sábado, 31 de julho de 2010

A origem do sobrenome

“Ei! você conhece o fulano?”; “Que fulano?”; “Fulano de Sousa, Guimarães ou Rocha?”. Sem dúvida, muitas pessoas já tiveram a oportunidade de desenvolver um diálogo como esses. Contudo, não ache você que os sobrenomes sempre estiveram por aí, disponíveis em sua função de distinguir pessoas que tivessem o mesmo nome ou revelando a árvore genealógica dos indivíduos.

Até por volta do século XII, os europeus tinham o costume de dar apenas um nome para os seus descendentes. Nessa época, talvez pelo próprio isolamento da sociedade feudal, as pessoas não tinham a preocupação ou necessidade de cunharem outro nome ou sobrenome para distinguir um indivíduo dos demais. Contudo, na medida em que as sociedades cresciam, a possibilidade de conhecer pessoas com um mesmo nome poderia causar muita confusão.

Imaginem só! Como poderia repassar uma propriedade a um herdeiro sem que sua descendência fosse comprovada? Como enviar um recado ou mercadoria a alguém que tivessem duzentos outros xarás em sua vizinhança? Certamente, os sobrenomes vieram para resolver esses e outros problemas. Entretanto, não podemos achar que uma regra ou critério foi amplamente divulgado para que as pessoas adotassem os sobrenomes.

Em muitos casos, vemos que um sobrenome poderia ser originado através de questões de natureza geográfica. Nesse caso, o “João da Rocha” teve o seu nome criado pelo fato de morar em uma região cheia de pedregulhos ou morar próximo de um grande rochedo. Na medida em que o sujeito era chamado pelos outros dessa forma, o sobrenome acabava servindo para que seus herdeiros fossem distinguidos por meio dessa situação, naturalmente construída.

Outros estudiosos do assunto também acreditam que alguns sobrenomes apareceram por conta da fama de um único sujeito. Sobrenomes como “Severo”, “Franco” ou “Ligeiro” foram criados a partir da fama de alguém que fizesse jus à qualidade relacionada a esses adjetivos. De forma semelhante, outros sobrenomes foram cunhados por conta da profissão seguida por uma mesma família. “Bookman” (livreiro) e “Schumacher” (sapateiro) são sobrenomes que ilustram bem esse tipo de situação.

Quando você não tinha fama por algo ou não se distinguia por uma razão qualquer, o seu sobrenome poderia ser muito bem criado pelo simples fato de ser filho de alguém. Na Europa, esse costume se tornou bastante comum e pode ser visto alguns sobrenomes como MacAlister (“filho de Alister”), Johansson (“filho de Johan”) ou Petersen (“filho de Peter”). No caso do português, esse mesmo hábito pode ser detectado em sobrenomes como Rodrigues (“filho de Rodrigo”) ou Fernandes (“filho de Fernando”).

Hoje em dia, algumas pessoas têm o interesse de remontarem a sua arvore genealógica ou conhecer as origens da família que lhe deu sobrenome. Talvez, observando algumas características do próprio sobrenome, elas possam descobrir um pouco da história que se esconde por detrás do mesmo. Afinal de contas, o importante é saber que a ausência desses “auxiliares” nos tornaria mais um entre os demais.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

sábado, 10 de julho de 2010

Distribuição Disciplinas 2010.2

Confirmando quadro provisório de distribuição de disciplinas para 2010.2 - 7.º Período Macau:
Prat. de Ens. II - Luzinete/Corrinha
Sem. Monografia I - Keynesiana
Lit. Brasileira IV - Keynesiana
Estilística - Lilian
Teatro I - Akailson

Forte Abraço,

Até breve,


Prof. Ivandilson

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Cancelamento Aula 17/06

Pessoal,
Comunico que não poderei ir nesta quinta (17/06) para Macau. Não consegui substituto. A aula está cancelada. Avisem ao máximo de pessoas que puderem.

Abraços,

Ivandilson

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mudança Aula de Terça 08/06/10

Pessoal, confiram esta mudança em relação à aula de terça-feira, 08/06/10: a profa. Lilian não poderá comparecer. Em seu lugar, seguirá a profa. Lourdinha Calixto. Atentem para o material de acompanhamento da disciplina, se houver. Espalhem a notícia para os demais.
Qualquer dúvida, entrem em contato:
Depto. Letras Uern/Assu: 3331-2411.
Prof. Ivandilson Costa

quinta-feira, 20 de maio de 2010

As Amizades Influenciam?

Como seres sociáveis, os homens desde a infância absorvem todas as informações que seu cérebro consegue captar. Para isso, alguns mecanismos são liberados com a intenção de que cada indivíduo consiga associar as informações obtidas com o seu conhecimento já adquirido. A sociabilidade faz com que um indivíduo participe das experiências vividas por seus companheiros (sendo esses: amigos, pais, primos e outros), além disso, participar das emoções, descobertas e até dos desejos fazendo com que os objetivos desse influencie a vida do indivíduo diretamente, pois pode-se em face aos anseios do outro despertar-se para os mesmos anseios.

Quando criança, cada indivíduo absorve aquilo que é passado pelos pais ou responsáveis, porém com o tempo tais ensinamentos podem ser modificados por meio de influências do lugar que se está ou ainda das pessoas que formam seu ciclo de amizade. As amizades são os maiores agentes de influências, pois de forma positiva ou negativa consegue estimular indivíduos conforme sua postura ou sua necessidade.

Durante o período da adolescência, a influência tende a ser maior, pois nessa fase a pressão dos chamados “amigos” não consegue ser superada pelos adolescentes, fazendo com que ajam conforme o restante do grupo. Também podem ser influenciados para que não sejam excluídos do grupo no qual estão inseridos e então passam a agir como os outros, para não haver diferença de atitude.

Pode-se concluir então que o homem, por mais que tenha seu modo de viver baseado em um estilo de vida, pode sofrer influência de amizades tendo em vista que vive em sociedade e que cada indivíduo tem sua forma de pensar, agir e reagir podendo a qualquer momento mostrar-se vulnerável a influências.
Por Gabriela Cabral
Equipe Brasil Escola

terça-feira, 20 de abril de 2010


Vejam esta placa e tomem as suas próprias conclusões sobre a mesma, parece sacanegem, mas não é, as palavras a seguir mostram as variantes lingüísticas existentes entre Portugal e Brasil.

Notem a duplicidade de sentidos entre as palavras, é um pouco engraçado, mas é real.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

LITERATURA PORTUGUESA II - O DECADENTISMO - conteúdo para a avaliação final (3ª)

o "Decadentismo" foi uma clara alusão à decadência dos valores estéticos então vigentes e a uma certa afetação que neles deixava a sua marca. Em 1886 um manifesto traz a denominação que viria marcar definitivamente os adeptos desta corrente: simbolismo. Os temas são místicos, espirituais, ocultos. Abusa-se da sinestesia, sensação produzida pela interpenetração de órgãos sensoriais; foi um movimento que tinha como características principais:

O Subjetivismo - Os simbolistas terão maior interesse pelo particular e individual do que pela visão mais geral.

A Musicalidade - A musicalidade é uma das características mais destacadas da estética simbolista. Para conseguir aproximação da poesia com a música, os simbolistas lançaram mão de alguns recursos, como por exemplo a aliteração, que consiste na repetição sistemática de um mesmo fonema consonantal, e a assonância, caracterizada pela repetição de fonemas vocálicos.

O Transcendentalismo - Um dos princípios básicos dos simbolistas era sugerir através das palavras sem nomear objetivamente os elementos da realidade. Ênfase no imaginário e na fantasia. Para interpretar a realidade, os simbolistas se valem da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido ou impreciso.

PRINCIPAIS AUTORES:
EUGÊNIO DE CASTRO - A obra de Eugénio de Castro pode ser dividida em duas fases: na primeira, a fase simbolista, que corresponde a sua produção poética até o fim do século XIX, Eugénio de Castro apresenta algumas características da Escola Simbolista, como o uso de rimas novas e raras, novas métricas, sinestesias, aliterações e vocabulário mais rico e musical.

