quarta-feira, 16 de março de 2011

NOMES ESTRANHOS DE BANDAS

Vamos lá a algumas particularidades nos nomes de bandas, vejam se voces reconhecem algumas delas, tem de tudo, forró, brega, rock, reggae, e etc.

Cuidado! pode viciar!

Confira os nomes das pérolas:


Massacration

Máquina de Lavar Roupa

The the

Aborto Elétrico

Pinóquios Perversos

Aboboras Selvagens

Seu Madruga Veste Preto

Máquina de Lavar Roupa

Kid Abelha

Engenheiros do Hawaii

CPM22 (caixa postal mil e vinte e dois)

Cansei de Ser Sexy (atual CSS)

Blink 182 (piscada 182?)

Iron Maiden (Donzela de Ferro)

Red Hot Chilli Peppers (Pimentas Malaguetas Quentes e Vermelhas)

The Rolling Stones (As Pedras Rolantes)

Stratovarius (aglutinação de Stratocaster (modelo de guitarra) com Stradivarius (marca de violinos))

Afrodite Se Quiser

Skowa e a Máfia

Que fim levou o Robin?

NXZero

Pato Fu

Canto dos Malditos na Terra do Nunca

P.O.Box

Biquini Cavadão

Nove Mil Anjos

Paralamas do Sucesso

Secos e Molhados;

Pra Quinteto Falta Um;

Saliva de Cobra;

Canto dos Malditos na Terra do Nunca;

Toto;

Amassando Abóboras;

Banda Anal Putrefaction....

Cinema Bizarre

Batman e Robinson

Mamonas assassinas

Fantasmão

Sepultura

Cigarro apagado.

Cebola Ralada.

Tabaco no Vél

Banda de tijolo;

Empurra o burro;

Pele de tomate;

Garota s@fada;

Água de côco;

Garota 100 calcinha;

Mala 100 alça;

Pegada quente;

Caviar com rapadura;

Noda de cajú;

Forró suave;

Balança neném;

Cascavel;

Cavalo de pau;

Ferro na boneca;

Leite com mel;

Biriteiros do forró;

Forrozão Banana preta;

Helicoptero do forró;

Namoro novo;

Forró Chacal

Banda da Loirinha

Banda Calypso

Calcinha Preta

Quarto de Empregada

Mamãe me imbruia

Capa de Revista

No cú do mundo ou No fiofó

Mastruz com Leite

Limão com Mel

Mel com terra

Camisa suada

Calcinha molhada

Calcinha preta

Cavalo de pau

Cebola ralada

Saia rodada

Anjos e demônios

Ferro na boneca

Garota s@fada

Gatora sem vergonha

Gatinha manhosa

Moleque safado

Chibata preta

Melão de cheiro

Mala sem alça

Colo de menina

Desejo de menina

Aviões do Forró

A Cor do Som (ex novos Baianos)

Bryllho

Afrodite se quiser

Finis Africae

Degradée

Herva Doce

Metrô

Picassos Falsos

Ponto e vírgula

O Espírito da Coisa

Sempre Livre

Telex

Bigorna

Lagoa Vermelha

Campanha & Piriguso

Belo & Horizonte

Bento & Mamão

Canadá & Continensse

Castelo & Mannsão

Cativante & Continente

Chanceler & Diplomata

Choroso & Xonado

Conde & Dracula

Cruzeiro, Tostão & Centavo

Divisor & Consciente

Domyngo & Feryado

Faceiro & Fascinante

Faisca & Pinga Fogo

Franco & Montoro

Galã & Granfino

Galvão & Galvãozinho

Gavião Moreno & El Condor

Industrial & Fazendeiro

Juscelino & JK

Patrão & Funcionário

Perito & Paquera

Poliglota & Porta Voz

Atleta & Treinador

Colapso

Katinguelê

Br'Oz

Astronautas de Mármore

Detonautas Rock Clube

Nenhum de Nos

Pato fu

Barão Vermelho

Oasis

The Cult

Legião Urbana

Limpe o park

Nação zumbi

Cordel do Fogo Encantado

Renato e seus blue caps

Jesus Jones

Rouge

João penca e seus miquinhos amestrados

Absinto

Rádio Táxi

Ratos de Porao

Dr. Silvana & Cia

Garotos Podres

Kid abelha e os abóboras selvagens

Fausto Fawcet e os Rôbos Efêmeros

Recordando o Vale das Maçãs

Secos e Molhados

Ira!

