sábado, 23 de janeiro de 2010
Antero de Quental - conteúdo da aula do dia 04/02/10 LITERATURA PORTUGUESA
Literatura de natureza cerebral, densa, onde a emoção cede lugar ao pensamento. Assim transcorre a poesia do português Antero de Quental, marcada pela perfeita articulação entre forma e o sentido.
Os sonetos, ímpares em língua portuguesa, são de uma justeza verbal que permite a expansão do tormento existencial sem qualquer excesso, à semelhança do que acontece com a lírica de Camões.
Textos enxutos, plenos, poemas que são verdadeiros monumentos da literatura em qualquer tempo. Apesar de tecnicamente impecáveis, nem por isso os poemas da Antero são frios, duros, muito pelo contrário: dentro deles forças contraditórias buscam lugar e expressão, resultando em contemplação, filosofia, transcendentalidade, dor e metafísica.
Quatro décadas de pensamento romântico em Portugal (1825-1865) foram decisivamente abaladas, há mais de 120 anos, por alguns moços que ingressaram na Universidade de Coimbra pelos idos de 1860. Entre os que fizeram a virada do reinado do sentimentalismo contemplativo para a literatura de reflexão e de combate estava um jovem poeta, idealista, audacioso, Antero de Quental.
Esse importante poeta português – a quem alguns colocam no mesmo patamar de Camões e Fernando Pessoa – é praticamente ignorado no Brasil. A rememoração de sua e de sua obra é a qualquer momento oportuna, tanto mais que não é difícil flagrar entre grupos de estudantes universitários quem pergunte: “Mas quem é mesmo esse tal de Antero?”.
“Um gênio que era um santo”, disse dele Eça de Queirós, mas não cheguemos a tanto. Saibamos que Antero nasceu em Ponta Delgada, nos Açores, em 1842, e aí se suicidou em 1891, com dois tiros de pistola. Do nascimento à morte uma vida de retidão moral e de altitude intelectual que permitiu o surgimento de algumas das mais belas páginas da literatura em língua portuguesa. Isso explica a influência que exerceu no espírito dos moços de seu tempo. No in memoriam que os amigos lhe consagraram, manifestações de admiração ao poeta das Odes Modernas não faltaram – e das mais altas, das mais fundas. Guerra Junqueiro afirmou que nele havia em germe “um santo, um filósofo e um herói”.
Vida breve a do bardo, apregoador dos novos tempos, e defensor de idéias socialistas e de dignificação da poesia como instrumento para levar à reflexão o povo português. Pertenceu a uma geração esplêndida, numa época das mais ricas em termos de poesia e de efervescência cultural, bafejada pelos ventos do Evolucionismo, do Socialismo e do Positivismo.
Antero de Quental “quase desconhecido e, sobretudo desambicioso”, entre outras circunstâncias que pareceriam suficientes para o silenciar, revidou. O que estava sendo colocado em cheque, pela pena de Antero e pelo espírito inconformado dos alunos de Coimbra, era o conservantismo universitário, a assepsia, o mofo das produções românticas então em voga.
Oposição às doutrinas ultrapassadas: com apenas 23 anos de idade, Antero de Quental ateava fogo no conformismo e na monotonia do ultra-romantismo em Portugal, indignava-se, conclamava à verdade e à justiça e dizia que o que ofendia a estas duas damas eram as idéias mesquinhas que estavam por trás dos homens, o mal profundo “que as coisas apenas miseráveis representam”. Rechaçava Castilho. A este debate, que resultou em violentas cartas entre os dois contendores, e que envolveu mais tarde outros escritores – ora a favor de Antero; ora pedindo respeito à figura de Castilho – chamou-se de “Questão Coimbrã” ou “Questão do Bom Senso e do Bom Gosto”. A vitória ficou ao lado dos “revoltosos” liderados por Antero. Poderia ser diferente?
Mas sua ação política definitiva estava fadada ao malogro. Antero não conseguia unir a idéia fervilhante à atitude física capaz de concretizá-la plenamente. Era, no fundo, um espírito mais voltado às questões metafísicas, “queria o impossível, o exageradamente perfeito como idéia para ser concretizado como ação”. E o drama anteriano revolvia-se na bruma desse querer sem poder. O poeta, cessada a fúria da juventude e da paixão transformadora, debatia-se interiormente, construindo um texto onde metafísica e transcendentalismo estabeleciam morada.
O socialista desalojara o sentimentalismo em favor de uma poesia compromissada; o deísta profundo, à força das convicções de um apostolado social, dera as mãos ao materialista difuso. Essas forças contraditórias e a doença devassavam o seu íntimo.
Deus estava perdido como verdade emocional que se consuma pela fé. Restava, pelo intelecto, tentar alcançá-lo na curva do caminho, mas o poeta sabia que isso era impossível e que já não havia como retroceder, voltar às certezas. O suicídio surgiu talvez como alento, como forma de pôr fim ao impasse. Ficou a sua poesia, entranha, filosófica, dramática, única, a emoção cedendo lugar ao pensamento. Mas a razão não foi suficiente para apaziguar o santo Antero.
TORMENTO DO IDEAL
Conheci a Beleza que não morre
E fiquei triste. Como quem da serra
Mais alta que haja, olhando aos pés a terra
E o mar, vê tudo, a maior nau ou torre,
Minguar, fundir-se, sob a luz que jorre;
Assim eu vi o mundo e o que ele encerra
Perder a cor, bem como a nuvem que erra
Ao pôr do sol e sobre o mar discorre.
Pedindo à forma, em vão, a idéia pura,
Tropeço, em sombras, na matéria dura,
E encontro a imperfeição de quanto existe.
Recebi o batismo dos poetas,
E assentado entre as formas incompletas,
Para sempre fiquei pálido e triste.
IDEAL
Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios e nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas,
Da antiga Vênus de cintura estrita...
Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruínas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...
A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...
É como uma miragem, que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do desejo...
SONETOS
“Não é lisonjeando o mau gosto e as péssimas idéias das maiorias, indo atrás delas, tomando por guia a ignorância e a vulgaridade, que se hão de produzir as idéias, as ciências, as crenças, os sentimentos de que a humanidade contemporânea precisa”
Antero de Quental
Conquista pois sozinho o teu futuro,
Já que os celestes guias te hão deixado,
Sobre uma terra ignota abandonado,
Homem – proscrito rei – mendigo escuro!
Se não tens que esperar do Céu (tão puro,
Mas tão cruel!) e o coração magoado
Sentes já de ilusões desenganado;
Ergue-te, então na majestade estóica
Duma vontade solitária e altiva,
Num esforço supremo de alma heróica!
Faze um templo dos muros da cadeia,
Pretendo a imensidade eterna e viva
No círculo de luz da tua Idéia!
O PALÁCIO DA AVENTURA
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura.
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d’ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!
À VIRGEM SANTÍSSIMA
(Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia)
Num sonho todo feito de incerteza,
De noturna e indizível ansiedade
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...
Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza...
Um místico sofrer... uma ventura
Feita só do perdão, só ternura
E da paz da nossa hora derradeira...
Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!
postado pelo professor Akailson Lennon (sábado, 23/01/10, 21:08)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Grandes Obras da Lingua Portuguesa
Da coleção de 12 clássicos da literatura brasileira, Noite na Taverna se revelou uma grande obra dentre as quais Álvares de Azevedo já escreveu. Veja a resenha e um pouco sobre o autor do livro abaixo:
Noite na Taverna
Amores proibidos e aventuras com tons macabros compõem esta obra. Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Herman e Johann estão em uma taverna a beber e a contar histórias. Conversam sobre noites de embriaguez, mulheres e orgias. Os cinco protagonistas e narradores de “Noite na Taverna” possuem traços em comum: são homens ébrios e devassos, que transitam pelo amor; pela morte e por toda forma de perdição humana.