Na segunda fase ou neoclássica, que corresponde aos poemas escritos já no século XX, vemos um poeta voltado à Antiguidade Clássica e ao passado português, revelando um certo saudosismo, característico das primeiras décadas do século XX em Portugal.


Antônio Nobre - Foi um poeta português cuja obra se insere nas correntes ultra-romântica, simbolista, decadentista e saudosista da geração finissecular do século XIX português. A sua principal obra, Só (Paris, 1892), é marcada pela lamentação e nostalgia, imbuída de subjectivismo, mas simultaneamente suavizada pela presença de um fio de auto-ironia e com a rotura com a estrutura formal do género poético em que se insere, traduzida na utilização do discurso coloquial e na diversificação estrófica e rítmica dos poemas. A sua principal contribuição para o simbolismo lusófono foi a introdução da alternância entre o vocabulário refinado dos simbolistas e um outro mais coloquial.


Camilo Pessanha - Foi um exponte máximo do Simbolismo; Publicou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920), foi publicado sem a sua participação por Ana de Castro Osório, a partir de autógrafos e recortes de jornais. Graças a essa iniciativa, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento.


(postado pelo Prof. Akailson Lennon em 10/02/10 às 21:28)

p.s. conteúdo totalmente revisado.

LITERATURA PORTUGUESA II - A Cerâmica (origens)

A descoberta do fogo pelo homem foi o passo fundamental para o surgimento da cerâmica. Ele descobriu que o barro secava e endurecia após ficar exposto ao calor do fogo. Então, para suprir suas necessidades, como condicionar alimentos, água e sementes, o homem começou a moldar o barro com água e a queimar a peça no calor do fogo. Potes, vasos, ferramentas, casas...assim surgiu a cerâmica.
A palavra é de origem grega, "keramos", que significa louça de barro e é datada dos tempos pré-históricos. Já foram descobertos, por exemplos, utensílios de cerâmica com mais de seis mil anos de idade.

Registra-se no tempo a importância da arte cerâmica na vida dos povos. Para se ter uma idéia dessa importância, basta citar que, através da arte cerâmica, vários povos da antigüidade gravaram em placas de terracota (barro cozido) sua ciência, suas crenças, seus feitos épicos e suas histórias, cujo conhecimento, hoje, tem contribuído sobremaneira para o avanço tecnológico da humanidade. Por sua diversidade e constante evolução nos temas decorativos, a cerâmica é, ainda hoje, um eficaz meio de estudo das várias fases culturais dos povos.
É por meio da interpretação das cenas pintadas nos vasos, no tipo de argila utilizada e nas formas realizadas que tem sido possível reconstruir os aspectos da vida religiosa, artística, militar e até profissional dos nossos antepassados.

O estudo das técnicas de fabricação e decoração dos objetos de cerâmica é tido como o "alfabeto" de arqueólogos e historiadores, pois fornece base segura para a reconstrução de muitos aspectos da vida de antigas civilizações.



(postado pelo Prod. Akailson Lennon em 11/02/10 às 21:05)

p.s. conteúdo não revisado

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ATIVIDADE ANTERO DE QUENTAL (aula 04/02/10)

Atenção grupo que vai falar da temática, do estilo, e dos trabalhos do Antero de Quental.
Para complementação da atividade de vocês, providenciem 5 PEDAÇOS DE TECIDO BRANCO, pode ser algodãozinho, NADA DE TNT, de 2 metros quadrado cada; que estarei levando material de pintura para confecção de QUADROS DE INTERPRETAÇÃO DA OBRA deste autor. Por isso é importante que vocês trabalhem QUAL A LINHA EM QUE O ANTERO COMPÔS seus trabalhos.


(postado pelo Professor Akailson Lennon, às 16:00, terça-feira, 02 de fevereiro 2010)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Conferências Democráticas do Casino Lisbonense - Literatura Portuguesa II - conteúdo para a atividade

Série de conferências - também conhecidas simplesmente por Conferências do Casino - levadas a público em 1871, em Lisboa, por iniciativa do chamado grupo do Cenáculo, de que faziam parte Antero de Quental, Eça de Queirós, Jaime Batalha Reis, Salomão Sáragga, Manuel Arriaga e Guerra Junqueiro. Este é o ponto mais alto da Geração de 70. Visavam abrir um debate sobre o que de mais moderno, a nível de pensamento, se vinha fazendo lá fora. Aproximar Portugal da Europa era o objectivo máximo, anunciado, aliás, no respectivo programa.

O programa das Conferências, que surgiam como uma espécie de consequência natural das discussões ideológicas travadas no Cenáculo, anunciava "ligar Portugal com o movimento moderno", "agitar na opinião pública as grandes questões da Filosofia e da Ciência Moderna" e "estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa".
A conferência inaugural, intitulada "O espírito das conferências", foi proferida por Antero de Quental, que afirmou a necessidade de regenerar Portugal "pela educação da inteligência e pelo fortalecimento da consciência dos indivíduos". Na segunda conferência, o mesmo Antero analisou as "Causas da decadência dos povos peninsulares", que, na sua opinião, correspondiam ao catolicismo pós-tridentino, que impôs o obscurantismo à centralização política das monarquias absolutas, que determinou o aniquilamento das liberdades locais e individuais, e à política expansionista ultramarina, que impediu o desenvolvimento da pequena burguesia. A terceira conferência, intitulada "A literatura portuguesa", foi pronunciada por Augusto Soromenho, que denunciou a decadência da literatura portuguesa e defendeu a necessidade de "dar por base à educação a moral, o dever, do que aproveitará a literatura". A quarta conferência, "A Nova Literatura (O Realismo como nova expressão da Arte)", foi proferida por Eça de Queirós, que aí lançou os fundamentos da sua concepção de Realismo, influenciada por Flaubert, Proudhon e Taine. A quinta conferência coube a Adolfo Coelho, que avançou algumas propostas revolucionárias para a reorganização do ensino em Portugal, a mais importante das quais consistia na "separação completa do estado e da igreja".

As conferências foram interrompidas antes da sexta, que seria dita por Salomão Sáragga e que versaria sobre os críticos históricos de Jesus, por portaria ministerial do Marquês de Ávila e Bolama, onde se alegava que nas conferências se tinham sustentado "doutrinas e proposições que atacam a religião e as instituições políticas do estado". Os conferencistas reagiram contra a proibição com um protesto público, com o qual se solidarizaram vários intelectuais, como Alexandre Herculano, que acudiram em defesa da liberdade de expressão.

De qualquer modo, entre os intelectuais portugueses, ficou o gérmen da modernidade do pensamento político, social, pedagógico e científico que na França, na Alemanha e na Inglaterra se fazia sentir. Este espírito revolucionário e positivista dominava a maioria da jovem classe pensante.


(postado pelo Professor Akailson Lennon em 27/01/10 às 16:10)

OBS. esse conteúdo não foi revisado.

Questão Coimbrã - Literatura Portuguesa II - conteúdo para a atividade.