Banda Calypso

Babado Novo

Bidê ou Balde?

4Fun (lê-se four fun)
Los Hermanos

Kid Abelha

Jota Quest

CPM 22

Cueio Limão

Velhas Virgens

Natiruts

Raimundos

Asa de Águia

Black Eyed Peas

Barão Vermelho

Blitz

Coldplay

Culture Club

Cordel do Fogo Encantado

Cansei de Ser Sexy

Dr. Cascadura

Duran Duran

Ludov

Pedro Luís e a Parede

SUÍNOS TESUDOS

Negritude Junior

Restart

Cine

Hevo84

Hori

NxZero

Sabonetes

Mukeka di Rato

Beeshop

Garota Safada

Parangolé

Arrocha o Nó

Collo de Menina

Turunas da Mauriceia

Djavú

Analisem e tomem suas próprias conclusões, vejam se voces conhecem algumas delas.

Brevemente postaremos mais novidades sobre o assunto.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O moço do saxofone

Eu era chofer de caminhão e ganhava uma nota alta com um cara que fazia contrabando. Até hoje não entendo direito por que fui parar na pensão da tal madame, uma polaca que quando moça fazia a vida e depois que ficou velha inventou de abrir aquele frege-mosca. Foi o que me contou o James, um tipo que engolia giletes e que foi o meu companheiro de mesa nos dias em que trancei por lá. Tinha os pensionistas e tinha os volantes, uma corja que entrava e saía palitando os dentes, coisa que nunca suportei na minha frente. Teve até uma vez uma dona que mandei andar só porque no nosso primeiro encontro, depois de comer um sanduíche, enfiou um palitão entre os dentes e ficou de boca arreganhada de tal jeito que eu podia ver até o que o palito ia cavucando. Bom, mas eu dizia que no tal frege-mosca eu era volante. A comida, uma bela porcaria e como se não bastasse ter que engolir aquelas lavagens, tinha ainda os malditos anões se enroscando nas pernas da gente. E tinha a música do saxofone.
Não que não gostasse de música, sempre gostei de ouvir tudo quanto é charanga no meu rádio de pilha de noite na estrada, enquanto vou dando conta do recado. Mas aquele saxofone era mesmo de entortar qualquer um. Tocava bem, não discuto. O que me punha doente era o jeito, um jeito assim triste como o diabo, acho que nunca mais vou ouvir ninguém tocar saxofone como aquele cara tocava.
— O que é isso? — eu perguntei ao tipo das giletes. Era o meu primeiro dia de pensão e ainda não sabia de nada. Apontei para o teto que parecia de papelão, tão forte chegava a música até nossa mesa. Quem é que está tocando?
— É o moço do saxofone.
Mastiguei mais devagar. Já tinha ouvido antes saxofone, mas aquele da pensão eu não podia mesmo reconhecer nem aqui nem na China.
— E o quarto dele fica aqui em cima?
James meteu uma batata inteira na boca. Sacudiu a cabeça e abriu mais a boca que fumegava como um vulcão com a batata quente lá no fundo. Soprou um bocado de tempo a fumaça antes de responder.
— Aqui em cima.
Bom camarada esse James. Trabalhava numa feira de diversões, mas como já estivesse ficando velho, queria ver se firmava num negócio de bilhetes. Esperei que ele desse cabo da batata, enquanto ia enchendo meu garfo.
— É uma música desgraçada de triste — fui dizendo.
— A mulher engana ele até com o periquito — respondeu James, passando o miolo de pão no fundo do prato para aproveitar o molho. — O pobre fica o dia inteiro trancado, ensaiando. Não desce nem para comer. Enquanto isso, a cabra se deita com tudo quanto é cristão que aparece.
— Deitou com você?
— É meio magricela para o meu gosto, mas é bonita. E novinha. Então entrei com meu jogo, compreende? Mas já vi que não dou sorte com mulher, torcem logo o nariz quando ficam sabendo que engulo gilete, acho que ficam com medo de se cortar...
Tive vontade de rir também, mas justo nesse instante o saxofone começou a tocar de um jeito abafado, sem fôlego como uma boca querendo gritar, mas com uma mão tapando, os sons espremidos saindo por entre os dedos. Então me lembrei da moça que recolhi uma noite no meu caminhão. Saiu para ter o filho na vila, mas não agüentou e caiu ali mesmo na estrada, rolando feito bicho. Arrumei ela na carroceria e corri como um louco para chegar o quanto antes, apavorado com a idéia do filho nascer no caminho e desandar a uivar que nem a mãe. No fim, para não me aporrinhar mais, ela abafava os gritos na lona, mas juro que seria melhor que abrisse a boca no mundo, aquela coisa de sufocar os gritos já estava me endoidando. Pomba, não desejo ao inimigo aquele quarto de hora.
