

Quis o céu que no sítio do sinistro
Vegetasse, a propósito, um salgueiro,
A que, abaixo de Deus, savar a vida
              Deveu o calaceiro.

Passava por ali um mestre-escola;
E o rapaz a gritar: "Senhor, socorro!
Acudi-me, por Deus, que o ramo estala,
              E, em se quebrando, eu morro".

Ouvindo este clamor, o pedagogo,
Sem notar ser imprópria a ocasião,
Dirige ao pobre, prestes a afogar-se,
              Este longo sermão:

"Vede a que ponto chega a travessura!
Vão lá matar-se por traquinas tais!
Como é difícil tomar conta deles!
              Oh! Desgraçados pais!

Quanto à família e aos mestres envergonham!
Que sustos causam! Que profunda mágoa!"
Tendo assim esgotado o palanfrório,
              Tira o menino d'água.

Gente, em que não pensais, aqui se abrange;
Pedantes, tagarelas, censores,
Entram no quadro, que esboçado fica
              Com verdadeiras cores.

Faz grande turma cada classe dessas,
- Raça, da Providência abençoada,
Que em tudo busca exercitar, sem peias,
              Sua língua afiada. -

Mas ouve, amigo meu: Se em transes luto
Vem primeiro livrar-me do embrechado;
Deita arenga depois e a gosto exaure
              O teu palavreado.

Referências:

PARANAPIACABA, Barão. O menino e o mestre-escola. Tradução. Fábula. In: LA FONTAINE, Jean de, 1621-1695. Fábulas: antologia / La Fontaine. - 4. ed. - São Paulo: Martin Claret, 2012.

Extraído do livro:

LA FONTAINE, Jean de, 1621-1695. Fábulas: antologia / La Fontaine. - 4. ed. - São Paulo: Martin Claret, 2012. - (Coleção a obra-prima de cada autor; 200)

O grande cometa brilhante

O grande cometa brilhante (magnum cometes lucidum)

Cometa fugaz
     Como uma estrela
De rastro cintilante
            Que incendeia
No firmamento azúreo
                   Pálido e resplandescente passeia
Fugaz e sublime
                       De tons verdáceos
Com rastro de fumaça
                         De gelo seco a metano
De gás, gelo e rochas metálicas
                         Que corta o céu
Brilhando como a luz do luar
                        Com um som estonteante
Assombrando os superticiosos
                      Deixando um rastro de temor e emoção
Nos pondo em alerta
                    Com o risco de sua aproximação
Cometa verdáceo
                 Passando pelo firmamento meridional
Ao sul do cone
              A frente do céu negro
Na planície alva de gelo
          Do sul de nosso planeta
Para ver-lo passar
       Rápido, lindo e espetacular
Cruzando e nos permitindo
    Apreciar sua bela cauda
Sendo uma joia na imensidão
 Que vai e que vem
Ao vagar da eternidade.

ARANTES, Alessandro de Oliveira. O grande cometa brilhante (magnum cometes lucidum). Guamaré: Pescando Letras, 2013.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Discurso


Definição conceitual

Discurso é toda situação que envolve a comunicação dentro de um determinado contexto e diz respeito a quem fala, para quem se fala e sobre o que se fala.
Quanto à fala, na narração pode vir de três formas: discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre.
Vejamos cada um dos tipos de fala das personagens a seguir:

Discurso Direto

O discurso direto é o registro das palavras proferidas por uma personagem. O narrador deve expor a fala da personagem através do recurso gráfico: travessão ou aspas. É um tipo de discurso alheio a quem narra a história, ou seja, não há interferência por parte do narrador.
Alguns verbos, chamados de elocução, são utilizados no começo, no meio ou após os discursos, são eles: dizer, perguntar, responder, exclamar, ordenar, falar, protestar, contestar, alegrar, alegar, concordar, etc..

Exemplo:

- Por que você não vai à festa? – perguntou Maria.
João, muito feliz com a pergunta, respondeu:
- Sim, vou acompanhar você, ou achou que a deixaria ir sozinha?

Discurso Indireto

O discurso indireto é definido como o registro da fala da personagem sob influência por parte do narrador. Nesse tipo de discurso, os tempos verbais são modificados para que haja entendimento quanto à pessoa que fala. Além disso, costuma-se citar o nome de quem proferiu a fala ou fazer algum tipo de referência. Observe:

Discurso direto:

- Eu vou à festa se você me acompanhar. – disse João.

Passando para o Discurso Indireto:

João disse que ia à festa se Maria o acompanhasse.

Discurso Indireto Livre

O discurso indireto livre ocorre quando a narrativa é interrompida para dar lugar a uma fala da personagem sem, contudo, utilizar o recurso gráfico (aspas, travessão) do discurso direto. As falas ou pensamentos das personagens surgem abruptamente durante a narração e, por este motivo, o leitor deve estar atento ao que lê.

Exemplo: Maria falava muito baixo, quase cochichando, independente de onde estava. Não achava ético conversar, mesmo que com o som da voz moderado, normal para a maioria. Conversar para os outros ouvirem? Para que? E todo mundo tem que saber o que faço ou o que penso? Alguns pensavam que era timidez, mas ela não se importava.

Referências:

VILARINHO, Sabrina. Discurso. In: Organização dos discursos e suas modalidades. Seção: Redação. [Artigo]. São Paulo: Mundo Educação, 2011. Disponível em: http://www.mundoeducacao.com.br/redacao/discurso.htm. Acesso em 16/05/2013.