Questão Coimbrã

Nos primeiros anos do terceiro quartel do séc. XIX, após a longa crise da implantação do liberalismo em Portugal e sua adaptação à estrutura histórica do país, o Romantismo português propriamente dito já tinha dado quanto dele se podia esperar. Depois da morte de Garrett (v.) – intuição superior, descobridora de todos os elementos essenciais do génio lusitano –, a insurgência inerente ao movimento romântico personificara-se em Herculano (v.), cuja obra foi «a primeira tentativa de uma história crítica de Portugal». Mas a rebeldia por ele representada desapareceu com a sua retirada para Vale de Lobos. Ficara, pois, Castilho (v.), em redor do qual se agruparam em Lisboa as hostes ultra-românticas. Castilho, porém, era exactamente o contrário dum rebelde. Grande purista, mestre do idioma, dotado de escassa imaginação criadora, nunca fora realmente romântico, embora seja em regra mencionado como terceiro mentor do movimento. Formado na dissolução do neoclassicismo arcádico, que nunca abandonou, encarnava uma peculiar adaptação das formas externas do Romantismo a um espírito pseudo-clássico. Fórmula esta que chegara nessa altura a entronizar-se como gosto oficial do constitucionalismo. Era ele, pois, o obstáculo com que havia de tropeçar a nova rebeldia da geração intelectual que por volta de 1865 se estava formando em Coimbra. Esta geração já desde 1861 vinha dando provas do seu pendor para a rebeldia à disciplina universitária com ruidos os tumultos, irreverências e revoltas – que indicavam claramente a inconformidade da juventude académica com os valores oficiais da sociedade em que vivia. A chamada «Questão de Coimbra» ou do «Bom senso e Bom gosto» foi a primeira manifestação importante dessa mocidade, conhecida hoje nos manuais pelos nomes de «Geração», «Escola» ou «Dissidência de Coimbra» e também «Geração de 70», e que, com a adição de novos elementos afins, havia de realizar novas demonstrações dos seus intuitos reformistas na vida pública nacional. Com a famosa «Questão Coimbrã» se pode dizer que se inicia o espírito contemporâneo nas letras portuguesas. Com ela entram em conflito aberto o novo espírito cientifico europeu e o velho sentimentalismo, domesticado e retoricizado, do Ultra-Romantismo vernáculo. O novo lirismo que aparecia, social, humanitário e crítico, não se alçava apenas contra a tirania do gosto literário vigente, exercida por Castilho – que esses rapazes alcunharam de «árcade póstumo» - mas também, e de modo mais vasto, contra todos os conceitos políticos, históricos e filosóficos que ele e os seus satélites literários simbolizavam.

A duas personalidades muito diferentes coube a chefia visível do fermento coimbrão de revolta: Antero de Quental (v.), o «Príncipe da Mocidade», que já se dera a conhecer como poeta com várias obras (Sonetos, 1861, Beatrice, 1863, Fiat Lux, 1863, e Odes Modernas, 1865) em que tentava harmonizar uma inspiração sinceramente romântica com o espírito científico, e Teófilo Braga (v.), que também tinha aparecido no mundo das letras com dois poemas cíclicos de padrão huguesco (Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras, 1864). O motivo da «Questão» foi aparentemente trivial. Nesse ano de 1865, Pinheiro Chagas (v.), um dos jovens corifeus da roda lisboeta do cego patriarca literário, publicara o Poema da Mocidade, ingénua biografia lírica em quatro cantos, típica do saudosismo ultra-romântico. Castilho, na célebre carta-posfácio dirigida ao editor do livro, na qual, entre grandes elogios, indigitava o jovem poeta para uma cadeira de Literatura, introduziu incidentalmente referências ironicamente adversas a Antero e a Teófilo, aludindo aos «altos» rumos metafísicos da poesia dos dois «mancebos». A resposta não se fez esperar, tanto pelo carácter directo do ataque como pelo desejo de polémica dos novos, impacientes por afirmar em público a sua insubmissão iconoclasta e por medir forças com o inimigo. Antero lançou um opúsculo, intitulado Bom-Senso e Bom-Gosto (1865) – as duas virtudes que Castilho negara aos dois porta-estandartes dos académicos coimbrões –, no qual, com altiva ironia e com violentíssimos e sarcásticos desacatos, respondia às palmatoadas do venerando pontífice das letras oficiais. Os sequazes de Castilho treplicaram com aparatoso alarde de forças. A batalha estava travada. Os folhetos começaram a chover dum e doutro lado. Quental arremeteu com novo opúsculo, nesse mesmo ano, sob o título A Dignidade das Letras e as Literaturas oficiais. Pela sua parte, Teófilo replicou ao «déspota do purismo e do léxicon» com outro panfleto, Teocracias Literárias (1866). O velho árcade não deixou de ter defensores ilustres. Um deles foi Ramalho Ortigão (v.), que mais tarde se haveria de integrar plenamente no grupo de Coimbra, mas que nesta altura saiu à liça como paladino de Castilho em Literatura de Hoje (1866 ), repreendendo Antero com ásperos adjectivos pelo seu desrespeito – o que provocou um duelo entre ambos. Note-se, porém, que nesse folheto Ramalho marcou uma atitude de independência, criticando também a fuga de Castilho à luta das ideias. Outro combatente das hostes de Castilho foi Camilo (v.), que, em Vaidades irritadas e irritantes (1866 ), com o seu temível sarcasmo polémico, veio atacar a nova geração, – que lhe haveria de dar motivo para ulteriores refregas. Os panfletos saíram às dezenas, e derivavam mais e mais para o terreno das diatribes pessoais. A refrega entre os epígonos do Romantismo velho que agonizava e a juvenil rebelião do Realismo novo que despontava para a vida prolongou-se pelo ano de 1866. (A bibliografia dos projécteis desta «batalha» literária, em que intervieram as figuras mais destacadas das letras nacionais, e que chegou a estender-se ao Brasil, está recolhida; v. Inocêncio, Dicionário Bibl. Português, VIII, 404-408; T. Braga, Modernas Ideias na Lit. Port., II, pp. 179-184; Catálogo da Biblioteca de F. Palha, pp. 166-171; J. de Araújo, in Antero de Quental. In Memoriam, Apêndice, pp. X-XV).

A «Questão», embora aparentemente literária, denunciava incompatibilidades mais profundas. Os jovens universitários de 1865 reagiam contra a falsidade que representavam muitos outros aspectos da vida nacional, produto da adaptação das formas alienígenas do liberalismo à velha estrutura tradicional do País. A revolta da mocidade coimbrã havia de eclodir num movimento político, filosófico e literário, cuja amplitude ultrapassou talvez a do próprio Romantismo. Este grupo que se sublevou contra Castilho era o mesmo que, acrescido de personalidades com tendências paralelas, havia de tratar, em 1871, nas Conferências Democráticas do Casino (v.), de colocar Portugal a par da actualidade europeia, ligando-o «com o movimento moderno», estudando «as condições de transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa». Na frase de Le Gentil: «para encontrar uma semelhante fermentação de ideias em Portugal, seria preciso remontar-se até ao século de Quinhentos». Da ânsia de renovação cultural dos estudantes universitários nessa época dá uma boa ideia Eça de Queirós (v.), ao lembrar a «ardente e fantástica Coimbra» do seu tempo: «Pelos Caminhos de Ferro que tinham aberto a Península, rompiam cada dia, descendo da França e da Alemanha (através da França), torrentes de coisas novas, ideias, sistemas, estéticas, formas, sentimentos, interesses humanitários. Cada manhã trazia a sua revelação, como um sol que fosse novo. Era Michelet que surgia, e Hegel, e Vico, e Proudhon; e Hugo tornado profeta e justiceiro dos Reis; e Balzac com o seu mundo perverso e lânguido; e Goethe, vasto como um universo; e Poe, e Heine, e creio que já Darwin, e quantos outros! Naquela geração nervosa, sensível e pálida como a de Musset (por ter sido talvez como essa concebida durante as guerras civis) todas estas maravilhas caíam à maneira de achas numa fogueira, fazendo uma vasta crepitação e uma vasta fumarada !». «Quando o fumo [da Questão] se dissipou – conta Antero, na sua «Carta a W Storck» –, o que se viu mais claramente foi que havia em Portugal um grupo de 16 ou 20 rapazes, que não queriam saber nem da Academia nem dos Académicos, que já não eram católicos nem monárquicos, que falavam de Goethe e Hegel como os velhos tinham falado de Chateaubriand e de Cousin; e de Michelet e Proudhon como os outros de Guizot e Bastiat; que citavam nomes bárbaros e ciências desconhecidas, como glótica, filologia, etc.; que inspiravam talvez pouca confiança pela petulância e pela irreverência, mas que, inquestionavelmente, tinham talento e estavam de boa fé, e que, em suma, havia a esperar deles alguma coisa, quando assentassem. Os factos confirmaram esta impressão; os dez ou doze primeiros nomes da literatura de hoje saíram (salvo dois ou três) da Escola Coimbrã, ou da influência dela». E assim é. Hoje, já com a perspectiva que dá a distância histórica, essa geração surgida à vida pública na famosa «Questão» avulta como uma das mais brilhantes constelações que a cultura portuguesa produziu em qualquer época. O carácter regenerador e de revisão de valores, o afã de reforma do estilo da vida e da literatura do país, o europeísmo cultural, a preocupação com as raízes históricas da decadência, fazem dela um antecedente da grande geração espanhola «de 98», que lhe é devedora em muitos aspectos fundamentais – influência esta que reclama urgente estudo. v. «D.Jaime» e Porto.