Álvares de Azevedo
Como um verdadeiro mito, Manuel Antônio Álvares de Azevedo teve uma via cercada de lendas e mistérios. Com 20 anos e sete meses, ele estava morto. Tal qual uma estrela cadente, desapareceu repentinamente. Mas, enquanto esteve em vida, brilhou intensamente. Tanto que seu nome sobrevive até hoje como um dos maiores ícones da literatura brasileira.
O conjunto seleto de obras que deixou para a posteridade se tornou a referencia da Segunda Geração do Romantismo.
Esta obra faz parte da coleção “Grandes Obras da Língua Portuguesa”.
Por Alcimar.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Código Braille
Para compreendermos a origem do Código Braille, devemos nos reportar à vida de um brilhante jovem francês nascido no início do século XIX. Louis Braille vivia em Coupvray, um pequeno distrito localizado à cerca de 45 quilômetros da cidade de Paris. Quando tinha apenas três anos de idade, Louis sofreu um grave acidente quando manejava uma das ferramentas da oficina de seu pai. Por fim, o jovem Braille acabou perdendo a visão dos dois olhos.
Apesar da infeliz limitação, os pais de Braille decidiram mandá-lo para escola junto das outras crianças. Incapaz de enxergar e escrever, Braille desenvolveu a incrível capacidade de memorizar todas as lições repassadas por seus mestres. Graças ao seu notório desempenho escolar, acabou conseguindo ingressar em uma instituição de ensino para cegos administrada por Valentin Haüy. As possibilidades de aprimoramento intelectual de Braille pareciam cada vez mais viáveis.
Nessa escola, os textos eram adaptados de forma que as letras eram impressas em alto relevo. Apesar de funcional, o método exigia a confecção de livros pesados e grandes. Além disso, o tempo gasto para a leitura de qualquer material era bastante extenso. Em razão dessas dificuldades, o instituto de Valentin sempre estava à procura de novos métodos que pudessem facilitar a vida e o acesso à informação dos deficientes visuais.
Sob tal contexto, o capitão de artilharia Charles Barbier de la Serre apresentou um método conhecido como “sonografia” ou “escrita noturna”. Nesse novo sistema, o usuário utilizava um código feito em pontos que poderia ser lido com a ponta dos dedos. Apesar de oferecer várias facilidades, o código apresentado por Barbier apresentava dois sérios problemas: era complexo demais para ser memorizado e os símbolos usados não permitiam a soletração das palavras.
Nesse meio tempo, Braille conheceu a jovem Teresa von Paradise, que lhe apresentou o mundo da música. Por meio dos esforços de Teresa, que também era cega, foi idealizado um aparelho que permitia a leitura e a composição de partituras para piano. Interessado por essa novidade, Braille se tornou organista, violoncelista e, logo em seguida, foi aceito como músico na Igreja Santa Ana de Paris. Sua incrível habilidade musical lhe concedeu apresentações nas mais famosas casas de concerto da cidade.
Em um desses concertos, Braille acabou conhecendo Alphonse Thibaud, conselheiro comercial do Estado francês. Durante uma conversa informal, Thibaud perguntou ao jovem músico se ele não estaria disposto a criar um método que permitisse os cegos lerem e escreverem. Após refutar tal proposta, pensando que isso só poderia ser feito por alguém que enxergasse, Braille passou a se empolgar com esse projeto desafiador.
Após três anos de pesquisa e experimentos, Louis Braille estabeleceu um novo sistema de escrita e leitura para cegos. No ano de 1829, publicou esse novo código no livro “Processo para escrever as palavras, a música e o canto-chão, por meio de pontos, para uso dos cegos e dispostos para eles”. Em 1852, Braille faleceu sem ter a oportunidade de ver seu trabalho amplamente reconhecido.
O código Braille é composto por uma combinação de pontos dispostos em uma célula de três linhas e duas colunas. Por meio da combinação destes símbolos, o deficiente visual pode realizar a leitura e a escrita de qualquer tipo de texto. Em situações mais simples, o texto em Braille pode ser produzido com a utilização de uma régua especial e um estilete que registra os pontos em uma base que marca os lugares marcados.
Atualmente, existem máquinas de escrever adaptadas para a confecção de textos em Braille e computadores que conseguem transformar um simples comando de voz em um texto adaptado a esse mesmo código. Sem dúvida, o sistema Braille abriu um campo de possibilidades que irrompe com as limitações impostas pelo corpo. Mesmo sem a visão do mundo material, os cegos podem produzir conhecimento, realizar projetos e, principalmente, sentir o mundo à sua maneira.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
FELIZ 2010
"Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.
Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante."
Do livro Vida e Pensamento de CHARLES CHAPLIN
Por Alcimar
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Dicas de Estudo
Nesta seção, você terá acesso a excelentes dicas de como estudar, como ler bem, como produzir um bom trabalho, como educar a memória e como fazer bons resumos. O mais importante é saber que é preciso estudar todos os dias e que, seguindo este conselho, você perceberá que não precisará sacrificar os fins-de-semana, muito menos os feriados.
Dormir ao menos oito horas todos os dias (ininterruptas, ok? Nada de dormir três horas à tarde, outras duas à noite...) e estabelecer técnicas de concentração para estudar são boas maneiras de se manter atualizado com o conteúdo ministrado pelos professores.
E por fim, manter uma vida saudável é essencial não só para conseguir estudar, mas também para ter uma excelente qualidade de vida. Praticar exercícios, sair com os amigos, viajar nas férias e se afastar de todos os vícios – inclusive o cafezinho – são boas maneiras de manter sua mente disposta para todo o “batidão” que vem aí com o vestibular.
E agora, não deixe de ler todas essas dicas mais aprofundadas nos links abaixo! Bons estudos!
Por Marla Rodrigues
Equipe Brasil Escola
A origem popular de certas expressões brasileiras
Remontando aos tempos pré-modernos, havia uma expressão muito usual entre os casais que queriam sentir-se mais à vontade sem que ninguém estivesse segurando a vela.
Pois bem, esta expressão “Segurar Vela” remonta um passado bastante histórico. Quando não existiam lâmpadas, a principal fonte de luz eram as velas.
Não era hábito incomum, na época, os trabalhadores braçais as segurarem para que seu senhor enxergasse o que estava fazendo.
Nos recintos abertos ao público à noite, como teatros, meninos acendiam e seguravam velas para iluminar o palco.
Em obscuros tempos medievais, um criado da casa tinha singular e discreta obrigação: a de segurar um candeeiro para iluminar as relações sexuais dos patrões, entretanto, o criados deveria ficar de costas para não ver os folguedos e, assim não invadir a privacidade do casal - embora pudesse escutar gemidos e grunhidos, sons da própria alcova. O grotesco procedimento caiu em desuso, obviamente, após a invenção da eletricidade.
Caso fôssemos associar esta expressão à modernidade atual, ela certamente se restringiria ao universo das gírias, como sendo aquela pessoa que não é bem aceita, que “embaça” a convivência.
Outra expressão é Vira-Lata - que retrata aquele cachorro se pedigree, o mais baixo representante da raça canina, que vive na rua revirando lixo a procura de comida, sem ter ninguém que se interesse por ele.