— Parece gente pedindo socorro — eu disse, enchendo meu copo de cerveja. — Será que ele não tem uma música mais alegre?
James encolheu o ombro.
— Chifre dói.
Nesse primeiro dia fiquei sabendo ainda que o moço do saxofone tocava num bar, voltava só de madrugada. Dormia em quarto separado da mulher.
—- Mas por quê? — perguntei, bebendo mais depressa para acabar logo e me mandar dali. A verdade é que não tinha nada com isso, nunca fui de me meter na vida de ninguém, mas era melhor ouvir o tro-ló-ló do James do que o saxofone.
— Uma mulher como ela tem que ter seu quarto — explicou James, tirando um palito do paliteiro. — E depois, vai ver que ela reclama do saxofone.
— E os outros não reclamam?
— A gente já se acostumou.
Perguntei onde era o reservado e levantei-me antes que James começasse a escarafunchar os dentões que lhe restavam. Quando subi a escada de caracol, dei com um anão que vinha descendo. Um anão, pensei. Assim que saí do reservado dei com ele no corredor, mas agora estava com uma roupa diferente. Mudou de roupa, pensei meio espantado, porque tinha sido rápido demais. E já descia a escada quando ele passou de novo na minha frente, mas já com outra roupa. Fiquei meio tonto. Mas que raio de anão é esse que muda de roupa de dois em dois minutos? Entendi depois, não era um só, mas uma trempe deles, milhares de anões louros e de cabelo repartidinho do lado.
— Pode me dizer de onde vem tanto anão? — perguntei à madame, e ela riu.
— Todos artistas, minha pensão é quase só de artistas...
Fiquei vendo com que cuidado o copeiro começou a empilhar almofadas nas cadeiras para que eles se sentassem. Comida ruim, anão e saxofone. Anão me enche e já tinha resolvido pagar e sumir quando ela apareceu. Veio por detrás, palavra que havia espaço para passar um batalhão, mas ela deu um jeito de esbarrar em mim.
— Licença?
Não precisei perguntar para saber que aquela era a mulher do moço do saxofone. Nessa altura o saxofone já tinha parado. Fiquei olhando. Era magra, sim, mas tinha as ancas redondas e um andar muito bem bolado. O vestido vermelho não podia ser mais curto. Abancou-se sozinha numa mesa e de olhos baixos começou a descascar o pão com a ponta da unha vermelha. De repente riu e apareceu uma covinha no queixo. Pomba, que tive vontade de ir lá, agarrar ela pelo queixo e saber por que estava rindo. Fiquei rindo junto.
— A que horas é a janta? — perguntei para a madame, enquanto pagava.
— Vai das sete às nove. Meus pensionistas fixos costumam comer às oito — avisou ela, dobrando o dinheiro e olhando com um olhar acostumado para a dona de vermelho. — O senhor gostou da comida?
Voltei às oito em ponto. O tal James já mastigava seu bife. Na sala havia ainda um velhote de barbicha, que era professor parece que de mágica e o anão de roupa xadrez. Mas ela não tinha chegado. Animei-me um pouco quando veio um prato de pastéis, tenho loucura por pastéis. James começou a falar então de uma briga no parque de diversões, mas eu estava de olho na porta. Vi quando ela entrou conversando baixinho com um cara de bigode ruivo. Subiram a escada como dois gatos pisando macio. Não demorou nada e o raio do saxofone desandou a tocar.
— Sim senhor — eu disse e James pensou que eu estivesse falando na tal briga.
— O pior é que eu estava de porre, mal pude me defender!
Mordi um pastel que tinha dentro mais fumaça do que outra coisa. Examinei os outros pastéis para descobrir se havia algum com mais recheio.
— Toca bem esse condenado. Quer dizer que ele não vem comer nunca?
James demorou para entender do que eu estava falando. Fez uma careta. Decerto preferia o assunto do parque.
— Come no quarto, vai ver que tem vergonha da gente — resmungou ele, tirando um palito. — Fico com pena, mas às vezes me dá raiva, corno besta. Um outro já tinha acabado com a vida dela!
Agora a música alcançava um agudo tão agudo que me doeu o ouvido. De novo pensei na moça ganindo de dor na carroceria, pedindo ajuda não sei mais para quem.
— Não topo isso, pomba.
— Isso o quê?