(postado pelo Professor Akailson Lennon em 27/01/10 às 16:00)

obs. Esse conteúdo não foi revisado.

A poesia de Cesário Verde - Literatura Portuguesa II - conteudo para a atividade.

A poesia de Cesário Verde é a de um artista plástico, enamorado do concreto, que perambula pela cidade ou pelo campo e descreve de modo vivo e exato as suas experiências. Esta objetividade da sua obra poética não impede todavia a expressão de ideias e sentimentos que o definem: o amor pela atividade útil, saudável, o respeito pela ciência positiva do seu tempo, a confiança no progresso, a solidariedade com os humildes, vítimas de injustiças sociais.
A expressão da realidade objetiva é, contudo, extremamente conotativa; apesar do poeta se empenhar no real, a visão subjetiva é marcante, há uma linguagem segunda a sugerir as impressões íntimas que tais realidades suscitam na sua alma. Em muitos dos seus poemas assiste-se à passagem constante do objetivo para o subjetivo. Assim, a poesia de Cesário Verde, se é expressão do real exterior, é, também, de conteúdo psíquico. Muito embora não tenha a pretensão de trazer fotografias da realidade para a literatura, o poeta deseja reduzir ao mínimo a interpretação subjetiva dessa realidade.

A poética de Cesário e as escolas literárias

Podemos afirmar a sua aproximação a várias estéticas. Assim, se se tiver em conta o interesse pela captação do real, pelas cenas de exterior, por quadros e figuras reais, concretos, plásticos e coloridos, é fácil detectar a afinidade ao Realismo. A ligação aos ideais do Naturalismo verifica-se na medida em que o meio surge determinante dos comportamentos. Pela objetividade dos temas, baseados na Natureza e no quotidiano, assim como pelas formas exatas e corretas, podemos ver afinidades com o Parnasianismo. Note-se a objetividade defendida por esta escola e pelo autor, mas a subjetividade presente nas suas composições (o poeta que sofre, que revela sentimentos e sensações – "Despertam-me um desejo absurdo de sofrer", "o gás extravasado enjoa-me, perturba"), o que constitui um desvio em relação à escola parnasiana. Por último, aproxima-se dos impressionistas que captam a realidade mas que a retratam já filtrada pelas percepções.

A mulher Pertencente à cidade, a mulher angélica encarna todas as qualidades do campo. O campo, na poesia de Cesário Verde, aparece como símbolo de vitalidade, trabalho, saúde, liberdade, vida. Sendo que a mulher do campo representa a pureza e a naturalidade, é uma mulher frágil, terna, ingênua e despretensiosa.

EXTRATO:

Eu que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te, sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa de um café devasso,
Ao avistar-te, há pouco fraca e loura,
Nesta babel tão velha e corruptora,
Tive tensões de oferecer-te o braço.

E, quando socorrestes um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, sudável.

«Ela aí vem!» disse eu para os demais;
E pus me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, - talvez que não o suspeites! -
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.
...
Soberbo dia! Impunha-me respeito
A limpidez do teu semblante grego;
E uma família, um ninho de sossego,
Desejava beijar o teu peito.

Com elegância e sem ostentação,
Atravessavas branca, esbelta e fina,
Uma chusma de padres de batina,
E de altos funcionários da nação.

«Mas se a atropela o povo turbulento!
Se fosse, por acaso, ali pisada!»
De repente, parastes embaraçada
Ao pé de um numeroso ajuntamento,

E eu, que urdia estes frágeis esbocetos,
Julguei ver, com a vista de poeta,
Uma pombinha tímida e quieta
Num bando ameaçador de corvos pretos.

E foi, então que eu, homem varonil,
Quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és tênue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril.


(postado pelo Professor Akailson Lennon em 27/01/10 às 15:20)

ABÍLIO GUERRA JUNQUEIRO - Literatura Portuguesa II - conteúdo para a atividade.

Abílio de Guerra Junqueiro (1850-1923) Influenciado por Baudelaire, Proudhon, Victor Hugo e Michelet, iniciou uma intensa escrita poética com o fim último de, pela crítica, renovar a sociedade portuguesa. Retirou-se para uma quinta no Douro, regressando à política com a implantação da República, tendo sido nomeado Ministro de Portugal em Berna. Obras: A Morte de D. João (1874), A Musa em Férias (1879), A Velhice do Padre Eterno (1885), Finis Patriae (1890), Os Simples (1892), Pátria (1896), Oração ao Pão (1903), Oração à Luz (1904), Poesias Dispersas (1920). Em colaboração com Guilherme de Azevedo, escreveu Viagem à Roda da Parvónia.

EXTRATOS:


REGRESSO AO LAR

Ai, há quantos anos que eu parti chorando
deste meu saudoso, carinhoso lar!...
Foi há vinte?... Há trinta?... Nem eu sei já quando!...
Minha velha ama, que me estás fitando,
canta-me cantigas para me eu lembrar!...

Dei a volta ao mundo, dei a volta à vida...
Só achei enganos, decepções, pesar...
Oh, a ingénua alma tão desiludida!...
Minha velha ama, com a voz dorida.
canta-me cantigas de me adormentar!...

Trago de amargura o coração desfeito...
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saíra do meu ninho estreito!...
Minha velha ama, que me deste o peito,
canta-me cantigas para me embalar!...

Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
pedrarias de astros, gemas de luar...
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!...
Minha velha ama, sou um pobrezinho...
Canta-me cantigas de fazer chorar!...

Como antigamente, no regaço amado
(Venho morto, morto!...), deixa-me deitar!
Ai o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!...

Canta-me cantigas manso, muito manso...
tristes, muito tristes, como à noite o mar...
Canta-me cantigas para ver se alcanço
que a minha alma durma, tenha paz, descanso,
quando a morte, em breve, ma vier buscar!


POESIAS DISPERSAS


ADORAÇÃO

Eu não te tenho amor simplesmente. A paixão
Em mim não é amor; filha, é adoração!
Nem se fala em voz baixa à imagem que se adora.
Quando da minha noite eu te contemplo, aurora,
E, estrela da manhã, um beijo teu perpassa
Em meus lábios, oh! quando essa infinita graça
do teu piedoso olhar me inunda, nesse instante
Eu sinto – virgem linda, inefável, radiante,
Envolta num clarão balsâmico da lua,
A minh'alma ajoelha, trémula, aos pés da tua!
Adoro-te!... Não és só graciosa, és bondosa:
Além de bela és santa; além de estrela és rosa.
Bendito seja o deus, bendita a Providência
Que deu o lírio ao monte e à tua alma a inocência,
O deus que te criou, anjo, para eu te amar,
E fez do mesmo azul o céu e o teu olhar!...





CARTA A F.

És tu quem me conduz, és tu quem me alumia,
Para mim não desponta a aurora, não é dia,
Se não vejo os dois sóis azuis do teu olhar.
Deixei-te há pouco mais dum mês, – mês secular
E nessa noite imensa, ah, digo-te a verdade,
Iluminou-me sempre o luar da saudade.
E nesses montes nus por onde eu tenho andado,
Trágicos vagalhões dum mar petrificado,
Sempre adiante de mim dentre a aridez selvagem,
Vi como um lírio branco erguer-se a tua imagem.
Nunca te abandonei! Nunca me abandonaste!
És o sol e eu a sombra. És a flor e eu a haste.
Na hora em que parti meu coração deixei-o
Na urna virginal desse divino seio,
E o teu sinto-o eu aqui a bater de mansinho
Dentro em meu peito, como uma rola em seu ninho!