Por volta da década de 40, Carlito Rocha, então presidente do Botafogo - Rio, encantou-se com um vira-lata malhado de preto e branco, as cores do alvinegro carioca.
Ele transformou Biriba no mascote do clube,e a lenda conta que o animal ajudou o time a levantar o título de 1948, com só uma derrota - para o São Cristóvão, por 4X0, logo no primeiro jogo do campeonato.
Pode ser lenda, mas tem pessoas que acreditam...
Coroa - É um termo jocoso atribuído a pessoas com mais de 40 anos. Mas a expressão vem do latim corona, círculo, roda.
Em termos físicos, é o ornamento de formato circular usado sobre a cabeça como símbolo de poder e legitimidade - até mesmo em concursos de beleza.
É a tonsura circular usada por sacerdotes na parte superior da cabeça, o círculo luminoso que se forma ao redor do Sol ou da Lua em decorrência da modificação da luz na atmosfera úmida.
A parte do dente revestida de esmalte, o arranjo floral sobre o túmulo e o ornamento que arremata o topo de um edifício, seu coroamento.
Perceberam quantas acepções? Porém, nenhuma analogia com a figura humana com mais de 40anos, não é mesmo?
Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola
A linguagem abreviada dos internautas remonta um passado histórico

Com o advento da tecnologia, tornou-se muito usual as abreviaturas no que se refere à linguagem dos internautas. Tal prática não é bem aceita por estudiosos da língua, nem tão pouco pela maioria de educadores, pois quando se trata da linguagem formal, a mesma interfere na qualidade da escrita.
Mas você sabia que essa prática remonta tempos antigos?
Desde os primeiros séculos da história do Brasil havia a abreviatura de documentos, e dentre os fatores que contribuíam para esta ocorrência estavam: a falta de recursos em adquirir materiais, como tintas, papéis e plumas, em razão da distância entre Portugal e a colônia, e a ausência de um sistema ortográfico oficial para a língua portuguesa.
Com isso, a melhor opção era abreviar as palavras, em virtude da praticidade do ato frente à escrita de textos produzidos à mão.
Mesmo quando surgiram os primeiros documentos impressos, ainda no século XVII, com a chegada da família real portuguesa, as abreviaturas não deixaram de existir em razão dos altos preços dos materiais utilizados na impressão.
Isto dificulta o trabalho de pesquisadores em decifrar manuscritos antigos.
Para que possamos compreender melhor, um exemplo destas dificuldades é a letra ”P”, que quando grafada isoladamente possui até 50 significados identificados, desde as unidades de medidas, como “pé” e “polegada”, até os nomes próprios, como “Paulo” e “Pedro”.
Vejamos agora outros exemplos das abreviaturas coloniais:
X- Essa letra, na sua forma maiúscula, era empregada para designar “Cristo”.
7.bro e 8.bro - Essas abreviaturas serviam para grafar os nomes dos meses de setembro e outubro, muito semelhante ao modelo atual encontrado nas salas de bate -papo.
Vm - Hoje é muito comum colocar “vc” para abreviar você, e naqueles tempos era para designar “vossa mercê”.
Onra e Sõra - Abreviaturas de senhora.
Hoje, a constante repetição de termos em correspondências oficiais e empresariais é muito usual, como é o caso de Cia., Ltda.(abreviação de Companhia Limitada).
Em virtude disso, já existem órgãos responsáveis por padronizar as normas de abreviação para os textos oficiais, que é a ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas).
Como já foi mencionado anteriormente, o assunto gera polêmica entre muitas pessoas, entretanto, um estudo realizado pela pesquisadora Carla Jeanny Fusca, da Universidade Estadual Paulista, mostrou que o hábito de os internautas utilizarem uma linguagem reduzida para se comunicarem em tempo real não afeta o desempenho linguístico quando se trata de textos escritos, os mesmos apenas fazem a distinção entre a “situação contextual” em que estão inseridos, levando em consideração o perfil dos interlocutores envolvidos.
Não só na Internet se dá essa prática, mas também no uso de celulares no que se restringe ao envio de mensagens como torpedos e SMS, em que a abreviatura significa economia linguística e também financeira.
Diante disso, resta-nos concluir que em comparação com os tempos coloniais, apenas houve um método mais moderno de implementação, mas a técnica continua a mesma.
Vânia Duarte, Graduada em Letras, Brasil Escola
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Literatura Portuguesa nos séculos XVIII e XIX
O século XVII se transformou gradualmente na revolução literária que seria o romantismo. As idéias liberais do estrangeiro empaparam todas as disciplinas das letras e a aprendizagem. João B. de Almeida Garrett, o máximo expoente do romantismo francês, influiu enormemente a geração de poetas, dramaturgos e novelistas de época.
Um grupo de poetas dissidentes entre os que se encontravam: Antero de Quental, Teófilo Braga e Abílio Manuel Guerra Junqueiro, se revelaram contra o romantismo e incluiram em suas obras idéias sociais e filosóficas. José Maria Eça de Queiroz introduziu o realismo na novela e sentou as bases do seguinte meio século. A historiogafia mais narrativa que científica floresceu ao mesmo tmepo, Joquim P. de Oliveira Martins foi um dos escritores mais populares deste gênero.
Século XX
O Período moderno das letras portuguesas data do estabelecimento da república em 1910. Os escritores mais tardios foram mais sensíveis como desenvolvimento de outros países. Fernando Pessoa, grande desconhecido em vida, seria mais tarde aclamado como o melhor poeta moderno portugues e José Régio sobressaiu como poéta e teatrólogo.
A principios dos anos 70 os círculos literários portugueses se viram surpreendidos pela publicação de uma coleção de notas, histórias, cartas e poemas de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Estes volumes tiveram proibido por sua natureza erótica e feminista; voltaram as uras em abril de 74 depois do fracasso da ditadura de Salazar. Na última parte do século XX, a literatura portuguesa cresceu na África: Na Ángola, o poeta Agustinho Neto e o novelista Ludiano Vieira; em Mozanbique, o novelista Luís Bernardo Howana; e em Cabo Verde os novelista.
FONTE: http://www.linguaportuguesa.biz/portuguese/literature.asp
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Simbolismo
O precursor do Simbolismo é o francês Charles Baudelaire com a publicação de “As Flores do Mal”, em 1857. O Simbolismo surgiu em meio à divisão social entre as classes burguesa e a proletária, as quais surgiram com o avanço tecnológico advindo da Revolução Industrial.
O mundo estava em processo de mudanças econômicas, enquanto o Brasil passava por guerras civis como a Revolução Federalista e a Revolta da Armada, nos anos compreendidos entre 1893 a 1895.
Há um clima de grande desordem social, política e econômica nesse período de transição do século XIX para o século XX. As potências estão em guerra pelo poderio econômico dos mercados consumidores e dos fornecedores de matéria-prima, ao passo que no Brasil eclodiam as revoltas sociais.
O Simbolismo é a estética literária do final do século XIX em oposição ao Realismo e teve início no Brasil em 1893, com a publicação de “Missal” e “Broquéis”, obras de autoria de Cruz e Sousa. Teve seu fim com a Semana de Arte Moderna, que foi o marco do início do Modernismo.
O Simbolismo não é considerado uma escola literária, já que nesse período havia três manifestações literárias em confronto: o Realismo, o Simbolismo e o Pré-Modernismo.
