quinta-feira, 19 de maio de 2011

O conto e a crônica contemporânea

O Conto e a Crônica

A partir dos anos 70, houve uma verdadeira explosão editorial do conto e da crônica, por serem narrativas curtas, condensadas e atenderem à necessidade de rapidez do mundo moderno. Novas dimensões foram introduzidas no conto tradicional : subversão da seqüência narrativa, interiorizarão do relato, colagem de flashes e imagens, fusão entre poesia e prosa, evocação de estados emocionais.

A crônica, texto ligeiro, de interpretação imediata, com flagrantes do cotidiano, também passou a agradar o leitor tornando-se popular.

Autores que se destacam nesses dois gêneros:
Contos:
Lygia F. Telles,Osmar Lins, Murilo Rubião,Autran Dourado, Homero Homem, Moacyr Scliar, Oto Lara Resende,Dalton Trevisan,J. J. Veiga,Nélida Pinon, Rubem Fonseca, João Antônio,Domingos Pelegrim Jr,Ricardo Ramos, Marina Colasanti,Luís Vilela,Marcelo Rubens Paiva, Ivan Ângelo e Hilda Hilst.

Crônica:
Rubem Braga,Vinícius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Raquel de Queiroz,Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Álvaro Moreira,Sérgio Porto (Stanislau Ponte Preta), Lourenço Diaféria, Luís Fernando Veríssimo eJoão Ubaldo Ribeiro.

Por: Vestibular Concursos

http://www.mundovestibular.com.br/articles/4452/1/LITERATURA-CONTEMPORANEA/Paacutegina1.html , acesso em: 08/05/2011, 20:03

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lygia Bojunga Nunes e o Conto de Introspecção

Nasceu em Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul, tornou-se a primeira a receber o Prêmio Hans Christian Andersen no ano de 1982. Lygia foi a primeira escritora latino-americana a receber esse prêmio. Suas obras principais foram: os colegas, (1972), Angélica (1975), A bolsa amarela (1976), entre outras. A maioria desses livros publicados, eram pequenas novelas.
A literatura infantil atual tem como um dos objetivos preparar psicologicamente os leitores para enfrentarem, tardiamente ou precocemente, as dores e sofrimentos da vida. (Coelho, 1991)
Nesses livros há a como enfoque os temas onde se fazem presentes são os mesmos de sempre , a morte, temas mais recentes, separações, injustiças sociais, drogas , racismos, etc. Insere-se nesse contexto a autora Lygia Bojunga Nunes.
Esse tipo de conto, se destaca por narrar histórias onde se insere na personagem infantil as várias crises do mundo social e interior. Na sua obra , torna-se evidentes na narrativa, como foco principal realidades psicológicas , em alguns casos, realizando mergulhos na alma humana. São narrativas onde os personagens vivendo momentos de crise, onde resultam a perda da identidade infantil, onde os mesmos encontram-se em busca de sua individualidade.

O CONTO JUVENIL BRASILEIRO: CARACTERÍSTICAS E TENDÊNCIAS - Parte 1

Desde o surgimento da Literatura Infantil, no século XVIII, o conto se constituiu de forma que a sua extensão e a sua estrutura fosse curta e simples, o que torna esse gênero mais agradável ao público leitor iniciante.
Os contos de fadas são um dos exemplos mais típicos de sucesso alcançado usando essa fórmula. Entre os adultos, esse tipo de conto tem demonstrado força, fazendo-se presente em todas as épocas e civilizações.
No Brasil, a cada ano que se passa, surgem novos autores e contistas, e a explicação para isso não está apenas na forma breve do texto, mas a um desejo antigo e profundo. Naturalmente o público alvo desse tipo de narrativa é os jovens, com faixa etária entre 10 e 14 anos. Essa faixa etária não deve ser entendida como fator determinante para determinar o interesse de leitura de alguém.
Entre os autores mais pertinentes do gênero, destacam-se mais os escritores: Lygia Bojunga Nunes, Sérgio Caparelli e Marina Colasanti.
Essa nova forma literária estava mais voltada para o público jovem, esses autores inovaram em escrever esse contos escritos para esse leitor, por começarem a abandonar as histórias ditas infantis, construindo uma nova forma literária.

quarta-feira, 16 de março de 2011

NOMES ESTRANHOS DE BANDAS

Vamos lá a algumas particularidades nos nomes de bandas, vejam se voces reconhecem algumas delas, tem de tudo, forró, brega, rock, reggae, e etc.

Cuidado! pode viciar!