(postado pelo professor Akailson Lennon em 27/01/10 às 15:00 h)

sábado, 23 de janeiro de 2010

Antero de Quental - conteúdo da aula do dia 04/02/10 LITERATURA PORTUGUESA

Socialismo e preocupação estética em Antero de Quental

Literatura de natureza cerebral, densa, onde a emoção cede lugar ao pensamento. Assim transcorre a poesia do português Antero de Quental, marcada pela perfeita articulação entre forma e o sentido.

Os sonetos, ímpares em língua portuguesa, são de uma justeza verbal que permite a expansão do tormento existencial sem qualquer excesso, à semelhança do que acontece com a lírica de Camões.

Textos enxutos, plenos, poemas que são verdadeiros monumentos da literatura em qualquer tempo. Apesar de tecnicamente impecáveis, nem por isso os poemas da Antero são frios, duros, muito pelo contrário: dentro deles forças contraditórias buscam lugar e expressão, resultando em contemplação, filosofia, transcendentalidade, dor e metafísica.

Quatro décadas de pensamento romântico em Portugal (1825-1865) foram decisivamente abaladas, há mais de 120 anos, por alguns moços que ingressaram na Universidade de Coimbra pelos idos de 1860. Entre os que fizeram a virada do reinado do sentimentalismo contemplativo para a literatura de reflexão e de combate estava um jovem poeta, idealista, audacioso, Antero de Quental.

Esse importante poeta português – a quem alguns colocam no mesmo patamar de Camões e Fernando Pessoa – é praticamente ignorado no Brasil. A rememoração de sua e de sua obra é a qualquer momento oportuna, tanto mais que não é difícil flagrar entre grupos de estudantes universitários quem pergunte: “Mas quem é mesmo esse tal de Antero?”.

“Um gênio que era um santo”, disse dele Eça de Queirós, mas não cheguemos a tanto. Saibamos que Antero nasceu em Ponta Delgada, nos Açores, em 1842, e aí se suicidou em 1891, com dois tiros de pistola. Do nascimento à morte uma vida de retidão moral e de altitude intelectual que permitiu o surgimento de algumas das mais belas páginas da literatura em língua portuguesa. Isso explica a influência que exerceu no espírito dos moços de seu tempo. No in memoriam que os amigos lhe consagraram, manifestações de admiração ao poeta das Odes Modernas não faltaram – e das mais altas, das mais fundas. Guerra Junqueiro afirmou que nele havia em germe “um santo, um filósofo e um herói”.

Vida breve a do bardo, apregoador dos novos tempos, e defensor de idéias socialistas e de dignificação da poesia como instrumento para levar à reflexão o povo português. Pertenceu a uma geração esplêndida, numa época das mais ricas em termos de poesia e de efervescência cultural, bafejada pelos ventos do Evolucionismo, do Socialismo e do Positivismo.

Antero de Quental “quase desconhecido e, sobretudo desambicioso”, entre outras circunstâncias que pareceriam suficientes para o silenciar, revidou. O que estava sendo colocado em cheque, pela pena de Antero e pelo espírito inconformado dos alunos de Coimbra, era o conservantismo universitário, a assepsia, o mofo das produções românticas então em voga.

Oposição às doutrinas ultrapassadas: com apenas 23 anos de idade, Antero de Quental ateava fogo no conformismo e na monotonia do ultra-romantismo em Portugal, indignava-se, conclamava à verdade e à justiça e dizia que o que ofendia a estas duas damas eram as idéias mesquinhas que estavam por trás dos homens, o mal profundo “que as coisas apenas miseráveis representam”. Rechaçava Castilho. A este debate, que resultou em violentas cartas entre os dois contendores, e que envolveu mais tarde outros escritores – ora a favor de Antero; ora pedindo respeito à figura de Castilho – chamou-se de “Questão Coimbrã” ou “Questão do Bom Senso e do Bom Gosto”. A vitória ficou ao lado dos “revoltosos” liderados por Antero. Poderia ser diferente?

Mas sua ação política definitiva estava fadada ao malogro. Antero não conseguia unir a idéia fervilhante à atitude física capaz de concretizá-la plenamente. Era, no fundo, um espírito mais voltado às questões metafísicas, “queria o impossível, o exageradamente perfeito como idéia para ser concretizado como ação”. E o drama anteriano revolvia-se na bruma desse querer sem poder. O poeta, cessada a fúria da juventude e da paixão transformadora, debatia-se interiormente, construindo um texto onde metafísica e transcendentalismo estabeleciam morada.

O socialista desalojara o sentimentalismo em favor de uma poesia compromissada; o deísta profundo, à força das convicções de um apostolado social, dera as mãos ao materialista difuso. Essas forças contraditórias e a doença devassavam o seu íntimo.

Deus estava perdido como verdade emocional que se consuma pela fé. Restava, pelo intelecto, tentar alcançá-lo na curva do caminho, mas o poeta sabia que isso era impossível e que já não havia como retroceder, voltar às certezas. O suicídio surgiu talvez como alento, como forma de pôr fim ao impasse. Ficou a sua poesia, entranha, filosófica, dramática, única, a emoção cedendo lugar ao pensamento. Mas a razão não foi suficiente para apaziguar o santo Antero.


TORMENTO DO IDEAL

Conheci a Beleza que não morre
E fiquei triste. Como quem da serra
Mais alta que haja, olhando aos pés a terra
E o mar, vê tudo, a maior nau ou torre,

Minguar, fundir-se, sob a luz que jorre;
Assim eu vi o mundo e o que ele encerra
Perder a cor, bem como a nuvem que erra
Ao pôr do sol e sobre o mar discorre.

Pedindo à forma, em vão, a idéia pura,
Tropeço, em sombras, na matéria dura,
E encontro a imperfeição de quanto existe.

Recebi o batismo dos poetas,
E assentado entre as formas incompletas,
Para sempre fiquei pálido e triste.


IDEAL

Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios e nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas,
Da antiga Vênus de cintura estrita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruínas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...

É como uma miragem, que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do desejo...


SONETOS

“Não é lisonjeando o mau gosto e as péssimas idéias das maiorias, indo atrás delas, tomando por guia a ignorância e a vulgaridade, que se hão de produzir as idéias, as ciências, as crenças, os sentimentos de que a humanidade contemporânea precisa”

Antero de Quental



Conquista pois sozinho o teu futuro,
Já que os celestes guias te hão deixado,
Sobre uma terra ignota abandonado,
Homem – proscrito rei – mendigo escuro!

Se não tens que esperar do Céu (tão puro,
Mas tão cruel!) e o coração magoado
Sentes já de ilusões desenganado;

Ergue-te, então na majestade estóica
Duma vontade solitária e altiva,
Num esforço supremo de alma heróica!

Faze um templo dos muros da cadeia,
Pretendo a imensidade eterna e viva
No círculo de luz da tua Idéia!


O PALÁCIO DA AVENTURA

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura.
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!


À VIRGEM SANTÍSSIMA

(Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia)

Num sonho todo feito de incerteza,
De noturna e indizível ansiedade
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza...

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só do perdão, só ternura
E da paz da nossa hora derradeira...

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!


postado pelo professor Akailson Lennon (sábado, 23/01/10, 21:08)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Grandes Obras da Lingua Portuguesa

Da coleção de 12 clássicos da literatura brasileira, Noite na Taverna se revelou uma grande obra dentre as quais Álvares de Azevedo já escreveu. Veja a resenha e um pouco sobre o autor do livro abaixo:


Noite na Taverna

Amores proibidos e aventuras com tons macabros compõem esta obra. Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Herman e Johann estão em uma taverna a beber e a contar histórias. Conversam sobre noites de embriaguez, mulheres e orgias. Os cinco protagonistas e narradores de “Noite na Taverna” possuem traços em comum: são homens ébrios e devassos, que transitam pelo amor; pela morte e por toda forma de perdição humana.