Podemos diferenciar a estética poética simbólica da parnasiana, bem como da realista, no quesito de temas abordados: negação do materialismo, cientificismo e racionalismo do período do Realismo, busca ao interior do homem, da sua essência, uso de sinestesias, aliterações, musicalidade, além das dicotomias alma e corpo, matéria e espírito.
No período do Simbolismo podemos destacar os escritores Eugênio de Castro e Cruz e Souza.
Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola
Parnasianismo
O Parnasianismo surgiu na França em oposição às escolas literárias Realismo e Naturalismo, opondo-se à prosa, já que foi um movimento essencialmente poético.
A escola teve influência da doutrina “arte pela arte” apresentada por Théophile Gautier, poeta e crítico literário francês, ainda no período do Romantismo.
A teoria da “arte pela arte” ressalta o belo e o refinamento através da autonomia da arte alheia à realidade.
O nome da escola vem do termo grego “Parnassus”, o qual indica o lugar mitológico onde as musas moravam.
A denominação da escola literária se deve também à primeira publicação parnasiana, intitulada “Le parnasse contemporain”, a qual apresenta as seguintes características: linguagem descritiva, formas clássicas (rima, métrica), indiferença. Os fundamentos parnasianos retomaram a perfeição formal almejada pela Antiguidade clássica.
As características do Parnasianismo são completamente opostas às realistas-naturalistas.
Vejamos:
Arte pela arte: sem influências da realidade nas formas ou conteúdos.
Objetividade: em oposição ao sentimentalismo exacerbado.
Culto da forma: ao contrário do descuido formal dos românticos
Impessoalidade: negação ao sentimentalismo romântico.
Racionalismo: surge a poesia de meditação, filosófica.
Visão carnal do amor: em oposição à visão espiritual dos românticos. Vênus é citada como modelo de mulher.
Além dos aspectos expostos acima, podemos citar o universalismo temático, o qual generaliza a temática, aborda temas universais em oposição ao individualismo dos romancistas.
O trema
Muitos pensam que o trema não existe mais. De fato, está em andamento um acordo ortográfico para unificar a grafia da língua portuguesa nos sete países em que ela é falada oficialmente. Se esse acordo entrar em vigor um dia, o trema desaparecerá. Enquanto isso não acontece, o trema existe e deve ser usado.
O trema faz parte do sistema ortográfico vigente e é empregado quando a letra "u" é pronunciada atonamente nos grupos "qüe", "qüi", "güe" e "güi". Um exemplo claro e muito conhecido é a palavra "cinqüenta". Confira a grafia nas cédulas de cinqüenta reais.
Já no título da canção "Eu não agüento", dos Titãs, aparece um verbo que nem sempre é corretamente grafado. Vejamos um trecho da letra:
Eu vou-me embora para a ilha
fazer a cabeça sob o sol que irradia
queimando em ritual.
É na batida do reggae
e com o cabelo trançado
eu tô livre na vida
e o que há de errado
com a noite que brilha?
Eu não agüento, eu não agüento
Eu não agüento, eu não agüento
é de noite, é de dia
mão na cabeça e documento.
Se você quer escrever "agüento" seguindo a norma culta da língua, use o trema. Observe que a tonicidade não está na vogal "u", mas na vogal "e". Assim, por ser átono e ao mesmo tempo sonoro, o "u" deve levar trema nesse caso.
Outra canção, "Saudade de Casa", de Ivan Lins e Vítor Martins, traz uma palavra com relação à qual muitos têm dúvida:
Quero tudo como antes:
nossa casa aconchegante
eu bem dentro dos seus olhos
Seu morador.
Eu tranqüilo ao seu lado
Onde quer que esteja, lá está
O mais belo e bem cuidado amor
A letra dessa canção contém a palavra "tranqüilo". De acordo com as normas ortográficas vigentes, a letra "u" deve, sim, receber o sinal trema.
Há uma palavra muito interessante que, normalmente, as pessoas pronunciam de forma errada: "qüiproquó". "Qüiproquó" é uma expressão latina que significa "confusão". O trema deve aparecer no primeiro "u". O segundo "u" não está em nenhum dos grupos que exigem esse sinal.
Mesmo que parte da imprensa não o use e muita gente já tenha se esquecido dele, continue usando o sinalzinho, sempre quando a letra "u" for sonora e precedida de "g" ou "q".
AS MULHERES DA LITERATURA POTIGUAR
...
Mas politicagens à parte, se é de espaço que elas reclamam, este ficará dedicado às mulheres, que fazem a literatura de nosso estado.
I
Nísia Floresta. Educadora, escritora e poetisa, Nísia representa o ufanismo de sua própria época e uma necessidade de se auto-afirmar enquanto mulher haja vista seus ideiais estarem anos-luz do nosso Estado porque ela os trazia da Europa, onde passou maior parte de sua vida.
III
Depois Auta de Souza, que com sua vida breve, produziu versos singulares no corpo da literatura potiguar. "Auta de Souza, é veemente exemplo de como o talento e a força de vontade superam dificuldades aparentemente insanáveis" (GURGEL, 2001, p. 46) Não apenas o carácter feminino que dão traços à poetisa, mas Auta constitui o típico físico, pele escura e desprovida de beleza, que na sociedade em que viveu, idos Novecentos, "nenhum dos três predicados contaria a seu favor" (GURGEL, 2001, p. 46).
IV
Palmira Wanderley. A importância da poetisa encerra no fato de que "ela representa a consolidação do verso modernista entre nós". (GURGEL, 2001, p. 52)
V
Zila Mamede. De jornalista, a poetisa nas horas vagas, bibliotecária por profissão, Zila com sua obra e sua carreira intelectual carregam um nome que a faz ser admirada por todos que a conhecem.
VI
Myriam Coeli, poetisa e primeira mulher no estado a exercer como profissional a profissão de jornalista. Seu universo poético em "versos límpidos" se marca pela "ternura, vigor, metafísica e cotidiano, dor e lúcida revolta" (GURGEL, 2001, p. 99).
VII
Madalena Antunes Pereira. Sua obra carrega uma qualidade literária e excepcional e se coloca como marco na produção em prosa por mulheres no estado. Cearaminiense, Madalena Antunes e seu Oiteiro se coloca entre os maiores expontes da intelectualidade literária de nosso estado.
VIII
Marize Castro, a poetisa que, no Estado, inaugura uma nova etapa da produção poético-literária: o da poesia mimeógrafo, ou poesia marginal. Marize carrega em sua obra a marca da ousadia no trato com a matéria poética, "uma poesia que afrontava as convenções e falsos moralismos" (GURGEL, 2001, p. 139).
IX
Contabilizando esse rol de figuras mais que importantes no cenário das letras potiguares, não podemos deixar de reservar espaço para Nivaldete Ferreira, a poetisa da grande sensibilidade, mas também da aridez e contenção do verso. Traços cabralianos e mamedianos.
X
Clotildde Tavares, autora do mais autêntico livro da geração contracultural da poesia potiguar, consoante Tarcísio Gurgel.
XI
Diva Cunha, a menina dos remorsos fé e mundano.
XII
Iracema Machado e muitas outras que lembradas ou não merecem a devida atenção, porque nelas se encerra um grau elevável e louvável de contribuição a este cenário. Todas elas carregam em si singularidades que as fazem servir de modelo de vida no foram e ainda são na sociedade.
______
referências: GURGEL, Tarcísio. Informação da literatura potiguar. Natal, RN: Argos, 2001.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
EÇA de QUEIROZ - texto 3
Resumo da Obra
Leiria, vista geral da cidade.