Confira os nomes das pérolas:


Massacration

Máquina de Lavar Roupa

The the

Aborto Elétrico

Pinóquios Perversos

Aboboras Selvagens

Seu Madruga Veste Preto

Máquina de Lavar Roupa

Kid Abelha

Engenheiros do Hawaii

CPM22 (caixa postal mil e vinte e dois)

Cansei de Ser Sexy (atual CSS)

Blink 182 (piscada 182?)

Iron Maiden (Donzela de Ferro)

Red Hot Chilli Peppers (Pimentas Malaguetas Quentes e Vermelhas)

The Rolling Stones (As Pedras Rolantes)

Stratovarius (aglutinação de Stratocaster (modelo de guitarra) com Stradivarius (marca de violinos))

Afrodite Se Quiser

Skowa e a Máfia

Que fim levou o Robin?

NXZero

Pato Fu

Canto dos Malditos na Terra do Nunca

P.O.Box

Biquini Cavadão

Nove Mil Anjos

Paralamas do Sucesso

Secos e Molhados;

Pra Quinteto Falta Um;

Saliva de Cobra;

Canto dos Malditos na Terra do Nunca;

Toto;

Amassando Abóboras;

Banda Anal Putrefaction....

Cinema Bizarre

Batman e Robinson

Mamonas assassinas

Fantasmão

Sepultura

Cigarro apagado.

Cebola Ralada.

Tabaco no Vél

Banda de tijolo;

Empurra o burro;

Pele de tomate;

Garota s@fada;

Água de côco;

Garota 100 calcinha;

Mala 100 alça;

Pegada quente;

Caviar com rapadura;

Noda de cajú;

Forró suave;

Balança neném;

Cascavel;

Cavalo de pau;

Ferro na boneca;

Leite com mel;

Biriteiros do forró;

Forrozão Banana preta;

Helicoptero do forró;

Namoro novo;

Forró Chacal

Banda da Loirinha

Banda Calypso

Calcinha Preta

Quarto de Empregada

Mamãe me imbruia

Capa de Revista

No cú do mundo ou No fiofó

Mastruz com Leite

Limão com Mel

Mel com terra

Camisa suada

Calcinha molhada

Calcinha preta

Cavalo de pau

Cebola ralada

Saia rodada

Anjos e demônios

Ferro na boneca

Garota s@fada

Gatora sem vergonha

Gatinha manhosa

Moleque safado

Chibata preta

Melão de cheiro

Mala sem alça

Colo de menina

Desejo de menina

Aviões do Forró

A Cor do Som (ex novos Baianos)

Bryllho

Afrodite se quiser

Finis Africae

Degradée

Herva Doce

Metrô

Picassos Falsos

Ponto e vírgula

O Espírito da Coisa

Sempre Livre

Telex

Bigorna

Lagoa Vermelha

Campanha & Piriguso

Belo & Horizonte

Bento & Mamão

Canadá & Continensse

Castelo & Mannsão

Cativante & Continente

Chanceler & Diplomata

Choroso & Xonado

Conde & Dracula

Cruzeiro, Tostão & Centavo

Divisor & Consciente

Domyngo & Feryado

Faceiro & Fascinante

Faisca & Pinga Fogo

Franco & Montoro

Galã & Granfino

Galvão & Galvãozinho

Gavião Moreno & El Condor

Industrial & Fazendeiro

Juscelino & JK

Patrão & Funcionário

Perito & Paquera

Poliglota & Porta Voz

Atleta & Treinador

Colapso

Katinguelê

Br'Oz

Astronautas de Mármore

Detonautas Rock Clube

Nenhum de Nos

Pato fu

Barão Vermelho

Oasis

The Cult

Legião Urbana

Limpe o park

Nação zumbi

Cordel do Fogo Encantado

Renato e seus blue caps

Jesus Jones

Rouge

João penca e seus miquinhos amestrados

Absinto

Rádio Táxi

Ratos de Porao

Dr. Silvana & Cia

Garotos Podres

Kid abelha e os abóboras selvagens

Fausto Fawcet e os Rôbos Efêmeros

Recordando o Vale das Maçãs

Secos e Molhados

Ira!

Banda Calypso

Babado Novo

Bidê ou Balde?