Álvares de Azevedo

Como um verdadeiro mito, Manuel Antônio Álvares de Azevedo teve uma via cercada de lendas e mistérios. Com 20 anos e sete meses, ele estava morto. Tal qual uma estrela cadente, desapareceu repentinamente. Mas, enquanto esteve em vida, brilhou intensamente. Tanto que seu nome sobrevive até hoje como um dos maiores ícones da literatura brasileira.

O conjunto seleto de obras que deixou para a posteridade se tornou a referencia da Segunda Geração do Romantismo.

Esta obra faz parte da coleção “Grandes Obras da Língua Portuguesa”.


Por Alcimar.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Código Braille

Para compreendermos a origem do Código Braille, devemos nos reportar à vida de um brilhante jovem francês nascido no início do século XIX. Louis Braille vivia em Coupvray, um pequeno distrito localizado à cerca de 45 quilômetros da cidade de Paris. Quando tinha apenas três anos de idade, Louis sofreu um grave acidente quando manejava uma das ferramentas da oficina de seu pai. Por fim, o jovem Braille acabou perdendo a visão dos dois olhos.

Apesar da infeliz limitação, os pais de Braille decidiram mandá-lo para escola junto das outras crianças. Incapaz de enxergar e escrever, Braille desenvolveu a incrível capacidade de memorizar todas as lições repassadas por seus mestres. Graças ao seu notório desempenho escolar, acabou conseguindo ingressar em uma instituição de ensino para cegos administrada por Valentin Haüy. As possibilidades de aprimoramento intelectual de Braille pareciam cada vez mais viáveis.

Nessa escola, os textos eram adaptados de forma que as letras eram impressas em alto relevo. Apesar de funcional, o método exigia a confecção de livros pesados e grandes. Além disso, o tempo gasto para a leitura de qualquer material era bastante extenso. Em razão dessas dificuldades, o instituto de Valentin sempre estava à procura de novos métodos que pudessem facilitar a vida e o acesso à informação dos deficientes visuais.

Sob tal contexto, o capitão de artilharia Charles Barbier de la Serre apresentou um método conhecido como “sonografia” ou “escrita noturna”. Nesse novo sistema, o usuário utilizava um código feito em pontos que poderia ser lido com a ponta dos dedos. Apesar de oferecer várias facilidades, o código apresentado por Barbier apresentava dois sérios problemas: era complexo demais para ser memorizado e os símbolos usados não permitiam a soletração das palavras.

Nesse meio tempo, Braille conheceu a jovem Teresa von Paradise, que lhe apresentou o mundo da música. Por meio dos esforços de Teresa, que também era cega, foi idealizado um aparelho que permitia a leitura e a composição de partituras para piano. Interessado por essa novidade, Braille se tornou organista, violoncelista e, logo em seguida, foi aceito como músico na Igreja Santa Ana de Paris. Sua incrível habilidade musical lhe concedeu apresentações nas mais famosas casas de concerto da cidade.

Em um desses concertos, Braille acabou conhecendo Alphonse Thibaud, conselheiro comercial do Estado francês. Durante uma conversa informal, Thibaud perguntou ao jovem músico se ele não estaria disposto a criar um método que permitisse os cegos lerem e escreverem. Após refutar tal proposta, pensando que isso só poderia ser feito por alguém que enxergasse, Braille passou a se empolgar com esse projeto desafiador.

Após três anos de pesquisa e experimentos, Louis Braille estabeleceu um novo sistema de escrita e leitura para cegos. No ano de 1829, publicou esse novo código no livro “Processo para escrever as palavras, a música e o canto-chão, por meio de pontos, para uso dos cegos e dispostos para eles”. Em 1852, Braille faleceu sem ter a oportunidade de ver seu trabalho amplamente reconhecido.

O código Braille é composto por uma combinação de pontos dispostos em uma célula de três linhas e duas colunas. Por meio da combinação destes símbolos, o deficiente visual pode realizar a leitura e a escrita de qualquer tipo de texto. Em situações mais simples, o texto em Braille pode ser produzido com a utilização de uma régua especial e um estilete que registra os pontos em uma base que marca os lugares marcados.

Atualmente, existem máquinas de escrever adaptadas para a confecção de textos em Braille e computadores que conseguem transformar um simples comando de voz em um texto adaptado a esse mesmo código. Sem dúvida, o sistema Braille abriu um campo de possibilidades que irrompe com as limitações impostas pelo corpo. Mesmo sem a visão do mundo material, os cegos podem produzir conhecimento, realizar projetos e, principalmente, sentir o mundo à sua maneira.


Por Rainer Sousa

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

FELIZ 2010

Queria eu poder tocar no coração de toda criatura viva na terra, e poder plantar no coração de cada um: o sentimento de amor, a capacidada de perdoar e derramar em cada vida a paz e a felicidade até a eternidade. Mas, como não tenho esse poder, segue um belo pensamento do eternizado C. Chaplin:

"Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.
Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante."

Do livro Vida e Pensamento de CHARLES CHAPLIN
Por Alcimar

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Dicas de Estudo

A Equipe Brasil Escola dá muito valor no conteúdo publicado para que você, estudante, possa ter acesso a um material de qualidade que o ajude nos trabalhos escolares. No entanto, também estamos atentos à forma como vocês estão utilizando nossos artigos e queremos que o rendimento do estudo seja o melhor possível.

Nesta seção, você terá acesso a excelentes dicas de como estudar, como ler bem, como produzir um bom trabalho, como educar a memória e como fazer bons resumos. O mais importante é saber que é preciso estudar todos os dias e que, seguindo este conselho, você perceberá que não precisará sacrificar os fins-de-semana, muito menos os feriados.

Dormir ao menos oito horas todos os dias (ininterruptas, ok? Nada de dormir três horas à tarde, outras duas à noite...) e estabelecer técnicas de concentração para estudar são boas maneiras de se manter atualizado com o conteúdo ministrado pelos professores.

E por fim, manter uma vida saudável é essencial não só para conseguir estudar, mas também para ter uma excelente qualidade de vida. Praticar exercícios, sair com os amigos, viajar nas férias e se afastar de todos os vícios – inclusive o cafezinho – são boas maneiras de manter sua mente disposta para todo o “batidão” que vem aí com o vestibular.

E agora, não deixe de ler todas essas dicas mais aprofundadas nos links abaixo! Bons estudos!

Por Marla Rodrigues
Equipe Brasil Escola

A origem popular de certas expressões brasileiras

Quando se trata da linguagem informal, percebemos que certas expressões já se incorporaram ao vocabulário dos falantes, parece tudo tão automático, que muitas vezes as proferimos sem ao menos entendermos o verdadeiro significado. Mas que tal sabermos a origem das mesmas, a fim de que possamos enriquecer nossos conhecimentos sobre a linguagem?

Remontando aos tempos pré-modernos, havia uma expressão muito usual entre os casais que queriam sentir-se mais à vontade sem que ninguém estivesse segurando a vela.

Pois bem, esta expressão “Segurar Vela” remonta um passado bastante histórico. Quando não existiam lâmpadas, a principal fonte de luz eram as velas.

Não era hábito incomum, na época, os trabalhadores braçais as segurarem para que seu senhor enxergasse o que estava fazendo.

Nos recintos abertos ao público à noite, como teatros, meninos acendiam e seguravam velas para iluminar o palco.

Em obscuros tempos medievais, um criado da casa tinha singular e discreta obrigação: a de segurar um candeeiro para iluminar as relações sexuais dos patrões, entretanto, o criados deveria ficar de costas para não ver os folguedos e, assim não invadir a privacidade do casal - embora pudesse escutar gemidos e grunhidos, sons da própria alcova. O grotesco procedimento caiu em desuso, obviamente, após a invenção da eletricidade.

Caso fôssemos associar esta expressão à modernidade atual, ela certamente se restringiria ao universo das gírias, como sendo aquela pessoa que não é bem aceita, que “embaça” a convivência.