O romance O Crime do Padre Amaro inicia-se com a morte de José Miguéis, pároco da
cidade de Leiria. Para ocupar o seu lugar é designado, graças a influências políticas, o
jovem Amaro Vieira, que havia saído do seminário há pouco tempo.
A indicação de Amaro agradou muito ao Cônego Dias, que, além de ser seu exprofessor
de Moral, ficou incumbido, a pedido do próprio Amaro, de arranjar-lhe um
lugar para se hospedar. Assim, o Cônego instalou-o na casa da sua “amiga” S.
Joaneira. Essa idéia não agradou muito ao Mendes, Coadjutor da Sé, pois ele
acreditava que a convivência, na mesma casa, do jovem padre com a bela Amélia,
filha de S. Joaneira, poderia gerar comentários maldosos.
Apesar disso, o Cônego não deu importância ao Coadjutor, pois com esse “arranjo” ele
não precisaria mais ajudar financeiramente a sua “amiga”, uma vez que o dinheiro do
aluguel pago por Amaro cobriria os gastos dessa “generosa caridade”.
Ao chegar a Leiria Amaro hospeda-se na casa da S. Joaneira e lá conhece Amélia.
Amaro passa então a desfrutar das regalias disponíveis na casa (comida, bebida,
companhia etc.). Em seu quarto, Amaro lê “maquinalmente” suas “orações”, pois sua
atenção está voltada totalmente ao “tique-taque das botinas de Amélia e o ruído
das saias engomadas que ela sacudia ao despir-se”.
Em seguida temos dois longos “flash-backs” (corte no tempo narrativo), que são
importantíssimos para o entendimento global da obra, pois neles nos são revelados as
origens de Amaro e Amélia.
No “flash-back” de Amaro descobrimos como foi a sua infância e Adolescência. Além
disso, podemos observar que o “meio” em que Amaro foi formado determinou seu
caráter fraco, sensual e mentiroso.
(QUERIDOS ALUNOS, ESTE TEXTO CONTÉM 08 PÁGINAS, postei aqui somente a página 01. @K@!)
EÇA de QUEIROZ - TEXTO 2
Resumo da Obra
O romance O Crime do Padre Amaro inicia-se com a morte de José Miguéis, pároco da
cidade de Leiria. Para ocupar o seu lugar é designado, graças a influências políticas, o
jovem Amaro Vieira, que havia saído do seminário há pouco tempo.
A indicação de Amaro agradou muito ao Cônego Dias, que, além de ser seu exprofessor
de Moral, ficou incumbido, a pedido do próprio Amaro, de arranjar-lhe um
lugar para se hospedar. Assim, o Cônego instalou-o na casa da sua “amiga” S.
Joaneira. Essa idéia não agradou muito ao Mendes, Coadjutor da Sé, pois ele
acreditava que a convivência, na mesma casa, do jovem padre com a bela Amélia,
filha de S. Joaneira, poderia gerar comentários maldosos.
Apesar disso, o Cônego não deu importância ao Coadjutor, pois com esse “arranjo” ele
não precisaria mais ajudar financeiramente a sua “amiga”, uma vez que o dinheiro do
aluguel pago por Amaro cobriria os gastos dessa “generosa caridade”.
Ao chegar a Leiria Amaro hospeda-se na casa da S. Joaneira e lá conhece Amélia.
Amaro passa então a desfrutar das regalias disponíveis na casa (comida, bebida,
companhia etc.). Em seu quarto, Amaro lê “maquinalmente” suas “orações”, pois sua
atenção está voltada totalmente ao “tique-taque das botinas de Amélia e o ruído
das saias engomadas que ela sacudia ao despir-se”.
Em seguida temos dois longos “flash-backs” (corte no tempo narrativo), que são
importantíssimos para o entendimento global da obra, pois neles nos são revelados as
origens de Amaro e Amélia.
No “flash-back” de Amaro descobrimos como foi a sua infância e Adolescência. Além
disso, podemos observar que o “meio” em que Amaro foi formado determinou seu
caráter fraco, sensual e mentiroso.
(QUERIDOS ALUNOS, ESTE TEXTO CONTÉM 78 PÁGINAS, postei aqui somente a página 01. @K@!)
EÇA de QUEIROZ - TEXTOS PARA APRESENTAÇÃ EM SALA
A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós
Fonte:
QUEIRÓS, Eça de. A cidade e as serras. São Paulo : Ática. (Série Bom Livro)
Texto proveniente de:
A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro
A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo
Permitido o uso apenas para fins educacionais.
Texto-base digitalizado por:
Marciana Maria Muniz Guedes - São Paulo/SP
Este material pode ser redistribuído livremente, desde que não seja alterado, e que as informações acima sejam mantidas.
I
O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival.
No Alentejo, pela Estremadura, através das duas Beiras, densas sebes ondulando pôr e vale, muros altos de boa pedra, ribeiras, estradas, delimitavam os campos desta velha família agrícola que já entulhava o grão e plantava cepa em tempos de el-rei d.Dinis. A sua Quinta e casa senhorial de Tormes, no Baixo douro, cobriam uma serra. Entre o Tua e o Tinhela, pôr cinco fartas léguas, todo o torrão lhe pagava foro. E cerrados pinheirais seus negrejavam desde
Arga até ao mar de âncora. Mas o palácio onde Jacinto nascera, e onde sempre habitara, era em Paris, nos Campos Elísios, nº.202.
Seu avô, aquele gordíssimo e riquíssimo Jacinto a quem chamavam em Lisboa o D.Galião, descendo uma tarde pela travessa da Trabuqueta, rente dum muro de quintal que uma parreira toldava, escorregou numa casca de laranja e desabou no lajedo. Da portinha da horta saía nesse momento um homem moreno, escanhoado, de grosso casaco de baetão verde e botas altas de picador, que, galhofando e com uma força fácil, levantou o enorme Jacinto – até lhe apanhou a bengala de castão de ouro que rolara para o lixo. Depois, demorando nele os olhos pestanudos e pretos:
- Ó Jacinto Galião, que andas tu aqui, a estas horas, a rebolar pelas pedras?
E Jacinto, aturdido e deslumbrado, reconheceu o sr. Infante D. Miguel!
Desde essa tarde amou aquele bom Infante como nunca amara, apesar de tão guloso, o seu ventre, e apesar de tão devoto o seu Deus! Na sala nobre da sua casa (à Pampulha) pendurou sobre os damascos o retrato do "seu Salvador", enfeitado de palmitos como um retábulo e, pôr baixo a bengala que as magnânimas mãos reais tinham erguido do lixo. Enquanto o adorável, desejado Infante penou no desterro de Viena, o barrigudo senhor corria, sacudido na sua sege amarela, do botequim do Zé Maria em Belém à botica do Plácido nos Algibebes, a gemer as saudades do anjinho, a tramar o regresso do anjinho. No dia, entre todos benedito, em que a Pérola apareceu à barra com o Messias, engrinaldou a Pampulha, ergueu no Caneiro um monumento de papelão e lona onde D. Miguel, tornado S. Miguel, branco, de auréola e asas de Arcanjo, furava de cima do seu corcel de Alter o Dragão do Liberalismo, que se estorcia vomitando a Carta. Durante a guerra com o "outro, com o pedreiro-livre" mandava recoveiros a Santo Tirso, a S.Gens, levar ao Rei fiambres, caixas de doce, garrafas do seu vinho de Tarrafal, e bolsas de retrós atochadas de peças que ele ensaboava para lhes avivar o ouro. E quando soube que o sr. Miguel, com dois velhos baús amarrados sobre um macho, tomara o caminho de Sines e do final desterro – Jacinto Galião correu pela casa, fechou todas as janelas como num luto, berrando furiosamente:
- Também cá não fico! Também cá não fico!