Cruzei o talher. A música no máximo, os dois no máximo trancados no quarto e eu ali vendo o calhorda do James palitar os dentes. Tive ganas de atirar no teto o prato de goiabada com queijo e me mandar para longe de toda aquela chateação.
— O café é fresco? — perguntei ao mulatinho que já limpava o oleado da mesa com um pano encardido como a cara dele.
— Feito agora.
Pela cara vi que era mentira.
— Não é preciso, tomo na esquina.
A música parou. Paguei, guardei o troco e olhei reto para aporta, porque tive o pressentimento que ela ia aparecer. E apareceu mesmo com o aninho de gata de telhado, o cabelo solto nas costas e o vestidinho amarelo mais curto ainda do que o vermelho. O tipo de bigode passou em seguida, abotoando o paletó. Cumprimentou a madame, fez ar de quem tinha muito o que fazer e foi para a rua.
— Sim senhor!
— Sim senhor o quê? — perguntou James.
— Quando ela entra no quarto com um tipo, ele começa a tocar, mas assim que ela aparece, ele pára. Já reparou? Basta ela se enfurnar e ele já começa.
James pediu outra cerveja. Olhou para o teto.
— Mulher é o diabo...
Levantei-me e quando passei junto da mesa dela, atrasei o passo. Então ela deixou cair o guardanapo. Quando me abaixei, agradeceu, de olhos baixos.
— Ora, não precisava se incomodar...
Risquei o fósforo para acender-lhe o cigarro. Senti forte seu perfume.
— Amanhã? — perguntei, oferecendo-lhe os fósforos. — Às sete, está bem?
— É a porta que fica do lado da escada, à direita de quem sobe.
Saí em seguida, fingindo não ver a carinha safada de um dos anões que estava ali por perto e zarpei no meu caminhão antes que a madame viesse me perguntar se eu estava gostando da comida. No dia seguinte cheguei às sete em ponto, chovia potes e eu tinha que viajar a noite inteira. O mulatinho já amontoava nas cadeiras as almofadas para os anões. Subi a escada sem fazer barulho, me preparando para explicar que ia ao reservado, se por acaso aparecesse alguém. Mas ninguém apareceu. Na primeira porta, aquela à direita da escada, bati de leve e fui entrando. Não sei quanto tempo fiquei parado no meio do quarto: ali estava um moço segurando um saxofone. Estava sentado numa cadeira, em mangas de camisa, me olhando sem dizer uma palavra. Não parecia nem espantado nem nada, só me olhava.— Desculpe, me enganei de quarto — eu disse, com uma voz que até hoje não sei onde fui buscar.
O moço apertou o saxofone contra o peito cavado.
— E na porta adiante — disse ele baixinho, indicando com a cabeça.
Procurei os cigarros só para fazer alguma coisa. Que situação, pomba. Se pudesse, agarrava aquela dona pelo cabelo, a estúpida. Ofereci-lhe cigarro.
— Está servido?
— Obrigado, não posso fumar.
Fui recuando de costas. E de repente não agüentei. Se ele tivesse feito qualquer gesto, dito qualquer coisa, eu ainda me segurava, mas aquela bruta calma me fez perder as tramontanas.
— E você aceita tudo isso assim quieto? Não reage? Por que não lhe dá uma boa sova, não lhe chuta com mala e tudo no meio da rua? Se fosse comigo, pomba, eu já tinha rachado ela pelo meio! Me desculpe estar me metendo, mas quer dizer que você não faz nada?— Eu toco saxofone.
Fiquei olhando primeiro para a cara dele, que parecia feita de gesso de tão branca. Depois olhei para o saxofone. Ele corria os dedos compridos pelos botões, de baixo para cima, de cima para baixo, bem devagar, esperando que eu saísse para começar a tocar. Limpou com um lenço o bocal do instrumento, antes de começar com os malditos uivos.
Bati a porta. Então a porta do lado se abriu bem de mansinho, cheguei a ver a mão dela segurando a maçaneta para que o vento não abrisse demais. Fiquei ainda um instante parado, sem saber mesmo o que fazer, juro que não tomei logo a decisão, ela esperando e eu parado feito besta, então, Cristo-Rei!? E então? Foi quando começou bem devagarinho a música do saxofone. Fiquei broxa na hora, pomba. Desci a escada aos pulos. Na rua, tropecei num dos anões metido num impermeável, desviei de outro, que já vinha vindo atrás e me enfurnei no caminhão. Escuridão e chuva. Quando dei a partida, o saxofone já subia num agudo que não chegava nunca ao fim. Minha vontade de fugir era tamanha que o caminhão saiu meio desembestado, num arranco.