4Fun (lê-se four fun)
Los Hermanos

Kid Abelha

Jota Quest

CPM 22

Cueio Limão

Velhas Virgens

Natiruts

Raimundos

Asa de Águia

Black Eyed Peas

Barão Vermelho

Blitz

Coldplay

Culture Club

Cordel do Fogo Encantado

Cansei de Ser Sexy

Dr. Cascadura

Duran Duran

Ludov

Pedro Luís e a Parede

SUÍNOS TESUDOS

Negritude Junior

Restart

Cine

Hevo84

Hori

NxZero

Sabonetes

Mukeka di Rato

Beeshop

Garota Safada

Parangolé

Arrocha o Nó

Collo de Menina

Turunas da Mauriceia

Djavú

Analisem e tomem suas próprias conclusões, vejam se voces conhecem algumas delas.

Brevemente postaremos mais novidades sobre o assunto.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O moço do saxofone

Eu era chofer de caminhão e ganhava uma nota alta com um cara que fazia contrabando. Até hoje não entendo direito por que fui parar na pensão da tal madame, uma polaca que quando moça fazia a vida e depois que ficou velha inventou de abrir aquele frege-mosca. Foi o que me contou o James, um tipo que engolia giletes e que foi o meu companheiro de mesa nos dias em que trancei por lá. Tinha os pensionistas e tinha os volantes, uma corja que entrava e saía palitando os dentes, coisa que nunca suportei na minha frente. Teve até uma vez uma dona que mandei andar só porque no nosso primeiro encontro, depois de comer um sanduíche, enfiou um palitão entre os dentes e ficou de boca arreganhada de tal jeito que eu podia ver até o que o palito ia cavucando. Bom, mas eu dizia que no tal frege-mosca eu era volante. A comida, uma bela porcaria e como se não bastasse ter que engolir aquelas lavagens, tinha ainda os malditos anões se enroscando nas pernas da gente. E tinha a música do saxofone.
Não que não gostasse de música, sempre gostei de ouvir tudo quanto é charanga no meu rádio de pilha de noite na estrada, enquanto vou dando conta do recado. Mas aquele saxofone era mesmo de entortar qualquer um. Tocava bem, não discuto. O que me punha doente era o jeito, um jeito assim triste como o diabo, acho que nunca mais vou ouvir ninguém tocar saxofone como aquele cara tocava.
— O que é isso? — eu perguntei ao tipo das giletes. Era o meu primeiro dia de pensão e ainda não sabia de nada. Apontei para o teto que parecia de papelão, tão forte chegava a música até nossa mesa. Quem é que está tocando?
— É o moço do saxofone.
Mastiguei mais devagar. Já tinha ouvido antes saxofone, mas aquele da pensão eu não podia mesmo reconhecer nem aqui nem na China.
— E o quarto dele fica aqui em cima?
James meteu uma batata inteira na boca. Sacudiu a cabeça e abriu mais a boca que fumegava como um vulcão com a batata quente lá no fundo. Soprou um bocado de tempo a fumaça antes de responder.
— Aqui em cima.
Bom camarada esse James. Trabalhava numa feira de diversões, mas como já estivesse ficando velho, queria ver se firmava num negócio de bilhetes. Esperei que ele desse cabo da batata, enquanto ia enchendo meu garfo.
— É uma música desgraçada de triste — fui dizendo.
— A mulher engana ele até com o periquito — respondeu James, passando o miolo de pão no fundo do prato para aproveitar o molho. — O pobre fica o dia inteiro trancado, ensaiando. Não desce nem para comer. Enquanto isso, a cabra se deita com tudo quanto é cristão que aparece.
— Deitou com você?
— É meio magricela para o meu gosto, mas é bonita. E novinha. Então entrei com meu jogo, compreende? Mas já vi que não dou sorte com mulher, torcem logo o nariz quando ficam sabendo que engulo gilete, acho que ficam com medo de se cortar...
Tive vontade de rir também, mas justo nesse instante o saxofone começou a tocar de um jeito abafado, sem fôlego como uma boca querendo gritar, mas com uma mão tapando, os sons espremidos saindo por entre os dedos. Então me lembrei da moça que recolhi uma noite no meu caminhão. Saiu para ter o filho na vila, mas não agüentou e caiu ali mesmo na estrada, rolando feito bicho. Arrumei ela na carroceria e corri como um louco para chegar o quanto antes, apavorado com a idéia do filho nascer no caminho e desandar a uivar que nem a mãe. No fim, para não me aporrinhar mais, ela abafava os gritos na lona, mas juro que seria melhor que abrisse a boca no mundo, aquela coisa de sufocar os gritos já estava me endoidando. Pomba, não desejo ao inimigo aquele quarto de hora.