(QUERIDOS ALUNOS, ESTE TEXTO CONTÉM 79 PÁGINAS, postei aqui até a página 2, o resto é com vcs. @K@!)
ultraromantismo: JOÃO DE DEUS DE NOGUEIRA RAMOS
Seria o beijo
(João de Deus, in 'Campo de Flores')
domingo, 15 de novembro de 2009
AMOR DE PERDIÇÃO - Camilo Castelo Botelho
Camilo Castelo Branco conquistou fama com a novela passional Amor de Perdição. Bem ao gosto romântico, a característica principal da novela passional é o seu tom trágico. As personagens estão sempre em luta contra terríveis obstáculos para alcançar a felicidade no amor. Normalmente, essa busca é frustrante. Mesmo quando os amantes ficam juntos, isso é conseguido a custa de muito sofrimento. Os direitos do coração, frequentemente, vão de encontro aos valores sociais e morais. Segundo o autor, Amor de Perdição foi escrito em 15 dias em 1861, quando ele estava preso na cadeia da Relação, na cidade do Porto, por ter-se envolvido em questões de adultério.
Como o drama de Romeu e Julieta, a obra focaliza dois apaixonados que têm como obstáculo para a realização amorosa a rivalidade entre as famílias. A ação se passa em Portugal, no século 19. O narrador diz contar fatos ocorridos com seu tio Simão. Residentes em Viseu, duas famílias nobres, os Albuquerques e os Botelhos, odeiam-se por causa de um litígio em que o corregedor Domingos Botelho deu ganho de causa contrário aos interesses dos primeiros. Simão é um dos cinco filhos do corregedor. Devido ao seu temperamento explosivo, Simão envolve-se em confusões. Seu pai o manda estudar em Coimbra, mas ele se envolve em novas confusões e é preso. Liberto, volta para Viseu e se apaixona por Teresa Albuquerque, sua vizinha.
A partir daí, opera-se uma rápida transformação no rapaz. Simão se regenera, torna-se estudioso, passa a ter como valor maior o amor, e todos os seus princípios são dele decorrentes. Os pais descobrem o namoro. O corregedor manda o filho para Coimbra. Para Teresa restam duas opções: casar-se com o primo Baltasar ou ir para o convento. Proibidos de se encontrar, os jovens trocam correspondência, ajudados por uma mendiga e por Mariana, filha do ferreiro João da Cruz. Mariana encarna o amor romântico abnegado.
Apaixona-se por Simão, embora saiba que esse amor jamais poderá ser correspondido, seja pelo fato de Teresa dominar o coração do rapaz seja pela diferença social: ela era de condição humilde, filha de um ferreiro. Mesmo assim, ama a tal ponto de encontrar felicidade na felicidade do amado.
Depois de ameaças e atentados, Teresa rejeita o casamento. Por isso será enviada para o convento de Monchique, no Porto. Simão resolve raptá-la, acaba por matar seu rival e se entrega à polícia. João da Cruz oferece-se para ajudá-lo a fugir, mas ele não aceita, pois é o típico herói romântico.
Matou por amor à Teresa, portanto assume seu ato e faz questão de pagar. Enquanto Simão vai para a cadeia, sua amada vai para o convento. Mariana, por sua vez, procura estar sempre ao lado de Simão, ajudando-o em todas as ocasiões. Condenado à forca, a sentença é comutada e Simão é degredado para a Índia. Quando ele está partindo, Teresa, moribunda, pede que a coloquem no mirante do convento, para ver o navio que levará seu amado para longe. Após acenar dizendo adeus, morre. Seu amor exagerado a leva à perdição.
Durante a viagem, Mariana, que acompanha Simão, mostra-lhe a última carta de Teresa. Ele fica sabendo da sua morte, tem uma febre inexplicável e morre. Seu amor exagerado o leva à perdição. Na manhã seguinte, seu corpo é lançado ao mar. Mariana não suporta a perda e se joga ao mar, suicidando-se abraçada ao cadáver de Simão. Seu amor exagerado a leva à perdição.
@k@!
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
AULA DE LITERATURA PORTUGUESA II DO DIA 19/11
"Aka, vem ká.Olhaí, confirmado. Estreia da peça. A FARRA DE BENEDITO NA TERRA DE JOÃO REDONDO.Dias 21 e 22 de Novembro. Teatro Porto de Ama. Agora, pra fazer um dengo a tu... ensaio geral, na sede do grupo, Rua das Begônias, 776, COHAB, Macau, (Todo mundo sabe donde é). Dia 19 de novembro, às 20h, 5ª Feira."
Temos um compromisso, certo? Aguardo todos lá.
@K@!
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
A INFLUENCIA DA LUA SOBRE OS HOMENS

Hoje, voltando de Macau no ônibus, procurei o lado da janela para observar a lua que estava simplesmente magnífica. A pesar de ela não estar totalmente cheia, mas estava com um brilho contagiante. É claro que toda a Natureza é bela e importante para a vida em geral, mas a lua, até onde sei, é um dos elementos da natureza que mais age diretamente ou indiretamente sobre todas as coisas inclusive o homem.
Ela com seu brilho, não só atraiu meu olhar por estar linda esplêndida e encantadora, como também penetrou diretamente na minha alma, esvaziou minha mente, levou-me a refletir sobre o certo e o errado, expulsou de meu coração o pessimismo, o ódio e o rancor, e, trousse o otimismo, a esperança e a fé. E mais, ainda, a lua, depois de um longo tempo de observação e reflexão, ensinou-me de maneira sutil e lenta, que a vida é bela, e vale a pena usarmos o amor até para quem nos odeia, e amar com maior intensidade quem nos ama, sem medir conseqüências, nem olhar barreiras, enfim, sem temer mal algum.
Você já fez amor em um lugar onde naquele momento só existisse a lua como testemunha? Já imaginou como seria isso? Seja na praia, no campo ou em qualquer outro lugar, porém que a lua estivesse presente, cobrindo seus corpos com o brilho de sua luz como se fossem seus lençóis?...se não imaginou, imagine. Se já imaginou, realize. Se já realizou então você sabe o segredo da lua. Basta vê-la, principalmente em noite de lua cheia, pra você se recordar do grandioso momento, e querer vivenciá-lo de novo. Pois o prazer é total, é dobrado. Imagino eu, e é o que vou procurar fazer para confirmar minha imaginação.
Portanto, ame viver e aprenda com a lua, que nada faz anão ser derramar sua beleza por cima de onde ela passa. Ilumina lugares escuros, enche mares, embeleza cabelos, e apazigua corações.
Eurico, o Presbítero - Alexandre Herculano
Eurico, então, se entrega à religiosidade, tornando-se o Presbítero de Cartéia, para se afastar das lembranças de Hermengarda, através das funções religiosas e da composição de poemas e hinos religiosos.
No entanto, quando ele descobre que os árabes estão invadindo a Península Ibérica, liderados por Tarrique, alerta seu amigo Teodomiro e se transforma no enigmático Cavaleiro Negro. De maneira heróica, Eurico, agora Cavaleiro Negro, luta em defesa de sua terra e, devido a seu ímpeto, ganha a admiração dos Godos e lhes dá forças para combater o invasor.