(O texto acima foi publicado no livro Antes do Baile Verde, José Olympio Editores - Rio de Janeiro, 1979, e relacionado entre Os cem melhores contos brasileiros do século, uma seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 233.)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Norma de referências - NBR 6023:2002

CONCEITO

Conjunto padronizado de elementos que permitem a identificação de um
documento, no todo ou em parte, nos diversos tipos de formato (livro, artigo de
periódico, CD, DVD, fotografia, mapa, documento on-line, ebooks, entre outros).

REGRAS GERAIS

A referência pode aparecer: no rodapé, no fim de texto ou de capítulo,em lista
de referências e antecedendo resumos, resenhas e recensões.
Os elementos da referência são retirados, normalmente, da folha de rosto
(verso e anverso) e capa do documento. Inclui-se, entre colchetes, a informação
tirada fora das fontes prescritas.
A pontuação deve ser uniforme para todas as referências. A separação das
várias áreas deve ser com ponto final, seguido de um espaço, representado nos
exemplos pelo símbolo Ø (1 espaço em branco).
O título deve ser destacado, de forma uniforme, em todas as referências de
um mesmo documento, utilizando-se os recursos tipográficos (negrito, itálico ou
grifo). Essa regra não se aplica a documentos sem indicação de autoria ou
responsabilidade, que devem ter a entrada pelo próprio título, com a primeira palavra
escrita em letras maiúsculas.

Nas listas, as referências “[...] são alinhadas somente à margem esquerda
do texto e de forma a se identificar individualmente cada documento, em espaço
simples e separadas entre si por um espaço duplo” (ou dois espaços simples). Em
notas de rodapé, devem ser “[...] alinhadas, a partir da segunda linha da mesma
referência, abaixo da primeira letra da primeira palavra, de forma a destacar o
expoente e sem espaço entre elas”, conforme o texto da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (2002a, p. 3).

NORMAS TÉCNICAS, Associação Brasileira de. Referências, apud Normas da ABNT, p.40, ABNT, 2009.

ESTILÍSTICA: A EXPRESSIVIDADE DA LÍNGUA

1. 1. CONCEITUAÇÃO DA ESTILÍSTICA

Estilística é uma das disciplinas voltadas para os fenômenos da linguagem, tendo por objeto o estilo, que remete a outra embaraçosa e infalível pergunta: o que é estilo?

1.1. VARIEDADE DE CONCEITOS DE ESTILO

· A palavra estilo, que hoje se aplica a tudo que possa apresentar características particulares, das coisas mais banais e concretas às mais altas criações artísticas, tem uma origem modesta.

· George Mounin reúne as definições de estilo em três grupos: 1) as que consideram estilo como desvio da norma; 2) as que julgam como elaboração; 3) as que o entendem como conotação.

· Nils Erik Enkvist as distribui em seis grupos: 1) estilo como adição; 2) estilo como escolha; 3) estilo como conjunto de características individuais; 4) estilo como desvio da norma; 5) estilo como características coletivas; 6) estilo como resultado de relações entre entidades linguísticas.

· Acrescente-se que, dos teóricos da Estilística, alguns só consideram o estilo na língua na língua literária, outros o consideram-nos diversos usos da língua; alguns relacionam o estilo ao autor, outros à obra, outros ao leitor, que reage ao texto literário; alguns se concentraram na forma da obra ou do enunciado, outros na totalidade forma-pensamento.

1.2. O APARECIMENTO DA ESTILÍSTICA

· A estilística surgiu nas primeiras décadas do século XX, graças, sobretudo a dois mestres que lideram duas correntes de grande importância: Charles Bally (1865-1947), doutrinador da estilística da língua, e Leo Spitzer (1887-1960), figura exponencial da estilística literária.