Outra expressão é Vira-Lata - que retrata aquele cachorro se pedigree, o mais baixo representante da raça canina, que vive na rua revirando lixo a procura de comida, sem ter ninguém que se interesse por ele.

Por volta da década de 40, Carlito Rocha, então presidente do Botafogo - Rio, encantou-se com um vira-lata malhado de preto e branco, as cores do alvinegro carioca.

Ele transformou Biriba no mascote do clube,e a lenda conta que o animal ajudou o time a levantar o título de 1948, com só uma derrota - para o São Cristóvão, por 4X0, logo no primeiro jogo do campeonato.

Pode ser lenda, mas tem pessoas que acreditam...

Coroa - É um termo jocoso atribuído a pessoas com mais de 40 anos. Mas a expressão vem do latim corona, círculo, roda.

Em termos físicos, é o ornamento de formato circular usado sobre a cabeça como símbolo de poder e legitimidade - até mesmo em concursos de beleza.

É a tonsura circular usada por sacerdotes na parte superior da cabeça, o círculo luminoso que se forma ao redor do Sol ou da Lua em decorrência da modificação da luz na atmosfera úmida.

A parte do dente revestida de esmalte, o arranjo floral sobre o túmulo e o ornamento que arremata o topo de um edifício, seu coroamento.

Perceberam quantas acepções? Porém, nenhuma analogia com a figura humana com mais de 40anos, não é mesmo?

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

A linguagem abreviada dos internautas remonta um passado histórico


Com o advento da tecnologia, tornou-se muito usual as abreviaturas no que se refere à linguagem dos internautas. Tal prática não é bem aceita por estudiosos da língua, nem tão pouco pela maioria de educadores, pois quando se trata da linguagem formal, a mesma interfere na qualidade da escrita.

Mas você sabia que essa prática remonta tempos antigos?

Desde os primeiros séculos da história do Brasil havia a abreviatura de documentos, e dentre os fatores que contribuíam para esta ocorrência estavam: a falta de recursos em adquirir materiais, como tintas, papéis e plumas, em razão da distância entre Portugal e a colônia, e a ausência de um sistema ortográfico oficial para a língua portuguesa.

Com isso, a melhor opção era abreviar as palavras, em virtude da praticidade do ato frente à escrita de textos produzidos à mão.

Mesmo quando surgiram os primeiros documentos impressos, ainda no século XVII, com a chegada da família real portuguesa, as abreviaturas não deixaram de existir em razão dos altos preços dos materiais utilizados na impressão.

Isto dificulta o trabalho de pesquisadores em decifrar manuscritos antigos.

Para que possamos compreender melhor, um exemplo destas dificuldades é a letra ”P”, que quando grafada isoladamente possui até 50 significados identificados, desde as unidades de medidas, como “pé” e “polegada”, até os nomes próprios, como “Paulo” e “Pedro”.

Vejamos agora outros exemplos das abreviaturas coloniais:

X- Essa letra, na sua forma maiúscula, era empregada para designar “Cristo”.

7.bro e 8.bro - Essas abreviaturas serviam para grafar os nomes dos meses de setembro e outubro, muito semelhante ao modelo atual encontrado nas salas de bate -papo.

Vm - Hoje é muito comum colocar “vc” para abreviar você, e naqueles tempos era para designar “vossa mercê”.

Onra e Sõra - Abreviaturas de senhora.

Hoje, a constante repetição de termos em correspondências oficiais e empresariais é muito usual, como é o caso de Cia., Ltda.(abreviação de Companhia Limitada).

Em virtude disso, já existem órgãos responsáveis por padronizar as normas de abreviação para os textos oficiais, que é a ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas).

Como já foi mencionado anteriormente, o assunto gera polêmica entre muitas pessoas, entretanto, um estudo realizado pela pesquisadora Carla Jeanny Fusca, da Universidade Estadual Paulista, mostrou que o hábito de os internautas utilizarem uma linguagem reduzida para se comunicarem em tempo real não afeta o desempenho linguístico quando se trata de textos escritos, os mesmos apenas fazem a distinção entre a “situação contextual” em que estão inseridos, levando em consideração o perfil dos interlocutores envolvidos.

Não só na Internet se dá essa prática, mas também no uso de celulares no que se restringe ao envio de mensagens como torpedos e SMS, em que a abreviatura significa economia linguística e também financeira.

Diante disso, resta-nos concluir que em comparação com os tempos coloniais, apenas houve um método mais moderno de implementação, mas a técnica continua a mesma.


Vânia Duarte, Graduada em Letras, Brasil Escola

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Literatura Portuguesa nos séculos XVIII e XIX

Séculos XVIII e XIX

O século XVII se transformou gradualmente na revolução literária que seria o romantismo. As idéias liberais do estrangeiro empaparam todas as disciplinas das letras e a aprendizagem. João B. de Almeida Garrett, o máximo expoente do romantismo francês, influiu enormemente a geração de poetas, dramaturgos e novelistas de época.

Um grupo de poetas dissidentes entre os que se encontravam: Antero de Quental, Teófilo Braga e Abílio Manuel Guerra Junqueiro, se revelaram contra o romantismo e incluiram em suas obras idéias sociais e filosóficas. José Maria Eça de Queiroz introduziu o realismo na novela e sentou as bases do seguinte meio século. A historiogafia mais narrativa que científica floresceu ao mesmo tmepo, Joquim P. de Oliveira Martins foi um dos escritores mais populares deste gênero.

Século XX

O Período moderno das letras portuguesas data do estabelecimento da república em 1910. Os escritores mais tardios foram mais sensíveis como desenvolvimento de outros países. Fernando Pessoa, grande desconhecido em vida, seria mais tarde aclamado como o melhor poeta moderno portugues e José Régio sobressaiu como poéta e teatrólogo.

A principios dos anos 70 os círculos literários portugueses se viram surpreendidos pela publicação de uma coleção de notas, histórias, cartas e poemas de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Estes volumes tiveram proibido por sua natureza erótica e feminista; voltaram as uras em abril de 74 depois do fracasso da ditadura de Salazar. Na última parte do século XX, a literatura portuguesa cresceu na África: Na Ángola, o poeta Agustinho Neto e o novelista Ludiano Vieira; em Mozanbique, o novelista Luís Bernardo Howana; e em Cabo Verde os novelista.

FONTE: http://www.linguaportuguesa.biz/portuguese/literature.asp

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Simbolismo

O precursor do Simbolismo é o francês Charles Baudelaire com a publicação de “As Flores do Mal”, em 1857. O Simbolismo surgiu em meio à divisão social entre as classes burguesa e a proletária, as quais surgiram com o avanço tecnológico advindo da Revolução Industrial.

O mundo estava em processo de mudanças econômicas, enquanto o Brasil passava por guerras civis como a Revolução Federalista e a Revolta da Armada, nos anos compreendidos entre 1893 a 1895.

Há um clima de grande desordem social, política e econômica nesse período de transição do século XIX para o século XX. As potências estão em guerra pelo poderio econômico dos mercados consumidores e dos fornecedores de matéria-prima, ao passo que no Brasil eclodiam as revoltas sociais.


O Simbolismo é a estética literária do final do século XIX em oposição ao Realismo e teve início no Brasil em 1893, com a publicação de “Missal” e “Broquéis”, obras de autoria de Cruz e Sousa. Teve seu fim com a Semana de Arte Moderna, que foi o marco do início do Modernismo.

O Simbolismo não é considerado uma escola literária, já que nesse período havia três manifestações literárias em confronto: o Realismo, o Simbolismo e o Pré-Modernismo.

Podemos diferenciar a estética poética simbólica da parnasiana, bem como da realista, no quesito de temas abordados: negação do materialismo, cientificismo e racionalismo do período do Realismo, busca ao interior do homem, da sua essência, uso de sinestesias, aliterações, musicalidade, além das dicotomias alma e corpo, matéria e espírito.