Quando a vitória parece certa para os Godos, Sisibuto e Ebas, filhos do imperador Vitiza, traem seu povo, a fim de ganhar o trono espanhol. Logo após, Roderico, rei dos Godos, morre em batalha e o povo passa a ser liderado por Teodomiro. Enquanto isso, os árabes invadem o Mosteiro da Virgem Dolosa e raptam Hermengarda. O Cavaleiro Negro a salva quando o "amir" estava prestes a profaná-la. Durante a fuga, Hermengarda é levada até as Astúrias, onde está seu irmão Pelágio.
Em segurança numa gruta, Hermengarda encontra Eurico e declara seu amor por ele. Contudo, Eurico não acredita que esse amor possa se concretizar, devido às suas convicções religiosas, e revela a real identidade do Cavaleiro Negro. Ao saber disso, Hermengarda perde a razão e Eurico, ciente de suas obrigações, parte para um combate suicida contra os árabes.
Eurico, o Presbítero - Alexandre Herculano
Eurico, então, se entrega à religiosidade, tornando-se o Presbítero de Cartéia, para se afastar das lembranças de Hermengarda, através das funções religiosas e da composição de poemas e hinos religiosos.
No entanto, quando ele descobre que os árabes estão invadindo a Península Ibérica, liderados por Tarrique, alerta seu amigo Teodomiro e se transforma no enigmático Cavaleiro Negro. De maneira heróica, Eurico, agora Cavaleiro Negro, luta em defesa de sua terra e, devido a seu ímpeto, ganha a admiração dos Godos e lhes dá forças para combater o invasor.
Quando a vitória parece certa para os Godos, Sisibuto e Ebas, filhos do imperador Vitiza, traem seu povo, a fim de ganhar o trono espanhol. Logo após, Roderico, rei dos Godos, morre em batalha e o povo passa a ser liderado por Teodomiro. Enquanto isso, os árabes invadem o Mosteiro da Virgem Dolosa e raptam Hermengarda. O Cavaleiro Negro a salva quando o "amir" estava prestes a profaná-la. Durante a fuga, Hermengarda é levada até as Astúrias, onde está seu irmão Pelágio.
Em segurança numa gruta, Hermengarda encontra Eurico e declara seu amor por ele. Contudo, Eurico não acredita que esse amor possa se concretizar, devido às suas convicções religiosas, e revela a real identidade do Cavaleiro Negro. Ao saber disso, Hermengarda perde a razão e Eurico, ciente de suas obrigações, parte para um combate suicida contra os árabes.
domingo, 1 de novembro de 2009
A Linguagem da Política - Inovações lingüísticas no português conteporâneo
Por que a linguagem da Política especificamente? Porque a Política faz parte do nosso cotidiano, penetra em nossos lares pela mídia, é dinâmica, é rica, é renovadora. Uma inovação na linguagem da Política é um eficaz recurso de Comunicação, irradiando-se em ondas por todo o país e penetrando em outros campos do saber.
Quando Fernando Henrique criou fracassomania, o termo se irradiou, em ondas sucessivas, por todo o território brasileiro, e sua aceitação fez gerar o antônimo sucessomania e os respectivos derivados fracassomaníaco e sucessomaníaco.
A Política forma a história do país, cujo principal esporte é o futebol. Assim, o radical –mania se expande à área do futebol, formando, em plena copa de 94, ronaldinhomania.
A adoção de uma inovação política está diretamente relacionada ao prestígio de seu criador. Tivemos um exemplo recente. Quando o ministro Rogério Magri, do governo Collor, criou imexível, apesar da produtividade de prefixo e sufixo, houve uma polêmica nacional. Em 1995, no governo Fernando Henrique, o ministro Adib Jatene criou infritável, usando o mesmo processo, e houve ampla aceitação.
Essa pesquisa iniciou-se em 1994, com material recolhido nos principais jornais e revistas do país: JB, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Estado de Minas, Correio Braziliense, Jornal de Brasília, Gazeta do Povo, Zero Hora, A Tarde, A Crítica, Revista Veja, Revista Isto É, Revista Manchete. Essa coleta estendeu-se até o início de 1996. Compreende a era pós-Collor, com Itamar Franco no poder e primeiro ano do governo de Fernando Henrique.
A escolha desse período não foi aleatória. 1994 foi um ano atípico. O Brasil esteve governado por um vice-presidente porque o presidente da República fora afastado por um processo de impeachment. Foi ano eleitoral. Sendo Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, criou – se o Plano Real – ou Plano FHC. O Brasil conviveu com duas moedas: o cruzeiro real e o real, além da fase de transição com o indexador URV. 1995 representou a posse de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República e a continuidade do Plano Real, mantendo-se o real como moeda nacional. Foi ano de muitas crises, começando pela do SIVAM e culminando com a da pasta rosa.
A partir da coleta desse material, organizei-o em grupos, por níveis lexicais, locucionais e frasais. Destaquei inovações propriamente ditas, retomada de palavras em sentido político e empréstimos lingüísticos.
Catalogados os termos, dei início à organização dos verbetes, que foram assim constituídos: classe gramatical (de acordo com o contexto); gênero (baseado na classificação de Mattoso Câmara); processo de formação (numa visão sincrônica, estudando-se a produtividade atual de sufixos e prefixos); etimologia (em caso de retomada de palavras); sentido político; conteúdo histórico; e abonação com indicação da fonte.
Muitos foram os termos criados a partir de lexemas antroponímicos: adhemarismo, brizolismo, cardosismo, collorato, collorizar, fernandohenriquismo, lular, malufismo, marcelista, menemizar, quercismo, sarneyzismo, sarneyzista, ulyssista etc.
Siglas e vocábulos acrossêmicos também geram derivados: ciepão, cutista, embrateleca, pefelagem, pefelista, pepebista, petismo, urvirização etc.
Vocábulos de aspecto híbrido são freqüentes, como se pode observar em fumódromo, showmício, SIVAMgate, umbigotropia.. .
Entre as inovações lexicais, destacaram-se substantivos formados, em sua maioria, por processo de derivação. Grande foi a produtividade dos sufixos –ção, –ismo e –ista e dos prefixos anti-, dês– e super-.
Processo comum foi o que se convencionou chamar de “dupla derivação em cadeia”: um verbo gera outro verbo e este novo verbo gera um substantivo. É o que se observa com o verbo fazer, que gera *fazejar, de natureza freqüentativa, que, por sua vez, gera fazejamento. O processo também pode ocorrer de substantivo para verbo, gerando novo substantivo: Fujimori gera * fujimorizar, que gera fujimorização.
Foram registradas inovações de natureza técnica, ao lado de outras de característica popular, algumas, até, jocosas, de cunho metafórico. Umas caem no gosto popular, como acabar em pizza, sendo adotadas pelo sistema; outras refletem o momento histórico e, logo, serão esquecidas e substituídas, como realmário, nome jocoso atribuído à moeda real numa alusão ao craque brasileiro que se destacou na Copa do Mundo de 94. Outras, levando-se em conta o prestígio do criador, irradiam-se por todo o território brasileiro, como foi o caso de fracassomania.
Nícia de Andrade Verdini Clare (UERJ)
http://www.filologia.org.br/ixcnlf/16/02.htm
sábado, 24 de outubro de 2009
As Funções da Linguagem
Para entendermos com clareza as funções da linguagem, é bom primeiramente conhecermos as etapas da comunicação.