1.2.1. Estilística da língua

· Ampliando o campo de estudo do seu mestre Ferdinand de Saussure, Charles Bally volta-se para os aspectos afetivos da língua falada, da língua a serviço da vida humana, língua viva, espontânea, mas gramaticalizada, lexicalizada, e possuidora de um sistema expressivo.

· Bally distingue duas faces da linguagem: a intelectiva ou lógica e a afetiva; estuda os efeitos da afetividade no uso da língua; examina os meios pelos quais o sistema impessoal da língua é convertido na matéria viva da fala humana.

· Os efeitos expressivos, pelos quais o ser humano manifesta seus sentimentos e atua sobre o seu semelhante, são classificados em naturais e evocativos.

1.2.2. A Estilística como sociolinguística

· Entre os linguistas ingleses voltados para a Estilística, é oportuno mencionar que David Crystal e Derek Davy, que, embora não se prendam à corrente iniciada por Bally, apresentam alguns pontos comuns.

· Segundo estes autores, a Linguística é a disciplina acadêmica que estuda cientificamente a linguagem, e a Estilística é uma parte dessa disciplina que estuda certos aspectos da variação linguística.

· Os autores reconhecem que o primeiro passo na análise estilística é a apreensão dos traços estilísticos; e que é forçosamente intuitivo, mas o estilólogo deve falar objetivamente sobre eles.

1.2.3. A Estilística Literária

· É outra grande corrente da Estilística, iniciada por Leo Spitzer, também chamada idealista, psicológica e genética.

· A Estilística de Spitzer faz parte da reflexão, de cunho psicologista, sobre os desvios da linguagem em relação ao uso comum.

· O objeto da Estilística é bem amplo, global, abrangendo “o imaginativo, o afetivo e o conceitual”.

· Segundo Dâmaso Alonso Toda obra literária encerra um mistério e sua compreensão depende basicamente da intuição, podendo-se, entretanto, estudar cientificamente os elementos significativos presentes na linguagem.

· Há ainda três modos de compreender a obra literária, marcados por um crescente grau de precisão.

· O primeiro é o do leitor comum, uma intuição totalizadora, que se forma no processo da leitura e que reproduz a intuição totalizadora que deu origem à obra.

· O segundo é o do crítico, cujas qualidades de leitor são excepcionalmente desenvolvidas, tendo ele uma capacidade receptiva mais intensa e mais extensa que a comum.

· O terceiro é o da tentativa de desvendar os mistérios da criação de uma obra e dos efeitos dessa obra sobre os leitores.

· A tarefa da Estilística literária é examinar como é constituída a obra literária e considerar o prazer estético que ela provoca no leitor.

1.3. ESTILÍSTICA FUNCIONAL E ESTRUTURAL

· A Estilística se diz funcional, quando relacionada às funções da linguagem, e se desenvolve, em grande parte baseada nos estudos de Roman Jakobson.

· Rejeitando os termos Estilística e estilo, Jakobson os substitui por Poética e Função Poética, respectivamente.

· O objeto da Poética é esclarecer o que é que faz a mensagem verbal uma obra de arte; a distinção do que é artístico do que não é artístico.

· A função resultante do pendor para o emissor é a emotiva (ou expressiva), cuja realização mais pura é a interjeição.

· A função ligada ao canal é a fática, que diz respeito ao contato entre emissor e receptor.

· A função poética, que vem a ser o pendor para a própria mensagem, correspondendo à sua elaboração como um fim em si mesma, pode sobrepor-se às demais funções, ou ainda estar presente no texto sem ser a de maior proeminência.

· Aproximando a teoria de Jakobson da de Bally, podemos dizer que, enquanto para este a Estilística se concentra na função emotiva da linguagem em relação com a função intelectiva (referencial), para Jakobson a Estilística, ou Poética, se concentra na relação da Função Poética com as demais funções.

· Para explicar a realização da função poética, Jakobson entra na estruturação da frase e do texto (Estilística Estrutural), lembrando os dois modos fundamentais do comportamento verbal; a seleção (eixo paradigmático) e a combinação (eixo sintagmático).

· Jakobson mostra que o efeito poético repousa sobre uma combinação das duas estruturas: a análise da mensagem não deve dispensar a análise do sistema, o código.

· Riffaterre considera a Estilística um estudo exclusivo da mensagem, negando a pertinência estilística do sistema.