No período do Simbolismo podemos destacar os escritores Eugênio de Castro e Cruz e Souza.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

Parnasianismo

O Parnasianismo surgiu na França em oposição às escolas literárias Realismo e Naturalismo, opondo-se à prosa, já que foi um movimento essencialmente poético.
A escola teve influência da doutrina “arte pela arte” apresentada por Théophile Gautier, poeta e crítico literário francês, ainda no período do Romantismo.
A teoria da “arte pela arte” ressalta o belo e o refinamento através da autonomia da arte alheia à realidade.
O nome da escola vem do termo grego “Parnassus”, o qual indica o lugar mitológico onde as musas moravam.
A denominação da escola literária se deve também à primeira publicação parnasiana, intitulada “Le parnasse contemporain”, a qual apresenta as seguintes características: linguagem descritiva, formas clássicas (rima, métrica), indiferença. Os fundamentos parnasianos retomaram a perfeição formal almejada pela Antiguidade clássica.
As características do Parnasianismo são completamente opostas às realistas-naturalistas.

Vejamos:


Arte pela arte: sem influências da realidade nas formas ou conteúdos.

Objetividade: em oposição ao sentimentalismo exacerbado.

Culto da forma: ao contrário do descuido formal dos românticos

Impessoalidade: negação ao sentimentalismo romântico.

Racionalismo: surge a poesia de meditação, filosófica.

Visão carnal do amor: em oposição à visão espiritual dos românticos. Vênus é citada como modelo de mulher.


Além dos aspectos expostos acima, podemos citar o universalismo temático, o qual generaliza a temática, aborda temas universais em oposição ao individualismo dos romancistas.

Por Sabrina Vilarinho, graduada em Letras - Brasil Escola

O trema

Muitos pensam que o trema não existe mais. De fato, está em andamento um acordo ortográfico para unificar a grafia da língua portuguesa nos sete países em que ela é falada oficialmente. Se esse acordo entrar em vigor um dia, o trema desaparecerá. Enquanto isso não acontece, o trema existe e deve ser usado.

O trema faz parte do sistema ortográfico vigente e é empregado quando a letra "u" é pronunciada atonamente nos grupos "qüe", "qüi", "güe" e "güi". Um exemplo claro e muito conhecido é a palavra "cinqüenta". Confira a grafia nas cédulas de cinqüenta reais.


Já no título da canção "Eu não agüento", dos Titãs, aparece um verbo que nem sempre é corretamente grafado. Vejamos um trecho da letra:

Eu vou-me embora para a ilha
fazer a cabeça sob o sol que irradia
queimando em ritual.
É na batida do reggae
e com o cabelo trançado
eu tô livre na vida
e o que há de errado
com a noite que brilha?
Eu não agüento, eu não agüento
Eu não agüento, eu não agüento
é de noite, é de dia
mão na cabeça e documento.

Se você quer escrever "agüento" seguindo a norma culta da língua, use o trema. Observe que a tonicidade não está na vogal "u", mas na vogal "e". Assim, por ser átono e ao mesmo tempo sonoro, o "u" deve levar trema nesse caso.

Outra canção, "Saudade de Casa", de Ivan Lins e Vítor Martins, traz uma palavra com relação à qual muitos têm dúvida:

Quero tudo como antes:
nossa casa aconchegante
eu bem dentro dos seus olhos
Seu morador.
Eu tranqüilo ao seu lado
Onde quer que esteja, lá está
O mais belo e bem cuidado amor

A letra dessa canção contém a palavra "tranqüilo". De acordo com as normas ortográficas vigentes, a letra "u" deve, sim, receber o sinal trema.

Há uma palavra muito interessante que, normalmente, as pessoas pronunciam de forma errada: "qüiproquó". "Qüiproquó" é uma expressão latina que significa "confusão". O trema deve aparecer no primeiro "u". O segundo "u" não está em nenhum dos grupos que exigem esse sinal.

Mesmo que parte da imprensa não o use e muita gente já tenha se esquecido dele, continue usando o sinalzinho, sempre quando a letra "u" for sonora e precedida de "g" ou "q".

AS MULHERES DA LITERATURA POTIGUAR

Confesso que fui meio irresponsável ao não planejar nada para homenagear as mulheres neste histórico dia 08 de março. Mas também não sou muito ligado a isso de datas comemorativas. Acredito que todas estas datas instiutuídas existam apenas para duas coisas (i) rememorar as tragédias ou (ii) serem subvertidas à lógica capitalista que usa delas a título de aumentar o consumismo. No caso do Dia Internacional da mulher ocorre o primeiro caso que se desdobra noutro aspecto, o de ser um dia de luta em que elas, as mulheres, ainda se colocam na posição da necessidade de espaço. Todos os direitos que elas conquistaram parecem aos seus olhos como que inválidos, uma vez que esta necessidade por espaço ainda é algo inerente. Antes de brigarem por espaço, acredito que este fenômeno machista já tornou-se algo mais que cultural, é "genético" socialmente e, dificilmente haverá plenitude como elas sonham; deveriam elas lutarem pela validade dos direitos.

...

Mas politicagens à parte, se é de espaço que elas reclamam, este ficará dedicado às mulheres, que fazem a literatura de nosso estado.

I

Nísia Floresta. Educadora, escritora e poetisa, Nísia representa o ufanismo de sua própria época e uma necessidade de se auto-afirmar enquanto mulher haja vista seus ideiais estarem anos-luz do nosso Estado porque ela os trazia da Europa, onde passou maior parte de sua vida.

III

Depois Auta de Souza, que com sua vida breve, produziu versos singulares no corpo da literatura potiguar. "Auta de Souza, é veemente exemplo de como o talento e a força de vontade superam dificuldades aparentemente insanáveis" (GURGEL, 2001, p. 46) Não apenas o carácter feminino que dão traços à poetisa, mas Auta constitui o típico físico, pele escura e desprovida de beleza, que na sociedade em que viveu, idos Novecentos, "nenhum dos três predicados contaria a seu favor" (GURGEL, 2001, p. 46).

IV

Palmira Wanderley. A importância da poetisa encerra no fato de que "ela representa a consolidação do verso modernista entre nós". (GURGEL, 2001, p. 52)

V

Zila Mamede. De jornalista, a poetisa nas horas vagas, bibliotecária por profissão, Zila com sua obra e sua carreira intelectual carregam um nome que a faz ser admirada por todos que a conhecem.

VI

Myriam Coeli, poetisa e primeira mulher no estado a exercer como profissional a profissão de jornalista. Seu universo poético em "versos límpidos" se marca pela "ternura, vigor, metafísica e cotidiano, dor e lúcida revolta" (GURGEL, 2001, p. 99).

VII

Madalena Antunes Pereira. Sua obra carrega uma qualidade literária e excepcional e se coloca como marco na produção em prosa por mulheres no estado. Cearaminiense, Madalena Antunes e seu Oiteiro se coloca entre os maiores expontes da intelectualidade literária de nosso estado.

VIII

Marize Castro, a poetisa que, no Estado, inaugura uma nova etapa da produção poético-literária: o da poesia mimeógrafo, ou poesia marginal. Marize carrega em sua obra a marca da ousadia no trato com a matéria poética, "uma poesia que afrontava as convenções e falsos moralismos" (GURGEL, 2001, p. 139).

IX

Contabilizando esse rol de figuras mais que importantes no cenário das letras potiguares, não podemos deixar de reservar espaço para Nivaldete Ferreira, a poetisa da grande sensibilidade, mas também da aridez e contenção do verso. Traços cabralianos e mamedianos.

X

Clotildde Tavares, autora do mais autêntico livro da geração contracultural da poesia potiguar, consoante Tarcísio Gurgel.

XI

Diva Cunha, a menina dos remorsos fé e mundano.

XII

Iracema Machado e muitas outras que lembradas ou não merecem a devida atenção, porque nelas se encerra um grau elevável e louvável de contribuição a este cenário. Todas elas carregam em si singularidades que as fazem servir de modelo de vida no foram e ainda são na sociedade.


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referências: GURGEL, Tarcísio. Informação da literatura potiguar. Natal, RN: Argos, 2001.