Ao contrário do que muitos pensam, a comunicação não acontece somente quando falamos, estabelecemos um diálogo ou redigimos um texto, ela se faz presente em todos (ou quase todos) os momentos.
Comunicamos-nos com nossos colegas de trabalho, com o livro que lemos, com a revista, com os documentos que manuseamos, através de nossos gestos, ações, até mesmo através de um beijo de “boa noite”.
É o que diz Bordenave quando se refere à comunicação:
A comunicação confunde-se com a própria vida. Temos tanta
consciência de que comunicamos como de que respiramos ou
andamos. Somente percebemos a sua essencial importância
quando, por acidente ou uma doença, perdemos a capacidade
de nos comunicar. (Bordenave, 1986. p.17-9)
No ato de comunicação percebemos a existência de alguns elementos, são eles:
a) emissor: é aquele que envia a mensagem (pode ser uma única pessoa ou um grupo de pessoas).
b) receptor: é aquele a quem a mensagem é endereçada (um indivíduo ou um grupo), também conhecido como destinatário.
c) canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensagem é transmitida.
d) código: é o conjunto de signos e de regras de combinação desses signos utilizado para elaborar a mensagem: o emissor codifica aquilo que o receptor irá descodificar.
e) contexto: é o objeto ou a situação a que a mensagem se refere.
Partindo desses seis elementos Roman Jakobson, lingüista russo, elaborou estudos acerca das funções da linguagem, os quais são muito úteis para a análise e produção de textos. As seis funções são:
1. Função referencial: referente é o objeto ou situação de que a mensagem trata. A função referencial privilegia justamente o referente da mensagem, buscando transmitir informações objetivas sobre ele. Essa função predomina nos textos de caráter científico e é privilegiado nos textos jornalísticos.
2. Função emotiva: através dessa função, o emissor imprime no texto as marcas de sua atitude pessoal: emoções, avaliações, opiniões. O leitor sente no texto a presença do emissor.
3. Função conativa: essa função procura organizar o texto de forma a que se imponha sobre o receptor da mensagem, persuadindo-o, seduzindo-o. Nas mensagens em que predomina essa função, busca-se envolver o leitor com o conteúdo transmitido, levando-o a adotar este ou aquele comportamento.
4.Função fática: a palavra fático significa “ruído, rumor”. Foi utilizada inicialmente para designar certas formas que se usam para chamar a atenção (ruídos como psiu, ahn, ei). Essa função ocorre quando a mensagem se orienta sobre o canal de comunicação ou contato, buscando verificar e fortalecer sua eficiência.
5. Função metalingüística: quando a linguagem se volta sobre si mesma, transformando-se em seu próprio referente, ocorre a função metalingüística.
6. Função poética: quando a mensagem é elaborada de forma inovadora e imprevista, utilizando combinações sonoras ou rítmicas, jogos de imagem ou de idéias, temos a manifestação da função poética da linguagem. Essa função é capaz de despertar no leitor prazer estético e surpresa. É explorado na poesia e em textos publicitários.
Essas funções não são exploradas isoladamente, de modo geral, ocorre a superposição de várias delas. Há, no entanto, aquela que se sobressai, assim podemos identificar a finalidade principal do texto.
Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
Equipe Brasil Escola
Concordância Nominal e Verbal
A Concordância Nominal é o acordo entre o nome (substantivo) e seus modificadores (artigo, pronome, numeral, adjetivo) quanto ao gênero (masculino ou feminino) e o número (plural ou singular).
Exemplo: Eu não sou mais um na multidão capitalista.
Observe que, de acordo com a análise da oração, o termo “na” é a junção da preposição “em” com o artigo “a” e, portanto, concorda com o substantivo feminino multidão, ao mesmo tempo em que o adjetivo “capitalista” também faz referência ao substantivo e concorda em gênero (feminino) e número (singular).
Vejamos mais exemplos:
Minha casa é extraordinária.
Temos o substantivo “casa”, o qual é núcleo do sujeito “Minha casa”. O pronome possessivo “minha” está no gênero feminino e concorda com o substantivo. O adjetivo “extraordinária”, o qual é predicativo do sujeito (trata-se de uma oração com complemento conectado ao sujeito por um verbo de ligação), também concorda com o substantivo “casa” em gênero (feminino) e número (singular).
Para finalizar, veremos mais um exemplo, com análise bem detalhada:
Dois cavalos fortes venceram a competição.
Primeiro, verificamos qual é o substantivo da oração acima: cavalos. Os termos modificadores do substantivo “cavalos” são: o numeral “Dois” e o adjetivo “fortes”. Esses termos que fazem relação com o substantivo na concordância nominal devem, de acordo com a norma culta, concordar em gênero e número com o mesmo.
Nesse caso, o substantivo “cavalos” está no masculino e no plural e a concordância dos modificadores está correta, já que “dois” e “fortes” estão no gênero masculino e no plural. Observe que o numeral “dois” está no plural porque indica uma quantidade maior do que “um”.
Então temos por regra geral da concordância nominal que os termos referentes ao substantivo são seus modificadores e devem concordar com o mesmo em gênero e número.
Importante: Localize na oração o substantivo primeiramente, como foi feito no último exemplo. Após a constatação do substantivo, observe o seu gênero e o número. Os termos referentes ao substantivo são seus modificadores e devem estar em concordância de gênero e número com o nome (substantivo).
Regra Geral da Concordância Verbal
O verbo de uma oração deve concordar em número e pessoa com o sujeito, para que a linguagem seja clara e a escrita esteja de acordo com as normas vigentes da gramática. Observe:
1. Eles está muito bem. (incorreta)
2. Eles estão muito bem. (correta)
O sujeito “eles” está na 3ª pessoa do plural e exige um verbo no plural. Essa constatação deixa a primeira oração incorreta e a segunda correta.
Primeiramente, devemos observar quem é o sujeito da frase, bem como analisar se ele é simples ou se é composto.
Sujeito simples é aquele que possui um só núcleo e, portanto, a concordância será mais direta. Vejamos:
1. Ela é minha melhor amiga.
2. Eu disse que eles foram à minha casa ontem.
Temos na primeira oração um sujeito simples “Ela”, o qual concorda em pessoa (3ª pessoa) e número (singular) com o verbo “é”.
Já na segunda temos um período formado por duas orações: “Eu disse” que “eles foram à minha casa ontem”. “Eu” está em concordância em pessoa e número com o verbo “disse” (1ª pessoa do singular), bem como “eles” e o verbo “foram” (3ª pessoa do plural).
Lembre-se que período é a frase que possui uma ou mais orações, podendo ser simples, quando possui um verbo, ou então composto quando possuir mais de um verbo.
Sujeito composto é aquele que possui mais de um núcleo e, portanto, o verbo estará no plural. Vejamos:
1. Joana e Mariana saíram logo pela manhã.
2. Cachorros e gatos são animais muito obedientes.
Na primeira oração o sujeito é composto de dois núcleos (Joana e Mariana), que substituído por um pronome ficará no plural: Joana e Mariana = Elas. O pronome “elas” pertence à terceira pessoa do plural, logo, exige um verbo que concorde em número e pessoa, como na oração em análise: saíram.
O mesmo acontece na segunda oração: o sujeito composto “cachorros e gatos” é substituído pelo pronome “eles”, o qual concorda com o verbo são em pessoa (3ª) e número (plural).
Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras - Equipe Brasil Escola