· O estilo é forma resultante da forma da mensagem e repousa sobre uma dupla série de procedimentos: uns decorrentes de uma convergência, e outros decorrentes dum contrastes de signos.

· Samuel Levin, aplicando o princípio da função poética de Jakobson, procura descrever as estruturas linguísticas que distinguem a linguagem da poesia da linguagem comum.

1.4. ESTILÍSTICA E RETÓRICA

· A Estilística despontou nas primeiras décadas deste século como uma disciplina de intenção mais ou menos científica, sem o objetivo prático de ministrar conselhos ou normas a quem fala ou escreve.

· A Retórica, que se ocupou da linguagem para fins persuasivos e artísticos.

· A acentuada valorização da palavra, do discurso, que impregna as falas dos heróis homéricos nos faz crer numa retórica assistemática.

· A Retórica é primariamente uma técnica de argumentação, mais do que de ornamentação.

· Ao tratar do estilo, afirma ser a clareza, que se alcança pelo emprego dos termos próprios.

· O orador deve adequar o estilo rasteiro como o empolado.

· Salienta também a importância do epítero e do diminutivo, aconselhando, contudo, a moderação no uso de um e outro.

· Muito pertinentes são também as considerações sobre o ritmo, o qual concorre para que o discurso ganhe majestade e realize a sua função de comover.

· Na Poética, Aristóteles trata da conceituação de poesia como imitação da realidade (mimese), dos gêneros poéticos (tragédia e epopéia, sobretudo) e da elocução poética, mencionando aspectos comuns a oratória, como clareza.

· O estudo da elocução chegará a sobrepor-se ao das demais partes da Retórica (invenção, disposição, ação e memória).

· Com a profunda mudança de idéias que se dá a partir do século XVIII (Romantismo), com a valorização do individual e repúdio de normas estabelecidas e da imitação como princípio artístico, a Retórica cai em desprestígio, passa até a ser ridicularizada.

· Por volta dos anos sessenta, pode-se presenciar um movimento de revalorização da Retórica, uma nova avaliação da sua contribuição ao estudo dos fatos da linguagem.

· Pierre Giraud, dá um balanço do seu legado: “A Retórica é a Estilística dos antigos; é uma ciência do estilo, tal como então se podia conceber uma ciência.

· É possível que esse julgamento seja excessivamente favorável, mas é inegável a importância da contribuição da Retórica para o conhecimento dos fatos da linguagem em geral e da linguagem artisticamente elaborada em particular.

· A Retórica é um conjunto de desvios suscetíveis de autocorreção, isto é, que modificam o nível normal de redundância da língua, transgredindo regras, ou inventando outras novas.

· O desvio criado por um autor é percebido pelo leitor graças a uma marca, e em seguida reduzido graças à presença de um invariante.

· O conjunto dessas operações, tanto as que se desenvolvem no ção desteprodutor como as que têm lugar no consumidor, produz um efeito estético específico, que pode ser chamado de ethos e que é o verdadeiro objeto da comunicação artística.

· A Retórica Geral toma exemplos, não são muito numerosos, quer da linguagem literária, quer da jornalística. É uma obra sobrecarregada de teoria, que exige do leitor certo tirocínio nos estudos linguísticos ou teóricos.

1.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

· Sendo muito numerosos os autores que se ocuparam ou que se vem ocupando de Estilística e Retórica, apresentando novas idéias e teorias, e não sendo a intenção deste trabalho fazer um histórico minucioso do seu desenvolvimento.

· Pela incursão feita através das obras mais significativas da Estilística e Retórica, pode-se ver que noções fundamentais da primeira já se encontravam na segunda, como a de desvio e escolha.

· A Estilística tem um campo de estudo mais amplo que o da Retórica: não se limitando ao uso da linguagem com fins exclusivamente literários;

· As várias teorias estilísticas, cada qual com sua contribuição, podem ser compreendidas em dois grupos: as que consideram o fenômeno estilístico como objeto de pesquisa em si mesmo, e as que o consideram como o meio privilegiado de acesso à interioridade do escritor.

· O caráter científico da estilística – ou a sua pretensão de atingir o estatuto de ciência – advém do seu objetivo de explicar os usos da linguagem que ultrapassam a função puramente denotativa, com maior exatidão e sem o propósito normativo que caracterizou a Retórica.

Alessandro de O. Arantes, Maria Luiza e Maria da Conceição - Letras(NAESM/UERN)