— Parece gente pedindo socorro — eu disse, enchendo meu copo de cerveja. — Será que ele não tem uma música mais alegre?
James encolheu o ombro.
— Chifre dói.
Nesse primeiro dia fiquei sabendo ainda que o moço do saxofone tocava num bar, voltava só de madrugada. Dormia em quarto separado da mulher.
—- Mas por quê? — perguntei, bebendo mais depressa para acabar logo e me mandar dali. A verdade é que não tinha nada com isso, nunca fui de me meter na vida de ninguém, mas era melhor ouvir o tro-ló-ló do James do que o saxofone.
— Uma mulher como ela tem que ter seu quarto — explicou James, tirando um palito do paliteiro. — E depois, vai ver que ela reclama do saxofone.
— E os outros não reclamam?
— A gente já se acostumou.
Perguntei onde era o reservado e levantei-me antes que James começasse a escarafunchar os dentões que lhe restavam. Quando subi a escada de caracol, dei com um anão que vinha descendo. Um anão, pensei. Assim que saí do reservado dei com ele no corredor, mas agora estava com uma roupa diferente. Mudou de roupa, pensei meio espantado, porque tinha sido rápido demais. E já descia a escada quando ele passou de novo na minha frente, mas já com outra roupa. Fiquei meio tonto. Mas que raio de anão é esse que muda de roupa de dois em dois minutos? Entendi depois, não era um só, mas uma trempe deles, milhares de anões louros e de cabelo repartidinho do lado.
— Pode me dizer de onde vem tanto anão? — perguntei à madame, e ela riu.
— Todos artistas, minha pensão é quase só de artistas...
Fiquei vendo com que cuidado o copeiro começou a empilhar almofadas nas cadeiras para que eles se sentassem. Comida ruim, anão e saxofone. Anão me enche e já tinha resolvido pagar e sumir quando ela apareceu. Veio por detrás, palavra que havia espaço para passar um batalhão, mas ela deu um jeito de esbarrar em mim.
— Licença?
Não precisei perguntar para saber que aquela era a mulher do moço do saxofone. Nessa altura o saxofone já tinha parado. Fiquei olhando. Era magra, sim, mas tinha as ancas redondas e um andar muito bem bolado. O vestido vermelho não podia ser mais curto. Abancou-se sozinha numa mesa e de olhos baixos começou a descascar o pão com a ponta da unha vermelha. De repente riu e apareceu uma covinha no queixo. Pomba, que tive vontade de ir lá, agarrar ela pelo queixo e saber por que estava rindo. Fiquei rindo junto.
— A que horas é a janta? — perguntei para a madame, enquanto pagava.
— Vai das sete às nove. Meus pensionistas fixos costumam comer às oito — avisou ela, dobrando o dinheiro e olhando com um olhar acostumado para a dona de vermelho. — O senhor gostou da comida?
Voltei às oito em ponto. O tal James já mastigava seu bife. Na sala havia ainda um velhote de barbicha, que era professor parece que de mágica e o anão de roupa xadrez. Mas ela não tinha chegado. Animei-me um pouco quando veio um prato de pastéis, tenho loucura por pastéis. James começou a falar então de uma briga no parque de diversões, mas eu estava de olho na porta. Vi quando ela entrou conversando baixinho com um cara de bigode ruivo. Subiram a escada como dois gatos pisando macio. Não demorou nada e o raio do saxofone desandou a tocar.
— Sim senhor — eu disse e James pensou que eu estivesse falando na tal briga.
— O pior é que eu estava de porre, mal pude me defender!
Mordi um pastel que tinha dentro mais fumaça do que outra coisa. Examinei os outros pastéis para descobrir se havia algum com mais recheio.
— Toca bem esse condenado. Quer dizer que ele não vem comer nunca?
James demorou para entender do que eu estava falando. Fez uma careta. Decerto preferia o assunto do parque.
— Come no quarto, vai ver que tem vergonha da gente — resmungou ele, tirando um palito. — Fico com pena, mas às vezes me dá raiva, corno besta. Um outro já tinha acabado com a vida dela!
Agora a música alcançava um agudo tão agudo que me doeu o ouvido. De novo pensei na moça ganindo de dor na carroceria, pedindo ajuda não sei mais para quem.
— Não topo isso, pomba.
— Isso o quê?
Cruzei o talher. A música no máximo, os dois no máximo trancados no quarto e eu ali vendo o calhorda do James palitar os dentes. Tive ganas de atirar no teto o prato de goiabada com queijo e me mandar para longe de toda aquela chateação.
— O café é fresco? — perguntei ao mulatinho que já limpava o oleado da mesa com um pano encardido como a cara dele.
— Feito agora.
Pela cara vi que era mentira.
— Não é preciso, tomo na esquina.
A música parou. Paguei, guardei o troco e olhei reto para aporta, porque tive o pressentimento que ela ia aparecer. E apareceu mesmo com o aninho de gata de telhado, o cabelo solto nas costas e o vestidinho amarelo mais curto ainda do que o vermelho. O tipo de bigode passou em seguida, abotoando o paletó. Cumprimentou a madame, fez ar de quem tinha muito o que fazer e foi para a rua.
— Sim senhor!
— Sim senhor o quê? — perguntou James.
— Quando ela entra no quarto com um tipo, ele começa a tocar, mas assim que ela aparece, ele pára. Já reparou? Basta ela se enfurnar e ele já começa.
James pediu outra cerveja. Olhou para o teto.
— Mulher é o diabo...
Levantei-me e quando passei junto da mesa dela, atrasei o passo. Então ela deixou cair o guardanapo. Quando me abaixei, agradeceu, de olhos baixos.
— Ora, não precisava se incomodar...
Risquei o fósforo para acender-lhe o cigarro. Senti forte seu perfume.
— Amanhã? — perguntei, oferecendo-lhe os fósforos. — Às sete, está bem?
— É a porta que fica do lado da escada, à direita de quem sobe.
Saí em seguida, fingindo não ver a carinha safada de um dos anões que estava ali por perto e zarpei no meu caminhão antes que a madame viesse me perguntar se eu estava gostando da comida. No dia seguinte cheguei às sete em ponto, chovia potes e eu tinha que viajar a noite inteira. O mulatinho já amontoava nas cadeiras as almofadas para os anões. Subi a escada sem fazer barulho, me preparando para explicar que ia ao reservado, se por acaso aparecesse alguém. Mas ninguém apareceu. Na primeira porta, aquela à direita da escada, bati de leve e fui entrando. Não sei quanto tempo fiquei parado no meio do quarto: ali estava um moço segurando um saxofone. Estava sentado numa cadeira, em mangas de camisa, me olhando sem dizer uma palavra. Não parecia nem espantado nem nada, só me olhava.— Desculpe, me enganei de quarto — eu disse, com uma voz que até hoje não sei onde fui buscar.
O moço apertou o saxofone contra o peito cavado.
— E na porta adiante — disse ele baixinho, indicando com a cabeça.
Procurei os cigarros só para fazer alguma coisa. Que situação, pomba. Se pudesse, agarrava aquela dona pelo cabelo, a estúpida. Ofereci-lhe cigarro.
— Está servido?
— Obrigado, não posso fumar.
Fui recuando de costas. E de repente não agüentei. Se ele tivesse feito qualquer gesto, dito qualquer coisa, eu ainda me segurava, mas aquela bruta calma me fez perder as tramontanas.
— E você aceita tudo isso assim quieto? Não reage? Por que não lhe dá uma boa sova, não lhe chuta com mala e tudo no meio da rua? Se fosse comigo, pomba, eu já tinha rachado ela pelo meio! Me desculpe estar me metendo, mas quer dizer que você não faz nada?— Eu toco saxofone.
Fiquei olhando primeiro para a cara dele, que parecia feita de gesso de tão branca. Depois olhei para o saxofone. Ele corria os dedos compridos pelos botões, de baixo para cima, de cima para baixo, bem devagar, esperando que eu saísse para começar a tocar. Limpou com um lenço o bocal do instrumento, antes de começar com os malditos uivos.
Bati a porta. Então a porta do lado se abriu bem de mansinho, cheguei a ver a mão dela segurando a maçaneta para que o vento não abrisse demais. Fiquei ainda um instante parado, sem saber mesmo o que fazer, juro que não tomei logo a decisão, ela esperando e eu parado feito besta, então, Cristo-Rei!? E então? Foi quando começou bem devagarinho a música do saxofone. Fiquei broxa na hora, pomba. Desci a escada aos pulos. Na rua, tropecei num dos anões metido num impermeável, desviei de outro, que já vinha vindo atrás e me enfurnei no caminhão. Escuridão e chuva. Quando dei a partida, o saxofone já subia num agudo que não chegava nunca ao fim. Minha vontade de fugir era tamanha que o caminhão saiu meio desembestado, num arranco.

(O texto acima foi publicado no livro Antes do Baile Verde, José Olympio Editores - Rio de Janeiro, 1979, e relacionado entre Os cem melhores contos brasileiros do século, uma seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 233.)